sexta-feira, 24 de abril de 2026

O aporte ao Porto de Natal

 O Porto de Natal, como é conhecido (na verdade, é uma  empresa estatal, a Codern) divulgou seu balanço referente ao ano de 2025. Bons resultados apareceram enquanto outro menos bons também, tal como previsto. Do ponto de vista contábil o ano de 2025 apresentou um lucro, diferente do resultado de 2024, quando apontou o prejuízo. Isto é bom! Do ponto de vista da rentabilidade da atividade, isto é, a avaliação da receita das operações, os resultados positivos parecem estar mais mitigados: a receita líquida em 2025 foi de R$ 99,2 milhões, muito pouco acima da receita em 2024, de R$ 97,7 milhões e o lucro bruto no ano passado ficou em R$ 55,9 milhões, desta vez menor do que os R$ 59,1 milhões de 2024.

Apesar do incremento das exportações de frutas (comemorado no balanço), isto não foi suficiente para elevar sensivelmente as receitas, como se observa, mas é uma conquista que deve ser celebrada, afinal significa que pelo menos em um dos segmentos – as exportações de frutas frescas – o Porto de Natal está ampliando sua eficiência. Mas, infelizmente não é (nem foi) suficiente para ter melhor resultado com o lucro bruto, que ficou 5,4% menor no ano passado.

Há outros bons números que podem ser celebrados mas que não aparecem nesta contabilidade do ano passado. Um destes “bom número” advém de um fator negativo: é que há um atraso no pagamento de quase R$ 0,9 milhão referente ao arrendamento do terminal salineiro em Areia Branca, por parte da empresa vencedora do leilão. Se este pagamento tivesse sido quitado no tempo devido, teria produzido um resultado melhor na receita do Porto.

Outro excelente número, mas que não apareceu e 2025 e não há como predizer quando aparecerá, foi a vitória jurídica no STF sobre a imunidade da Codern em relação à tributos municipais (essencialmente ISS e IPTU), e que haviam sido pagos à Prefeitura de Natal. E esta conta é boa! O valor apurado, em março de 2025 quando encerrou-se a ação, foi de cerca de R$ 16,7 milhões! Imaginemos que houvesse a devolução desse valor no ano passado: isto representaria mais 18,5% no total na receita, valor muito expressivo e que permitiria avançar em alguns investimentos para aumentar a eficiência da empresa. Mas, como sabemos, a decisão judicial nestes casos não significa necessariamente rapidez no pagamento do débito; então, aguardar um (muito) provável parcelamento neste pagamento, para os próximos anos.

Outra informação interessante do balanço de 2025, mas projetada para o futuro, é que a Codern estima que em 2027 começará a receber valores do arrendamento da área para a atividade de exportação de minérios, resultado do leilão realizado recentemente. E, ainda como estimativa, em 2028 é que a operação começará de fato. Com isto, em 2028 teremos uma maior receita prevista, com o aluguel da área e as taxas de serviços da movimentação de cargas; o balanço não indicou uma estimativa mas, tratando-se de receita e entrada de caixa, todo valor ajudará nas contas do Porto de Natal!

De qualquer forma, nem estes resultados nem as novas operações indicadas serão suficientes para compor a necessidade de recursos para novos investimentos. Hoje, mais uma notícia de aplicação de R$ 60 milhões em dragagem e serviços para ampliar a capacidade do Porto. Para uma empresa que teve um faturamento anual de R$ 99,2 milhões, realizar um investimento de R$ 60 milhões exige necessariamente capital externo; como trata-se de uma empresa estatal, cabe ao Governo Federal aportar tais recursos. Este é um dilema (ou um fato) histórico: o Porto de Natal tem uma importante relevância para a economia do RN, mas sua geração de receita não é suficiente para grandes projetos, por isto vamos continuar a ler notícias sobre emendas parlamentares e projetos do Governo Federal quando o tema for obras estruturantes. Este roteiro já faz parte da história.

O desafio continua sendo a nossa condição quase monotemática do Porto. Praticamente são as mesmas mercadorias exportadas e importadas que se repetem ano a ano. Por um lado isto é bom, cria alguma especialização (como no caso das frutas) mas por outro lado é ruim, não abre muita perspectiva para novos clientes. O desafio não é simples. Apesar de tudo, continuo a defender o Porto de Natal e sua relevância para o RN. E é muito bom ver (como já vi em outras ocasiões) gestores com bons projetos e boas ideias. Particularmente, continuo na torcida!

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Vamos alugando

 O IBGE divulgou dados de pesquisa referente à ocupação de imóveis no Rio Grande do Norte para avaliar quantas pessoas moram em residência própria e em residência alugada. E o número surpreende, é algo impressionante! O Estado tem cerca de 800 mil pessoas que moram “de aluguel", posicionando-o entre um dos maiores do Nordeste/Brasil nesta avaliação.

Esta estatística já é suficientemente alarmante por si só, mas ainda mais impressionante quando revela que este número é quase o dobro comparada com a pesquisa realizada à 10 anos. E o que faz, no meu entendimento, ser alarmante? Do ponto de vista social isto significa que a população está tendo mais dificuldade ou menos acesso à moradia própria, e isto apesar de todas as linhas de crédito e de todos os programas sociais que inundaram o mercado com muitas casas, conjuntos e até mesmo os criativos conceitos de bairro organizado ou cidade inteligente (que entendo tratar-se de mero apelo comercial, de marketing).

Neste levantamento de 800 mil moradores no RN pagando aluguel mensalmente também revela que mesmo as gerações mais novas que foram entrando no mercado de trabalho nos últimos dez anos, apesar do maior acesso à educação (incluindo no ensino superior) e apesar da continuidade de uma situação social em que o casal trabalha e tem renda (diferentemente de antigamente, quando uma pessoa trabalhava e a outra ficava em casa – era uma realidade social bem diferente de hoje, felizmente!) ainda não há acumulação de renda suficiente para ter a tal da casa própria, incluindo por financiamento e linhas de crédito populares ou até mesmo subsídios.

Acho esta estatística ruim do ponto de vista social. Vale lembrar que estas 800 mil pessoas representam cerca de 25% da população do RN ou em outras palavras, se considerarmos apenas as pessoas acima de 16 anos (em idade de trabalhar, estatisticamente falando), acho que chegaremos a um terço dos nossos habitantes sem a oportunidade de ter sua casa.

Por outro lado, dirão alguns, do ponto de vista econômico tem uma grande quantidade de pessoas que está tendo uma renda extra na condição de investidor: compraram um imóvel como investimento, para viver ou ter uma renda sobre o capital aplicado; e isto é bom pois significa que estas pessoas estão tendo uma maior renda. E quantas são estas pessoas recebendo renda do capital aplicado (isto é um puro conceito do capitalismo, tão odiado por alguns e tão idolatrado por outros!): são 309 mil residências alugadas em 2025 e eram apenas 167 mil dez anos antes, ou seja, no último decênio apareceram 142 mil novas casas para aluguel e podemos pensar que 142 mil pessoas no RN tiveram um (bom) aumento de renda a ponto de ter sua casa própria e poder comprar outra, para “viver” de aluguel.

