domingo, 11 de dezembro de 2022

Opinião. Cadê a microbioeconomia?

 

A bioeconomia, sob o conceito produtivo-econômico, pode ser considerada como uma “economia sustentável, que reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos (seres vivos)”, de acordo com a Fiesp. A finalidade primordial e o resultado esperado são a criação e o desenvolvimento da chamada economia sustentável.

 

A temática ambiental, lançada globalmente, na Rio-92 (ou Eco-92), demorou alguns anos para tornar-se uma referência importante nas economias mais globalizadas e desenvolvidas economicamente. Os anos mais recentes mostraram que a inquietação ambiental é tema central do ponto de vista social mas, também, econômico; aliás, indissociável hoje em dia falar em desenvolvimento e crescimento econômico sem incluir o aspecto social que conseguiu transformar-se – depois de muito esforço – em um fator ambiental.

 

Econômico, social e ambiental tornaram-se argumentos irreversíveis nestes tempos atuais. Daí, a bioeconomia ter alcançado um status de melhor qualificação para o setor produtivo, mais ainda neste conceito atual de que que para estar no meio produtivo da bioeconomia não é necessário apenas o resultado do processo produtivo mas sim, ter o componente “recursos biológicos” no esquema produtivo. Para ser mais específico: é a matéria-prima e, para alguns, a mais essencial no futuro.

 

O RN não tem um parque industrial dos mais estruturados, quando comparamos com os principais centros urbanos nacionais. Temos poucas indústrias de médio e grande portes e uma incontável quantidade de pequenas indústrias. Sem dúvida, independentemente do porte produtivo e da quantidade de empregos, merecem seu reconhecimento e devem ser validados na importância da dinâmica local-estadual.

 

Temos também, em um expressivo número – consequência de nossa estrutura econômica – de micro e mini empresas nos setores comerciais e de serviços mas, bem menos quando falamos do setor industrial. Quando avaliamos, por exemplo, as estatísticas dos MEI, a concentração é fraca para a atividade industrial, para ser mais exato, do artesão industrial, visto que a estrutura dos MEI limita a apenas uma pessoa contratada.

 

Temos também, aqui no RN, muitos recursos naturais, em especial com a faixa litorânea e seus 410km, sem esquecer os recursos no agronegócio no interior.

 

Mas, não temos quase bioeconomia de grande exposição no RN. E certamente, diria, poucas atividades da microbioeconomia em destaque. Ou pelo menos, reconhecidamente divulgados.

 

A microbioeconomia nada mais é do que contar com a criatividade, a iniciativa e o empreendedorismo para produzir algo utilizando recursos naturais (vivos) com eficiência-eficácia que promova o desenvolvimento sustentável. Ideias, não faltam. Mas, como envolve pesquisas, ainda que a fase inicial seja intuitiva a partir da criação empreendedora, o desenvolvimento exige um suporte técnico-científico de laboratórios. E temos laboratórios no RN, basta, por exemplo, listar aquelas nas universidades potiguares que muitas vezes são conhecidos dos estudantes de graduação; não muito além disto, pois pouca disseminação e baixa utilização por microempreendedores.

 

Uma interação com a microbioeconomia potiguar seria louvável. À pergunta do título, quando refeita, teríamos então uma série de respostas e uma lista importante de microempresas, com maior e melhor reconhecimento social, econômico e ambiental no RN.

 

 

 

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