A
cacofonia não foi das melhores, “o vinho”, mas é que por enquanto ainda estamos
assim mesmo, no singular, e por isto a pergunta, de quando teremos o “s”, ou
seja, quando é que poderemos dizer “os vinhos” do RN? Não sei, não vi mais
notícias novas sobre a produção de vinho.
Recapitulando,
em São José do Mipibu já há alguns bons anos foi anunciando um grande projeto de
plantação de uvas para a produção de vinho, projeto que teve vários apoios,
inclusive financeiro de órgãos públicos para que pudesse alcançar seus
objetivos. Quem é da cidade ou acompanhou o noticiário lembrará da Casa 7 Evas,
este o nome oficial da empresa. Neste ano vi uma notícia mais animadora sobre a
possibilidade de sair um rótulo de vinho, com a visita de estudantes da cidade à
sede da empresa que, aliás, pelo que mostram as fotos, já está produzindo uvas;
um bom sinal, quero dizer, pelo menos a matéria-prima já rendeu frutos (não foi
uma cacofonia, mas como hoje é sábado, me permitam o trocadilho).
Recapitulando,
novamente, mas agora em um tempo bem mais curto, em julho do ano passado foi
anunciado com pompa e circunstância o primeiro rótulo oficial de vinho do RN, o
tal Serra de Martins que, como indica seu nome, produzido em Martins, região de
serras e com um clima mais ameno. O vinho foi lançado em alguns eventos mas,
infelizmente não consegui achar para venda nos estandes das feiras que
participei. Não sou nem conhecedor e nem mesmo um adepto de vinhos e bebidas
alcóolicas, mas gostaria de ter comprado uma garrafa para prestigiar nossa
produção local. Soube que o preço era mais elevado do que vários rótulos que
encontramos nos supermercados, inclusive com vinhos importados (o custo de logística,
em tese, bem maio), em torno dos R$ 60-80, mas compraria, como investimento-retorno
ao empreendedorismo potiguar.
Para
o Serra de Martins, de acordo com as notícias divulgadas ano passado, a produção
local ficaria em torno de 1.000 litros, o que daria cerca de 1.300 garrafas.
Multiplicando esta produção estimada com um preço médio como acima indicado, e
se considerarmos que todas as vendas seriam exclusivamente realizadas pela
própria vinícola, a receita anual seria em torno de R$ 90 mil, ou uma receita
média mensal de R$ 7.500,00. Pouco, muito pouco, para manter a atividade. Neste
patamar o investimento será pouco rentável, por isto espero que tenha sido
apenas a primeira safra, experimental.
Em
conversa informal, alguém comentou que haveria uma terceira tentativa de
produção de vinho potiguar, na região de Jaçanã, também uma átrea com clima
mais ameno e que vem ganhando notoriedade com o plantio e o beneficiamento de
café (o tal do Café Jaçanã). Achei muito interessante a ideia, mas não conseguir
ter mais informações.
Começamos
2026 com um vinho potiguar e pode-se estimar que tenhamos a segunda safra do
Serra do Martins no mês de julho e ficar na torcida para que a Casa 7 Evas
registre no mercado o segundo rótulo potiguar.
O
mercado de vinhos, aqui no RN, é bem curioso, como já comentei alguma vez, pois
passamos a ter vários especialistas em vinhos, uvas e os famosos terroirs
(assim mesmo, em francês, mais elegante fica). Poderíamos ter algum sistema de
avaliação da nossa safra para incentivar o consumo local, buscar os
influenciadores para opinar sobre as garrafas e seus conteúdos. Pode ser um bom
canal de divulgação.
E
pode até ser otimismo exagerado ou um otimismo muito exagerado mas, como temos
muitos produtores de queijo, quem sabe teríamos um “Festival potiguar de
queijos e vinhos”? Teríamos poucas variedades de vinhos, tal como de queijos,
mas teríamos muita diversidade de opiniões. E, espero, que o empreendedorismo
local persista neste mercado que alcança valores espetaculares. Um brinde ao “Festival
potiguar de queijos e vinhos”!