Em resumo, nesta dicotomia entre o lado negativo social e o lado positivo econômico, uma das conclusões é a constatação do aumento da diferença patrimonial e de renda entres os potiguares: em dez anos 142 mil pessoas ficaram mais ricas (muito ou pouco), pois compraram novo imóvel para alugar, enquanto outras 284 mil pessoas (considerando uma média de 2 pessoas por residência) não conseguiram juntar dinheiro nem ter acesso à crédito ou subsídios governamentais para poder comprar sua casa, ainda que financiada em longos 30 anos.

Em outras palavras, em uma definição curta: há alguma desigualdade social. Mas, com ressalvas nesta desigualdade: por si só não possível dizer que ela se agravou para todos, pois temos 142 mil pessoas com nova renda (os proprietários) e talvez tenhamos (os locadores) muitas pessoas que moravam em habitações precárias e conseguiram sair de uma situação social lamentável para conseguir ter a possibilidade de morar naquilo que pode ser chamado verdadeiramente de casa ou de apartamento.

Não como ser taxativo nem extremista na crítica ou na comemoração dos números; exceto se avaliarmos que é preciso entender qual o melhor caminho para que o tal “sonho da casa própria” possa tornar-se realidade e, preferencialmente, de forma rápida, a curto prazo, sem termos que esperar a nova pesquisa do IBGE no ano de 2036.


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Um gol do Idema. E na Alemanha

 

O Idema marcou um belíssimo gol na Alemanha nesta semana ao anunciar a Licença Prévia para implantação de um projeto de hidrogênio no Rio Grande do Norte, o primeiro licenciamento comercial no Estado (o licenciamento anterior, da Mizu, é de pequeno porte, experimental, como já comentei aqui).

Este projeto licenciado é bastante promissor, visto o anúncio de investimentos de R$ 12 bilhões na construção da planta que será localizada em Areia Branca, na praia Morro Pintado. Será um projeto integrado com uma usina de energia solar e outra de energia fotovoltaica, visto que para produzir hidrogênio há uma necessidade de grande volume de energia (e quando há referência  ao hidrogênio “verde” deve-se ao fato que a energia utilizada será de fonte renovável).

A Licença foi amplamente divulgada durante a feira de Hanover (Alemanha), a maior feira industrial do mundo e reuniu diversos representantes das empresas interessadas além, claro, da presença do diretor do Idema Werner Farkatt (que foi o único representante do Governo neste momento simbólico); acho que deve ter sido a primeira vez que uma licença ambiental do RN foi apresentada neste estilo formal em um evento internacional.

A empresa beneficiária da Licença é a Brazil Green Energy, representada por seu Diretor-Presidente Fernando Vilela, que já esteve sob holofotes em 2022 (ou 2023) quando liderava a empresa Maturati Participações e apresentou este projeto ao Governo do Estado, desta vez em Portugal. De lá para cá, como se vê, mudou a empresa (talvez seja um mesmo grupo empresarial visto que o Diretor-Presidente tem outros projetos no Brasil) e mudou também o perfil dos investidores, que foram anunciados: Deutsche Bahn, Andritz, ThyssenKrupp Uhde, Siemens, Green Investor e DLA Piper. Não conheço todos eles nem sou especialista em empresas germânicas, mas ThyssenKrupp e Siemens são nomes globais com referências em grandes investimentos em muitos países e também sempre citados em assuntos diferentes.

A participação destes grandes investidores assegura maior possibilidade de início das obras em um menor espaço de tempo.

É claro que somente com a Licença Prévia nenhuma obra poderá ser iniciada pois esta licença apenas permite dizer sobre a possibilidade do projeto no local escolhido pelo investidor e, em complemento, apresenta os condicionantes para o início da obra.

Somente veremos, portanto, a movimentação em canteiros de obras quando for anunciada a Licença de Instalação. Não há, necessariamente, imposição para início das obras visto que deverá obedecer aos condicionantes impostos pelo Idema mas, pode-se esperar que nos próximos 24 meses já tenhamos o lançamento da “pedra fundamental”, aquela solenidade que reúne investidores, poder público e imprensa para marcar o início das obras de construção civil. Certamente quando isto acontecer saberemos todos, haverá grande divulgação.

Não sei se a Maturati Participações, aquela que anunciou o projeto anos atrás, estará no projeto do hidrogênio ou da construção das usinas eólica e fotovoltaica; salvo engano, a empresa tinha alguma participação de capital português, o que agregaria ainda mais a presença de investimentos internacionais no RN.

Agora é hora de fazer a contagem regressiva, em duas etapas: da Licença de Instalação e depois da Licença de Operação. Teremos que ter paciência e ver o tempo passar, como acontece para estes grandes projetos.

O Idema ainda terá mais dois gols para marcar; por enquanto o placar está 1x0 para o Idema, lá na Alemanha. Não é nada, não é nada, mas pode ser a esperança de ver um dia este jogo do hidrogênio começar.

terça-feira, 21 de abril de 2026

O prompt, meu melhor amigo imaginário

 Estamos na era das inteligências artificiais, ou simplesmente na era das IA. Não sabemos, ainda, quanto tempo isto durará e nem mesmo qual será a próxima fase: qual será a próxima evolução significativa, ou melhor, qual evolução disruptiva enfrentaremos. Não se trata de ser alarmista nem preconizar o fim do mundo ou a dominação das máquinas, dos robôs humanoides que se intensificam no dia a dia (aliás, nesta semana tivemos dois corredores-robôs, um que quase bateu o recorde dos 100m e outro que bateu o recorde da meia-maratona; e ambos chineses), mas daqui a uns dez anos o mundo será outro, e alguns sofrerão mais do que outros e outros terão mais lucro do que alguns.

Essas quebras de paradigmas não são novidades no nosso mundo, inclusive aqui no RN: a globalização é, se é que se pode dizer, cada vez mais acelerada e as novidades do mundo moderno-rico-tecnológico chegam aqui quase em tempo real ou se preferir, on line. Não precisamos voltar tanto no tempo para buscar a Revolução Industrial, basta a gente se lembrar do que foi a introdução dos computadores pessoais, da internet, dos celulares modernos etc. as coisas foram mudando e nós fomos nos adaptando, necessariamente nos adaptando.

Agora, depois que o ChatGPT popularizou a IA, estamos nesta mesma fase destas três mudanças que mencionei: mais cedo ou mais tarde todo mundo utilizará a IA e para os mais teimosos e resistentes, nem se preocupe, a IA mudará suas vidas. Necessariamente não será a mesma.

Precisamos nos adaptar, principalmente as gerações mais novas que conviverão mais tempo neste mundo ultramoderno e que assegurarão as condições socioeconômicas. É por isto que entendo que o papel da educação é essencial neste momento de transição e de adaptação; e vale para a educação informal, ou seja, cada um buscando aprender com tirar (bom) proveito da IA assim como para a educação formal, nas escolas e no ensino superior.

Nos últimos 5-10 vimos muitas escolas (principalmente particulares) mudar seu perfil de oferta de serviços para captar clientes, os estudantes e seus pais: tivemos a onda de cursos de robótica como peça de propaganda fundamental assim como tivemos a onda do ensino bilingue, na mesma proporção. Era (e é) uma forma de adaptar-se à modernidade, mas com uma lição subliminar que talvez os pais não tenham participado totalmente: os filhos devem ter noção de informática/robótica tanto quanto dominar um segundo idioma, mostrando às gerações antigas que aprender a tal da tabuada ou a conjugação de um verbo no particípio passado já está devidamente superado; e mais, que o tal do decoreba vem perdendo espaço para quem quer progredir socioeconomicamente.

