Este
nome japonês ainda é meio esquisito mas, apenas por enquanto. Kokushobi foi o
termo que o Japão resolveu criar nesta sexta-feira para designar o calor
extremo, quando a temperatura ultrapassar os 40 graus naquele país. A escolha
do nome, que foi objeto de uma consulta pública com mais de 400 mil
participantes, entrou na rota da agência japonesa de meteorologia para servir
de alerta à população local, com a chegada de uma (forte) onda de calor que
demanda maiores cuidados da população; vale lembrar que o Japão é um país que
tem uma das maiores quantidade de idosos e, em geral, é o público que mais
sofre com o calor excessivo e que sofre bastante com a desidratação (em
períodos de forte calor o índice de mortes aumenta).
Embora
os 40 graus não sejam incomuns em muitos países, principalmente aqueles do
Oriente Médio e em áreas desérticas, para o Japão é algo bem raro: desde 1927,
quando começaram as medições de temperatura por lá, o recorde nacional foi de
41,8º. É muito, sem dúvida, e provoca uma sensação muito incômoda para quem precisa
estar nas ruas ou para quem trabalha externo, nas cidades ou nos campos.
O
alerta mais importante também afeta a todo mundo, inclusive aqui no Brasil e no
RN. E não é pelo fato de que em Mossoró ou Pau dos Ferros, apenas para citar as
cidades mais referenciadas em termos de calor, isto não seja necessariamente
uma novidade. Mas, é que em um país onde os 40º de temperatura são raros,
significa que o aquecimento global é fato e está se agravando em todo o mundo
(mas, deixo de lado as discussões sobre as causas, visto que os debates são algumas
vezes acalorados).
Aqui
no Brasil no distante 1955 um filme fez muito sucesso, o “Rio 40º graus” que
acabou criando uma expressão popular e foi até tema de música de Fernanda
Abreu, no ano de 1992. De 1955 ou 1992 para cá, e você pode escolher a sua
referência, inegavelmente a temperatura média do Rio e do Brasil aumentou, principalmente
nas cidades, mas também no campo onde as culturas agrícolas passaram por muitas
adaptações. Não precisamos ser
necessariamente ambientalistas integralistas ou ecochatos para percebermos que estamos
em uma fase de transição que exige mais cuidados com o meio ambiente, e esta
inquietação não começou por causa da COP-30 no Brasil, afinal a Rio-92 já nos
alertava sobre o tema.
E
além do alerta japonês com o kokushobi (que não vai demorar muito será objeto
de piadas, memes e trocadilhos) destinado à sua população, temos que tomar a
lição de que os períodos de calor excessivo também significam cuidados médicos/de
saúde adicionais para crianças e idosos nos lares mas também nas escolas,
hospitais, postos de saúde etc., ou seja, em locais que recebem com mais
frequência estes públicos: poderiam os poderes públicos monitoram estas
evoluções de temperatura para adotar protocolos de maior atenção,
principalmente para evitar a desidratação que, como sabemos, em casos extremos
podem provocar até mesmo a morte (aliás, na Europa é nos verões mais quentes
que ocorre o maior número de morte de idosos e de superidosos).
Estamos
no outono e por isto a previsão para a última semana de abril é de calor “acima
da média” no Brasil que não deverá chegar aos 40º, assim como no RN não deverá
ultrapassar os 33º (apesar da sensação térmica superior aos 36º). Ainda teremos,
portanto, o inverno e a primavera para pensarmos em protocolos de saúde e
cuidados para o verão de quarenta graus.
Kokushobi
lá ou aqui, para o meio ambiente e a saúde a prevenção é uma boa atitude.