É
uma luta grande, esta de tentar reduzir a inadimplência no Brasil. Em levantamento
recente da Serasa, para o mês de março, a inadimplência nacional considerando
todos os serviços de água, energia, gás, telefonia, banco e cartão de crédito é
relativamente elevada: 50,5% dos brasileiros estão com uma ou mais pendências
em um destes prestadores de serviço. Indicador alto, muito preocupante não
somente para as pessoas que não conseguem quitar suas dívidas como também para
toda a economia que vê parte do pagamento das dívidas ser engolido por juros e
multas e, literalmente, reduzir o poder do consumidor.
O
Rio Grande do Norte não é um primeiro colocado neste ranking nacional, mas está
com uma média superior: em março/2026 o registro era de 51,3% de inadimplentes.
Ficar perto da média nacional não é nenhum mérito ou ponto de honra, muito
menos alguma vantagem a ser comemorada; há estados em situação bem mais
crítica, e os resultados de cada um deles acaba afetando todo a economia, inclusive
àqueles que pagam em dia suas contas: as empresas já colocam nas suas previsões
de preço o custo da inadimplência.
O
projeto Desenrola é uma tentativa de diminuir esta situação de inadimplência.
Toda alternativa é positiva, não há o que contestar; nestes casos em que o
dinheiro “é” do cidadão mas está parado no FGTS e ele não pode fazer nada,
realmente é bem melhor permitir sua utilização para pagar uma dívida e colocar
dinheiro novo no mercado. A esperança, sim, é deve ser tratada como esperança,
é que o beneficiário deste projeto possa encontrar formas de se reequilibrar e
evitar nova inadimplência.
E
aqui vale uma importante ressalva: estar devendo não é, em tese, nenhum problema.
Assumir uma dívida na compra de carro, um financiamento de um imóvel ou da
compra de um eletrodoméstico, por exemplo, é algo até natural e muito desejável
pelo mercado! O problema é quando a capacidade de endividamento é mal calculada
(ou às vezes nem mesmo pensada) e torna-se inadimplência: o que era uma solução
de melhoria de vida pessoal torna-se uma situação que às vezes pode ficar difícil
de controlar.
Nesta
semana foi a vez da Caern lançar seu programa de recuperação de dívidas. Não me
pareceu, na verdade, um indicador de inadimplência elevado, pois é da ordem de
7,1% para dívidas de curto prazo (faturas com menos de 12 meses de atraso).
O
valor não é muito elevado, considerando o faturamento da empresa mas, mesmo
assim R$ 44 milhões (que é o valor perseguido) ajudam em qualquer projeto de
expansão de suas atividades e prestação de serviços à população. Como toda
campanha de recuperação de créditos, há um bom desconto nas multas e juros (até
50%) e um longo prazo para pagamento (até 60 meses); faz parte.
Nestas
campanhas de pagamento minha torcida vai muito mais para o cidadão do que para
a empresa, ainda que seja uma empresa (e estatal) com importante ação social
como é o caso da Caern; mas é que o poder de negociação e de captação de recursos
no mercado é muito superior, muito mesmo, para estas empresas do que para o
cidadão comum, que não vê muita saída para pagar as contas e faz novo empréstimo
para pagar uma dívida, quando não adota a pior das ideias, a de pegar dinheiro
emprestado com agiota.
É
por isto que também nesta campanha da Caern torço para que haja um grande
número de clientes negociando suas dívidas e voltando à normalidade, pelo menos
em relação à algumas contas atrasadas.