Ainda não vi as propagandas de escolas e de universidades/faculdades sobre o aprendizado de IA. Certamente não é hora das propagandas escolares, tudo acontece no final do ano quando há intensa busca por manutenção e captação de novos clientes. No ensino superior ainda faltam pelo menos duas coisas: normatizar o uso da IA nos trabalhos acadêmicos e normalizar o uso da IA nas atividades acadêmicas.

Normatizar é necessário para que fazer uma atividade ou elaborar uma apresentação não se resuma a um único comando, o tal do prompt, e esperar a resposta da IA. Normalizar para entender que a IA é um potente instrumento que permite maior e melhor aprendizado, mas pedagogicamente tratado e abordado em sala de aula, nada de aventuras descontroladas.

Estamos na era do prompt, aquele comando personalizado ou profissionalizado que mandamos para a IA para que ela nos responda do jeito que pensamos ou do jeito que gostaríamos de ler a resposta. Se a IA fosse um profissional de mercado e tivesse que se registrar nos conselhos profissionais, acabaria colecionando muitas carteiras profissionais, da Psicologia à Engenharia, sem esquecer a Advocacia, a Arquitetura, a Contabilidade etc.

Por isto devemos estar prontos... para os prompts. Não vamos escapar deles e deveríamos aprender, nas escolas e nas universidades, como utilizá-los de forma eficiente e produtiva. São os nossos melhores amigos e atualmente nossos melhores amigos imaginários; por enquanto, até o primeiro robô humanoide “competir” com o espaço (físico e, quem sabe, emocional) dos animais de estimação, os pets.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Quanto custa o futebol potiguar?

 

Essa é uma pergunta que me faço de vez em quando, principalmente quando vejo os principais times potiguares passando por dificuldades em escalar os campeonatos regionais/nacionais e obtendo resultados ruins contra times de outros estados que, entre nós, não estão na lista dos “mais conhecidos”. É bem verdade que chegara até lá, perder (muito) espaço no cenário nacional ou até mesmo regional não acontece, e nem aconteceu, da noite para o dia, é um verdadeiro processo que vai ampliando as perdas com o passar dos jogos e entrando em uma espiral negativa, daquelas em que há menos dinheiro para os times, há menos jogadores de elite, há piores resultados e consequentemente menos renda e por isto menos dinheiro e... tudo isto recomeça.

Nosso futebol potiguar nunca fez parte da elite nacional, mas conseguia algum destaque e alguns bons resultados nos eventos regionais. Tinha certa visibilidade e conseguir até reunir um bom público de torcedores nos jogos presenciais. Hoje, no entanto, tenho a impressão que quem frequenta os jogos do ABC ou do América – para ficar nos dois maiores times potiguares, com mais títulos e mais torcidas – são aqueles que fazem parte das chamadas “torcidas organizadas”, os verdadeiros fãs dos times (apesar da má fase) ou aqueles que recebem ingressos de cortesia ou têm uma boa redução na compra do ingresso; aliás, falando em ingresso, na semana passada o comentário de alguns que gostam do futebol potiguar é que estavam sendo oferecidos 200 ingressos gratuitamente para quem quisesse ir para a Paraíba assistir ao jogo (não sei se deu algum resultado, mas oferecer ingresso grátis não é um bom sinal para garantir público constantemente, seja no futebol, no cinema, no teatro etc., uma hora até este público se cansa destas ofertas).

Quanto será que vale o futebol potiguar? Acho até que esta pergunta seria melhor recebida pelos torcedores que todos os dias estão discutindo se houve pênalti, quem deveria ter entrado no primeiro tempo, quem deveria ter batido aquela falta e todos aqueles assuntos repetitivos de quem não se cansa de falar de sua equipe. Para quem não é tão adepto assim do tema, a conversa recebe menos participação.

O futebol potiguar tem um valor monetário e econômico e, claro, um valor humano e social que não pode ser medido em reais ou em dinheiro. Aqui, a pergunta está restrita ao aspecto econômico e financeiro: qual é o valor do patrimônio potiguar em termos de futebol?

E, para não abandonar a pergunta do título, quanto custa o nosso futebol? Os times recebem patrocínios privados e muito dinheiro público (loteria, acho que é o principal), além do investimento público nos dias de jogos e até mesmo na manutenção do Arenão, o tal Arena das Dunas (lembrando que foi uma PPP, ou seja, o Governo do Estado não ganhou o estádio, mas está – ainda – pagando por ele).

Comparar quanto vale com quanto custa não tem a finalidade de fazer a contabilidade de uma empresa privada, comparar o caixa da entrada e da saída e se houver prejuízo, encerrar o negócio. Mas, acho que é válido conhecer estes dois indicadores, de forma técnica, sem paixão e muito menos sem achar que é uma motivação para deixar os times de futebol à míngua. Vale lembrar que algumas atividades tais lazer, cultura e esporte sempre receberam muitos recursos públicos visto que na imensa maioria das vezes não há uma rentabilidade financeira, o resultado positivo mede-se de outra forma; a régua não é a mesma, mas precisa ter uma régua, uma medição, até para compreender melhor como as coisas acontecem.

Infelizmente faz muito tempo que não vou ao estádio, assim como fui poucas vezes ao longo de minha vida. Gosto de futebol, mas prefiro o conforto de assistir na TV, e respeito quem prefere ir ao estádio e argumentar que a emoção é bem diferente, muito maior. Como disse, prefiro a TV e ainda acho que o valor do ingresso é, proporcionalmente, elevado: parece que realizar um jogo de futebol custa caro.


domingo, 19 de abril de 2026

Kokushobi, onde? Em Mossoró, Pau dos Ferros etc.

 

Este nome japonês ainda é meio esquisito mas, apenas por enquanto. Kokushobi foi o termo que o Japão resolveu criar nesta sexta-feira para designar o calor extremo, quando a temperatura ultrapassar os 40 graus naquele país. A escolha do nome, que foi objeto de uma consulta pública com mais de 400 mil participantes, entrou na rota da agência japonesa de meteorologia para servir de alerta à população local, com a chegada de uma (forte) onda de calor que demanda maiores cuidados da população; vale lembrar que o Japão é um país que tem uma das maiores quantidade de idosos e, em geral, é o público que mais sofre com o calor excessivo e que sofre bastante com a desidratação (em períodos de forte calor o índice de mortes aumenta).

Embora os 40 graus não sejam incomuns em muitos países, principalmente aqueles do Oriente Médio e em áreas desérticas, para o Japão é algo bem raro: desde 1927, quando começaram as medições de temperatura por lá, o recorde nacional foi de 41,8º. É muito, sem dúvida, e provoca uma sensação muito incômoda para quem precisa estar nas ruas ou para quem trabalha externo, nas cidades ou nos campos.

O alerta mais importante também afeta a todo mundo, inclusive aqui no Brasil e no RN. E não é pelo fato de que em Mossoró ou Pau dos Ferros, apenas para citar as cidades mais referenciadas em termos de calor, isto não seja necessariamente uma novidade. Mas, é que em um país onde os 40º de temperatura são raros, significa que o aquecimento global é fato e está se agravando em todo o mundo (mas, deixo de lado as discussões sobre as causas, visto que os debates são algumas vezes acalorados).

Aqui no Brasil no distante 1955 um filme fez muito sucesso, o “Rio 40º graus” que acabou criando uma expressão popular e foi até tema de música de Fernanda Abreu, no ano de 1992. De 1955 ou 1992 para cá, e você pode escolher a sua referência, inegavelmente a temperatura média do Rio e do Brasil aumentou, principalmente nas cidades, mas também no campo onde as culturas agrícolas passaram por muitas adaptações.  Não precisamos ser necessariamente ambientalistas integralistas ou ecochatos para percebermos que estamos em uma fase de transição que exige mais cuidados com o meio ambiente, e esta inquietação não começou por causa da COP-30 no Brasil, afinal a Rio-92 já nos alertava sobre o tema.

E além do alerta japonês com o kokushobi (que não vai demorar muito será objeto de piadas, memes e trocadilhos) destinado à sua população, temos que tomar a lição de que os períodos de calor excessivo também significam cuidados médicos/de saúde adicionais para crianças e idosos nos lares mas também nas escolas, hospitais, postos de saúde etc., ou seja, em locais que recebem com mais frequência estes públicos: poderiam os poderes públicos monitoram estas evoluções de temperatura para adotar protocolos de maior atenção, principalmente para evitar a desidratação que, como sabemos, em casos extremos podem provocar até mesmo a morte (aliás, na Europa é nos verões mais quentes que ocorre o maior número de morte de idosos e de superidosos).

Estamos no outono e por isto a previsão para a última semana de abril é de calor “acima da média” no Brasil que não deverá chegar aos 40º, assim como no RN não deverá ultrapassar os 33º (apesar da sensação térmica superior aos 36º). Ainda teremos, portanto, o inverno e a primavera para pensarmos em protocolos de saúde e cuidados para o verão de quarenta graus.

Kokushobi lá ou aqui, para o meio ambiente e a saúde a prevenção é uma boa atitude.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Argentina 2 X Portugal 1

 


Não é um placar de jogo de futebol, mas um outro placar que, por sinal, está incompleto, não deu para encaixar o Uruguai; seria então, se fosse possível, Argentina 2 x Uruguai 1 X Portugal 1.

E o que significa tudo isto? Traduzindo, é a quantidade de voos internacionais novos do RN anunciados nas últimas semanas, se eu não tiver me enganado: abrimos 2 voos diretos semanais para Buenos Aires, 1 para Montevidéu e 1 outro para Lisboa. Isto, tudo indicado, seguindo as notícias que enalteceram o crescimento do turismo internacional neste início de ano e o impactante crescimento em relação à 2025, mudou a nossa realidade e passamos a ser destaque nacional em termos de crescimento percentual. Muito bom, isto. Quanto ao crescimento percentual bastante elevado, duas notas. A primeira delas é que estávamos com um baixo indicador de turistas estrangeiros chegando em Natal (diretamente de seu destino) e, como todo voo que chega terá que partir de volta, também significa que estávamos com baixa demanda de clientes do RN para viagens ao exterior; tudo isto era em 2025, mas agora mudou expressivamente, diz a matemática dos números.

Outra anotação importante é o foco, o direcionamento para o tal do mercado emissor, a origem dos turistas que visitam o RN, com uma mudança bastante sensível. Durante anos o marketing do turismo internacional no RN tinha como foco os voos para/da Europa com suas linhas regulares mas também muitos voos fretados – os charters – com várias origens e destinos. Lembro-me de voos com foco na Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda e, pelo menos em relação à empresa, a Air Lauda (acho o nome esta este), a Áustria. Era o tempo em que víamos muitos europeus em Natal e em Pipa, que passaram a comprar muitas unidades habitacionais por lá.

Agora, ou melhor, há alguns anos estamos mais voltados para receber turistas do nosso Continente, apesar da manutenção dos voos da TAP. É claro, são todos bem vindos, independentemente da origem, nenhum privilégio a ser concedido para quem vem da Argentina, Uruguai ou Portugal e Europa, até pelo fato de que os setores beneficiados que dependem do turismo têm uma preferência maior por aqueles que aqui gastam mais, sem preferência de nacionalidade; aliás, no mundo inteiro é assim e há sempre pesquisas que mostram quais são aqueles que mais gastam quando visitam uma cidade ou país.

Não consegui dimensionar se este grande impulso no turismo internacional neste ano, que foi mais do que o dobro em relação ao primeiro trimestre do ano passado, teve alguma intensidade da iniciativa privada: de um lado com as empresas aéreas que viram uma oportunidade para inaugurar ou ampliar as rotas com voos diretos ou com a Zurich Airport que pode ter contribuído com os estudos de mercado e, de forma conjunta, na participação de feiras internacionais de turismo; e de outro lado, as missões internacionais e a divulgação do RN em feiras e eventos na Argentina, em Portugal e no Uruguai. Pode ter sido também o conjunto de ações, uma iniciativa com participação mais ampla.

É interessante, acho, avaliar o fato gerador deste incremento do turismo internacional em 2026, compreender se a dinâmica das feiras (e quais delas) foi mais ou menos efetiva do que a dinâmica do marketing ou se o papel de algum agente de turismo (empresa aérea, agência de viagem etc.) foi fundamental para o resultado propagado; em outras palavras, conhecendo o fator motivacional, investir ainda mais nesta estratégia para que os bons números do turismo internacional ultrapassem alguma eventual sazonalidade estatística.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Cervejas artesanais continuam a brindar?

 

Houve um tempo, não tão distante assim, que a ideia de cervejas artesanais passou a ser moda aqui no RN, sempre que aparecia uma marca ou um local novo a mídia noticiava o novo empreendedorismo e anunciava a consolidação deste mercado, pelo menos no RN. Depois, salvo engano, as notícias diminuíram – ou eu parei de prestar atenção no tema.

Lembro até do “passaporte” que foi criado para carimbar todas as vezes que alguém fosse em uma destas cervejarias. Não sei se continua a ideia, até me interessei em conhecer o tal passaporte mas, como não tenho muito hábito de beber acabei me esquecendo de passar em uma destas cervejarias.

Em 2019, estava meio na moda a ideia, conheci uma marca que me chamou muita atenção pela ousadia (positiva) da ideia e também pelo local de fabricação: a Elétrica, lá de Pau dos Ferros. Estive naquela época na cidade e até comprei a cerveja, conheci uma pessoa proprietária e fiquei bem animado com a proposta, além de torcer pelo sucesso empresarial. Como toda cerveja artesanal – parece que é uma regra de mercado – o preço de venda é bem superior às cervejas tradicionais mas, como bem ressaltam, é outro processo de produção, outro tipo de investimento e outro tipo de marketing, que seleciona também pelo consumidor que está disposto a pagar mais caro. Mais ou menos nesta época, antes da pandemia, em Mossoró conheci duas outras marcas de cerveja artesanal e, infelizmente, esqueci o nome de uma delas... Mas, a Bacurim tive a oportunidade de ir à fábrica que é um conjunto de indústria, bar/restaurante e loja com souvenirs da marca. Até participei de uma degustação para prestigiar a marca local.

Anos depois encontrei estas marcas aqui em Natal com muito mais facilidade, inclusive no supermercado Nordestão. Mas, não sei se ainda continuam em venda.

Já comentei aqui, há muito tempo, sobre este assunto e hoje retomo depois de ter visto uma notícia em um país europeu sobre a diminuição do consumo de bebidas alcoólicas por parte dos jovens, e isto para todas elas, das cervejas aos vinhos. As gerações “saúde” e “super saúde” estão consumindo mais produtos/serviços saudáveis do que antigamente, gastando mais com academia, bebidas sem álcool, alimentos menos gordurosos etc. Esta mudança de hábito tem afetado o perfil de consumo em todo o mundo.

Voltando às cervejas artesanais potiguares, preciso me atualizar! E aproveitar um destes finais de semana para percorrer algumas delas, para conhecer melhor e aprender sobre a evolução do mercado. Por puro prazer de conhecer as iniciativas de empreendedorismo no RN. Não me lembro se comentei anteriormente sobre o tema, mas talvez uma ideia de valorização ou de revalorização da proposta possa ser a ideia de um festival ou evento que possa atrair também os turistas.

Recentemente uma das marcas bastante presente em eventos no Centro de Convenções é a Oktos, a cerveja (artesanal?) produzida sob as bençãos do ar marinho, logo ali na via Costeira, e que ganhou grande oportunidade de crescimento por ter obtido incentivos do Governo Estadual com o Proedi, com redução de 75% de seu ICMS; esta possibilidade já vale um brinde para a empresa!

E não seria ruim se este “brinde” pudesse estender-se a outros produtores locais, começando com a Elétrica e a Bacurim, as duas marcas que conheci a tempos e que achei muito interessante o projeto (e até hoje tenho um souvenir com a marca destas empresas).

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Tecnologia para idosos

 

Não, não é uma proposta de autobeneficiamento, mas sim uma nova Lei estadual, a 12.694, que foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado e que criou o “Programa estadual de capacitação em tecnologias para pessoas idosas”, como está formalmente identificada, com foco nas pessoas com 60 anos ou mais. Ideia interessante, ainda que um pouco difícil de implementar em algumas cidades e localidades, partindo da premissa de que quanto mais distante do acesso às tecnologias – essencialmente a internet – maior é também o distanciamento da população idosa dos benefícios da tecnologia e, consequentemente, maior será o esforço necessário para criar tantas capacitações para tantos grupos de pessoas.

Não é, claro, um prenúncio pessimista de que não dará certo! Nem nada contra a ideia, mas um alerta, se é que posso assim me expressar sem contrariar qualquer pessoa (idosa ou não), da necessidade de uma estratégia bem focada nos resultados esperados, partindo naturalmente de uma abordagem ancorada na andragogia, desde que devidamente aplicada (de forma prática) com os cursos, treinamentos etc.

O desafio tecnológico é extenso, mas não acho que para o contexto básico esteja se acentuando. Primeiramente, o que chamo de “contexto básico” é a situação atual em que muitas pessoas idosas são usuárias de tecnologias e de internet via celular, muitas vezes por uma questão de necessidade e muitas vezes, também, para utilizações mais simplificadas, do uso de aplicativos, acessos à páginas de internet, às redes sociais etc. E este “contexto básico” é bastante diferente do que foi há cerca de duas décadas quando se conceituou uma categoria de trabalhadores que encontrávamos com grande facilidade nas agências bancárias, as “amarelhinhas” (é que geralmente era mais um púbico feminino), aquelas pessoas que estavam com um colete e que ficavam na fila dos caixas eletrônicos ensinando – literalmente – como utilizar aquela tecnologia e explicando que muita coisa seria feita ali, sem precisar ir ao caixa. Hoje, como sabemos, não temos mais esta situação, a dificuldade com os caixas eletrônicos é muito baixa e a automação tecnológica migrou do caixa eletrônico para os celulares.

A extensão do desafio, nestes casos, é promover a assimilação da informação tecnológica que estará desprovida de um acompanhamento de proximidade e que sofre muito com interferências externas. Isto significa que as pessoas idosas aprenderão os usos e voltarão para casa e quando houver alguma dúvida quem estará por perto não será a pessoa instrutora, mas a/o filha/o, sobrinha/o, neta/o etc. que tendem a ser mais digitais e que ajudarão com o problema; ou seja, será exatamente como o que acontece agora.

Por outro lado, as inovações tecnológicas na internet são tão rápidas e intensas que quando a gente se “acostuma” com um procedimento lá vem uma novidade, uma nova tela, um novo comando, uma nova exigência etc.; e, para a gente lembrar de exemplos, temos a confirmação de senhas em duas etapas, as mudanças de acesso, o reconhecimento facial e mais intensamente a biometria facial. Tudo isto é inovação e não há como evitá-la.

Atualmente, e vale para qualquer idade, um grande problema de quem usa tecnologia são os golpes eletrônicos, as mensagens enganadoras (phishing), as compras eletrônicas inexistentes, para citar algumas delas. Este é um foco importante para os 60+, mas não o único.

Há muito espaço e muita oportunidade de inserção das pessoas idosas, como diz a Lei nova, nestas novidades tecnológicas. E sempre haverá, não temos como deixar de seguir este mundo tão real que é o mundo virtual da tecnologia. Lá se foram os amarelinhos que ajudavam pontualmente em uma situação bem específica, dos bancos. Agora, são os app ou os tutoriais, disponíveis 24h para todos. Basta escolher, tal qual um self-service: digerir, usufruir e depois perceber que em breve haverá outra novidade, e lá iremos todos retornar ao self servisse dos app ou tutoriais, até que a tecnologia lance suas novidades, com formatos e nomes novos para a gente aprender e reaprender; sejamos 60+ ou 60-.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Academias e a GTT

 


Antigamente a gente utilizava a expressão “febre” quando alguma coisa estava muito intensa e, se ainda mais intensa, a gente utilizada “pandemia” mas, acho que depois do Covid-19 tenho certeza que aparecerá alguém “do contra” para criticar o uso destas expressões, ainda que seja no sentido figurativo, e até mesmo de forma positiva. De qualquer forma, vou aqui me arriscar.

Tudo para tratar da febre das academias, no Brasil e claro, aqui no nosso RN. Quando a gente começa a andar pela cidade, aqui em Natal, tem a impressão que toda semana alguma nova academia é aberta, quem alguém resolve inaugurar um novo espaço, e alguns deles bastante chamativos, com uma fachada bem visível, com um estacionamento atrativo etc; há outras mais simples, aquelas que são chamadas de academia de bairro, menores, com fachada mais discreta e que atende ao público que mora na rua, no quarteirão do lado ou não muito longe, que se desloca a pé, nem utiliza o carro.

Este mercado é bem eclético e tem opções para todos os gostos, digo, para todos os bolsos, aqueles que carregam um cartão de crédito ou um limite de PIX mais recheado assim como aqueles que pesam menos nas despesas pessoais. Não sou adepto da ideia (mas já adianto, não tenho nada contra), mas já ouvi falar de academias que cobram mensalidades de R$ 80 assim como outras que chegam aos R$ 300. Nenhuma discrepância, é igual restaurante, tem os famosos PF e aqueles à la carte com preços bem elevados. Mas, o que me impressiona com as academias é a quantidade de estabelecimentos que surgiram nos últimos anos, uma febre que contagiou muita, mas muita gente mesmo e que seguiu a mesma tendência das corridas de rua: tem para todo gosto e é bem fácil de achar uma que se enquadra no desejo de cada um.

Fazendo uma pesquisa genérica não conseguir saber quantas academias existem em Natal. E há uma boa explicação para chegar ao número correto: é que algumas delas, aquelas menores, muitas vezes não estão registradas com CNPJ, ou seja, burocraticamente não existem mas na prática estão lá, abrindo as portas às 5 ou 6 da manhã todos os dias.

De qualquer forma, consultei uma IA e a resposta foi que em Natal haveria cerca de 180 academias (formais, com CNPJ) e em Mossoró cerca de 70 e até mesmo na menor cidade do RN, Viçosa, com menos de 2 mil habitantes, tem uma delas, que está no título do texto: Academia GTT. Não tive muita curiosidade para pesquisar o significado do GTT, mas achei muito interessante que na menor cidade do Estado haja espaço (leia-se mercado) para uma academia. Realmente, é um “febre” contagiosa e intensa!

E será que haverá um limite para esta expansão? Algumas notícias nos fazem acreditar que as canetas emagrecedoras já mudaram o perfil de consumo nos restaurantes e nos supermercados, tamanha foi a adesão no Brasil inteiro. Mas, não sei se neste caso atingiria as academias, e por dois motivos. O primeiro é que muita gente que aderiu às canetas passa longe de academia e a segunda é que a academia não é apenas um lugar para prática de exercícios e de cuidados de saúde, é também um lugar de atividade social, para integração ou, como apontam alguns críticos de forma irônica, de desintegração, com o fim de relacionamentos. Sem dúvida, excluindo as brincadeiras, academia também é um lugar para estar “presente” e ser “visto”.

O fato é que as academias estão contribuindo muito para os empregos ditos invisíveis ou os subempregos com a contratação de treinadores pessoais (personal trainer), remunerados por hora/atendimento, mas sem carteira assinada. E isto ajuda para a queda do desemprego visto que formalmente não estão à procura de emprego; é igualzinho ao efeito do Uber, IFood etc.

Ainda acho que há espaço para crescimento e expansão de academias. Algum limite? Talvez um, para Natal: o dia em que o antigo prédio da UNP, na av. eng. Roberto Freire, tornar-se uma academia, daquelas gigantescas, pois o prédio é bem grande e tem muito estacionamento. Acho que se isto acontecer até eu iria lá! Para conhecer, certamente, somente por curiosidade, mera curiosidade.

sábado, 11 de abril de 2026

O vinho do RN. Quando terá o “s”?

 


A cacofonia não foi das melhores, “o vinho”, mas é que por enquanto ainda estamos assim mesmo, no singular, e por isto a pergunta, de quando teremos o “s”, ou seja, quando é que poderemos dizer “os vinhos” do RN? Não sei, não vi mais notícias novas sobre a produção de vinho.

Recapitulando, em São José do Mipibu já há alguns bons anos foi anunciando um grande projeto de plantação de uvas para a produção de vinho, projeto que teve vários apoios, inclusive financeiro de órgãos públicos para que pudesse alcançar seus objetivos. Quem é da cidade ou acompanhou o noticiário lembrará da Casa 7 Evas, este o nome oficial da empresa. Neste ano vi uma notícia mais animadora sobre a possibilidade de sair um rótulo de vinho, com a visita de estudantes da cidade à sede da empresa que, aliás, pelo que mostram as fotos, já está produzindo uvas; um bom sinal, quero dizer, pelo menos a matéria-prima já rendeu frutos (não foi uma cacofonia, mas como hoje é sábado, me permitam o trocadilho).

Recapitulando, novamente, mas agora em um tempo bem mais curto, em julho do ano passado foi anunciado com pompa e circunstância o primeiro rótulo oficial de vinho do RN, o tal Serra de Martins que, como indica seu nome, produzido em Martins, região de serras e com um clima mais ameno. O vinho foi lançado em alguns eventos mas, infelizmente não consegui achar para venda nos estandes das feiras que participei. Não sou nem conhecedor e nem mesmo um adepto de vinhos e bebidas alcóolicas, mas gostaria de ter comprado uma garrafa para prestigiar nossa produção local. Soube que o preço era mais elevado do que vários rótulos que encontramos nos supermercados, inclusive com vinhos importados (o custo de logística, em tese, bem maio), em torno dos R$ 60-80, mas compraria, como investimento-retorno ao empreendedorismo potiguar.

Para o Serra de Martins, de acordo com as notícias divulgadas ano passado, a produção local ficaria em torno de 1.000 litros, o que daria cerca de 1.300 garrafas. Multiplicando esta produção estimada com um preço médio como acima indicado, e se considerarmos que todas as vendas seriam exclusivamente realizadas pela própria vinícola, a receita anual seria em torno de R$ 90 mil, ou uma receita média mensal de R$ 7.500,00. Pouco, muito pouco, para manter a atividade. Neste patamar o investimento será pouco rentável, por isto espero que tenha sido apenas a primeira safra, experimental.

Em conversa informal, alguém comentou que haveria uma terceira tentativa de produção de vinho potiguar, na região de Jaçanã, também uma átrea com clima mais ameno e que vem ganhando notoriedade com o plantio e o beneficiamento de café (o tal do Café Jaçanã). Achei muito interessante a ideia, mas não conseguir ter mais informações.

Começamos 2026 com um vinho potiguar e pode-se estimar que tenhamos a segunda safra do Serra do Martins no mês de julho e ficar na torcida para que a Casa 7 Evas registre no mercado o segundo rótulo potiguar.

O mercado de vinhos, aqui no RN, é bem curioso, como já comentei alguma vez, pois passamos a ter vários especialistas em vinhos, uvas e os famosos terroirs (assim mesmo, em francês, mais elegante fica). Poderíamos ter algum sistema de avaliação da nossa safra para incentivar o consumo local, buscar os influenciadores para opinar sobre as garrafas e seus conteúdos. Pode ser um bom canal de divulgação.

E pode até ser otimismo exagerado ou um otimismo muito exagerado mas, como temos muitos produtores de queijo, quem sabe teríamos um “Festival potiguar de queijos e vinhos”? Teríamos poucas variedades de vinhos, tal como de queijos, mas teríamos muita diversidade de opiniões. E, espero, que o empreendedorismo local persista neste mercado que alcança valores espetaculares. Um brinde ao “Festival potiguar de queijos e vinhos”!

sexta-feira, 10 de abril de 2026

República Dominicana

 A República Dominicana é um país da América Central que ocupa uma área um pouco menor do que a do Rio Grande do Norte (cerca de 10% a menos) mas com uma população bem maior, cerca de 11 milhões de habitantes (quase 4 vezes mais do que o RN). Não é um país que aparece muito nas relações com o RN embora, pessoalmente, já ouvia falar dele há muito tempo, meu pai realizou um trabalho (vinculado à Igreja católica) lá pelos idos dos anos 1960, se não me engano.

Mas, agora a República Dominicana aparece de forma mais destacada e coletiva na relação comercial com o RN, mais especialmente por ter sido o sétimo destino de nossas vendas externas neste primeiro trimestre de 2026. É claro que a sétima colocação em um ranking não geraria muitos motivos de valorização ou de destaque mas é que neste caso, o país superou os Estados Unidos como destino de nossas exportações. Quem diria! Neste ano já vendemos para o país da América Central US 15,6 milhões enquanto para os Estados Unidos foram US 15,0 milhões, uma diferença pequena mas que coloca a República Dominicana à frente.

Ultimamente algumas notícias sobre o comércio exterior do RN ganharam uma forma criativa de apresentar os números, mas não sei se esta notícia, do parágrafo anterior, mereceu o devido destaque. Acho que não. Talvez o destaque tenha sido o Canadá, o nosso principal parceiro do ano, com vendas para lá da ordem de US 69,9 milhões, mais do que o dobro do que a República Dominicana e os Estados Unidos somados.

Será que isto fará o Canadá um mercado promissor para que as empresas potiguares possam reorientar suas estratégias? Não, certamente não; explico. Dos US 69,9 milhões um único item ficou com quase tudo, o ouro (US 67,0 milhões) e o restante ficou distribuído com outros 8 produtos, dos quais o mais relevante foi a melancia (US 0,8 milhão). Acho que o Canadá não entrará, como se dizia antigamente, “no radar” (hoje não deveria ser dito, visto que o termo remete à práticas belicosas, e com tantas guerras acontecendo melhor encontrar outro termo).

Então, será a República Dominicana nosso novo promissor parceiro? Não, também não. Dos US 15,6 milhões, estão US 11,8 em petróleo e US 3,6 em nafta e depois disto, lá atrás, bem atrás, temos US 0,2 milhão em sal. Aliás, até para os Estados Unidos não tá fácil também, US 7,4 milhões das vendas para lá ficaram com estes dois itens da indústria petroquímica.

Na criatividade da apresentação dos números de exportação as vendas potiguares foram de US 305,1 milhões em 2026, um aumento de 5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Mas, quando excluídos estes dois pesos pesados, o petróleo/nafta e o ouro, caímos para US 106,1 milhões, um aumento menor, de 2%.

Estas duas atividades produtivas, da petroquímica e da exploração mineração do ouro, podem ser consideradas como “cadeias curtas” visto que o processo produtivo não envolve muita compra de matéria-prima (com extração ou de beneficiamento na própria indústria). Em termos de geração de empregos diretos no RN, as vendas externas de melão têm bem maior impacto, e isto vale para boa parte dos demais produtos exportados. Não é ruim considerar todos os itens no resultado da nossa balança comercial, mas já vimos este filme quando há algumas décadas chegamos a ter um grande peso com exportações de petróleo, e no ano em que foram interrompidas tais vendas houve uma grande queda no saldo comercial e no valor das exportações; à época, de forma mais compatível, destacava-se bem este momento diferenciado, mostrando tratar-se de uma distorção e não uma regularidade.

Voltando à República Dominicana, talvez não mantenha este mesmo destaque de ter superado os Estados Unidos enquanto destino dos produtos do RN, o ritmo de exportações de petróleo para lá talvez não se mantenha no mesmo patamar. Mas, não deixa de ser interessante mostrar a República Dominicana, de forma criativa e com base em números.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

A CVC é da gente

 A CVC é da gente, quero dizer, a operadora nacional de turismo está investindo na proposta de realizar road shows em nove cidades do Brasil ao longo de ano, história de buscar trazer novos e também mais turistas para o RN. A parceria não é somente da CVC neste projeto, haverá também dinheiro público do Governo do Estado, com a Emprotur, e dos empresários hoteleiros, aqueles que fazem parte da entidade chamada Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN).

A lista das nove cidades em que haverá evento é bem eclética: em São Paulo serão três cidades do interior (Campinas, Ribeirão Preto e Santo André) e as outras seis cidades são todas capitais, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Goiânia e Vitória. Acho que são bons mercados, principalmente as cidades do interior – com renda per capita elevada e sem praia – mas também capitais em que o tema praia/litoral é sempre um grande atrativo, a exemplo de Brasília, Minas Gerais e Goiânia. Com exceção de São Paulo e do Espírito Santo, a captação de novos turistas parece ter privilegiado os estados sem litoral; e como não há praia por perto, o turista teria que fazer uma viagem que poderia ser para o nosso destino, Natal, e de avião (portanto, com maior poder aquisitivo e gastaria mais na cidade).

É claro que a escolha das cidades deve ter seguido um planejamento da CVC que tem um banco de dados dos turistas brasileiros com milhões de informações sobre preferências, valor médio de despesa, tempo de permanência etc., um verdadeiro conjunto de boas informações que permite traçar uma estratégia de mercado bastante sólida.

Fui ver a lista das empresas participantes: contém cerca de 20 hotéis e uma empresa de turismo receptivo; achei a proporção coerente, afinal se é para divulgar a imagem do destino Natal apresentar os hotéis aos operadores de turismo destas cidades está mais diretamente no foco da proposta da CVC.

Senti falta na lista dos hotéis de uma maior diversidade quanto aos destinos. Dois ou três nomes não conhecida, mas quanto aos demais são praticamente todos de Natal (via Costeira bem representada) e nas cidades vizinhas e apenas um hotel em Pipa, que pela exceção vale até a pena mencionar: é o Pipa Lagoa. Tibau do Sul/Pipa tem uma rede hoteleira vasta e poderia estar mais representada; talvez a maior parte dos turistas que circulam por lá não utilizam os serviços da CVC ou viajam de forma independente. E senti falta também de representantes de São Miguel do Gostoso, um destino com excelentes opções de hospedagem, embora com foco maior em pequenas-médias pousadas, mas com qualidade.

A escolha em participar é, em tese, das empresas. Ninguém é, claro, obrigado a ir mas uma eventual abordagem mais intensiva com outros hotéis do RN pudesse ter atraído mais interessados; mas, digo isto sem saber como foi a divulgação e a abordagem que pode ter sido bem realizada e o desinteresse seria mesmo a opção dos empresários hoteleiros locais.

Defendo a ideia da diversidade de hotéis para poder melhor demonstrar outras opções passeios, atividades e programação para os turistas. A constatação de uma concentração muito grande em Natal e nos hotéis da via Costeira pode parecer que não há muita coisa diferente que possa encantar o turista.

Fiquei curioso em saber quanto a CVC está investindo neste projeto, qual a participação da Emprotur e também das empresas. Mera curiosidade, história de saber quanto custa esta ideia, assim como história de saber qual é o resultado esperado: quantos goianos, candangos, cuiabanos etc. virão passar suas férias no litoral do RN?


quarta-feira, 8 de abril de 2026

O petróleo “deles” na “minha” gasolina

 

Hoje o mundo dos negócios amanheceu mais animado com a notícia de ontem a noite de uma “paz” anunciada por 15 dias; na verdade, o mundo dos negócios amanheceu mais animado mesmo foi com a notícia de que os navios petroleiros poderão voltar a circular pelo (agora) conhecidíssimo Estreito de Ormuz (ou de Hormuz, como resolveu batizar a Folha de S. Paulo, destoando de outros meios de comunicação).

Com isto esperava-se uma calmaria no preço do barril de petróleo, algo que já vem acontecendo desde a madrugada nossa, mas já dia claro e de comércio no Oriente Médio e na Europa: o barril do petróleo já está abaixo dos US 100 mas, isto não significa que seja um bom patamar, mas apenas que a curva ascendente dos preços deu (ela também) uma trégua, ainda que não podemos esquece que continua caro, e bem acima dos preços de mercado do início do ano, quando a guerra ainda era mera especulação.

A situação estava tão caótica com a loucura dos preços e do abastecimento que no último final de semana vários postos de gasolina (mais de 15%) de Paris estavam sem combustível, fecharam mesmo; e o preço “normal” por lá na semana passada era um litro por cerca de 2 euros, que rapidamente chegou a 2,5 euros em alguns lugares. Coisa de louco!

Bem que, se a gente olhar os preços aqui em Natal até que não estamos muito longe desta loucura de preços. Seria isto, como os assustados anunciadores de catástrofes apregoavam, o efeito da globalização? Na verdade, no mercado de petróleo e de combustíveis fósseis a globalização sempre existiu, sempre foi um mercado global dominado por grandes empresas e tudo isto já sabemos desde 1973, quando houve o tal do primeiro choque do petróleo; bem antes da globalização fatídica nos alcançar.

Aqui no Brasil a gasolina comercializada tem uma boa dose de álcool, produto nacional que não sofre influência direta do preço do petróleo, apesar de uma influência indireta (como acontece com todos os produtos) mas, nada que possa assustar o mercado e fazer com que os preços do álcool sigam a mesma trajetória do preço da gasolina. Independentemente disto, o que vimos foi aumento do preço da gasolina e algumas variações que impressionam pela mudança brusca, literalmente da noite para o dia; você passa perto de um posto e vê o litro da gasolina em torno de R$ 6,80, no dia seguinte já pulou para R$ 6,99 e quando você acha que vai ter que andar menos de carro, reaparecem os R$ 6,80/6,85. É claro que todo empresário (de sucesso) trabalha seu mercado também de olho na antecipação das tendências e, claro, dos preços: todo empresário (de sucesso) não vende algo pelo mesmo preço no dia de hoje quando ele já está ciente de que a matéria-prima terá um preço maior no seu próximo pedido. É uma reação natural, embora não consigo entender como tantas oscilações locais superam as oscilações globais e de forma tão brusca.

O petróleo “deles” está afetando o preço da “minha” gasolina. Talvez seja um efeito positivo da globalização para uma tendência de médio e longo prazos, a de que é hora de pensar em ter grandes incentivos para mudar os carros que aqui circulam, estimulando a circulação de mais carros elétricos ou híbridos. Na economia existe um conceito chamado de externalidades, talvez esta seja uma delas, daquelas boas, positivas; pode ser que daqui uma década tenhamos menos “postos de gasolina” nas ruas e muito mais “postos de... energia” ou “postos... elétricos” ou outro nome qualquer.

O nome, neste caso, pouco importa, o que vale é que o custo de abastecimento volte a ser igual aquele dos bons tempos.


terça-feira, 7 de abril de 2026

Gerenciando aeroportos

 

Gerenciar aeroporto deve ser muito bom, principalmente para quem gosta das áreas de atuação em Administração e em Economia. Todos os dias são milhares/milhões de pessoas que circulam por um espaço em busca de comodidade para pegar o voo ou sair de um avião o mais rapidamente possível para um novo destino. Esta breve introdução genérica é apenas para reforçar que não é fácil tomar conta de um equipamento urbano em que os interesses não são os mesmos para os distintos públicos com que a gestora do aeroporto trabalha: passageiros, empresas aéreas, Receita Federal, Polícia Federal, Anac e comércio/prestadores de serviço para as companhias aéreas e para o público (na maioria, passageiros).

Como toda grande empresa a Zurich Airport Brasil (leia-se aeroporto de Natal) tem continuamente avaliados seus serviços, com um monitoramento mensal e com a obrigação de publicar os resultados. Assim, a empresa suíça que “comprou” (arrendou) o Aeroporto divulga o resultado de pesquisa com os passageiros; não sei quantas pessoas são entrevistadas (a empresa não informa, assim como não informa a tal margem de erro da pesquisa) dentre a população que circula na área de embarque/desembarque; desconsiderando apenas aqueles que chegam/saem rapidamente para buscar/deixar alguém, são mais de 120 mil pessoas diferentes que tornam-se clientes do Natal Airport, por mês.

A pesquisa de desempenho divulgada tem quase 20 perguntas, e algumas chamam a atenção. Dentre elas, aquela que gera o melhor resultado no “Relatório de Indicadores de Qualidade de Serviço”, que é sobre a “Limpeza geral do aeroporto”: a nota, neste ciclo 2025/26 (agosto/25 até fevereiro/26) foi a melhor de todas, com avaliação atual de 4,65 (o máximo é 5), com uma ligeira melhora em relação ao ciclo passado, com na nota de 4,57.

Aqui há uma curiosidade bem, digamos... curiosa: a melhor avaliação é sobre a limpeza, quando a excelência do atendimento deveria ser a do serviço mais importante para os passageiros em um aeroporto, que não é a limpeza (é um fator crítico, claro, mas não é a essência da empresa administradora de um aeroporto).

As duas avalições essenciais são a “Facilidade de encontrar seu caminho no terminal” e a “Facilidade de acessar informações de voos”, afinal, quem está em um aeroporto nas áreas de embarque/desembarque deveria estar mais preocupado com seu voo e como achá-lo (além de achar o local das malas e a saída, para quem está desembarcando). Esta comunicação é primordial em todo aeroporto e aqui, no de Natal, e as notas mais recentes foram 4,60 e 4,49, respectivamente; aliás, não houve muita melhora em relação ao ciclo 2024/25, que teve 4,54 e 4,41, respectivamente.

Isto não significa, em absoluto, que a gestão apresente falhas ou haja alguma dificuldade operacional.

Pode ser simplesmente a ausência de uma boa comunicação ou de uma melhor forma de comunicação com o passageiro; talvez mais painéis ou uma informação mais interativa, atrativa e intensiva. Não sei qual é o nível de excelência nos aeroportos com maior escala de movimentação ou nos aeroportos internacionais e globais, mas tenho a sensação que a linguagem (comunicação) continua sendo muito tradicional, com aquela velha cena em que muitas pessoas ficam olhando para o painel de voos. Um clássico!

A Zurich Airport Brasil, empresa que administra o aeroporto em São Gonçalo do Amarante, tem larga experiência com outra unidade, em Florianópolis, e por lá os indicadores são um pouco melhores: 4,78 para “Facilidade de encontrar o caminho no terminal” e 4,69 para “Facilidade acessar informações de voos” (e por lá também é a limpeza geral o critério de melhor avaliação!). Estamos atrás deles, mas estamos bem nestes itens. Já para a pergunta sobre a wi-fi oficial no aeroporto, ficamos com 4,03 e eles, em Floripa, com 4,49: podemos melhorar aqui.

A Zurich tem realizado um bom trabalho para aumentar o número de voos no Natal Airport, isto talvez seja o mais relevante. Se no lado “ar” estão indo bem, os bons exemplos poderão  espelhar as ações no lado “terra”. Seria ótimo essa dobradinha de resultados (muito) positivos.