Não
preciso apresentar Elon Musk, acho que todo mundo conhece mais em função de
seus resultados econômicos do que seu posicionamento político: é o “cara” mais
rico do mundo, com uma fortuna tão impressionante que supera qualquer
imaginação na lista de compras de qualquer pessoa. Já Namur, pouca gente
conhece.
Namur
é uma cidade da Bélgica, de médio porte, com cerca de 500 mil habitantes (em um
país com quase 12 milhões) e que fica do lado francófono. Já foi uma cidade,
como toda a região, bastante rica mas ainda é um importante centro econômico da
Bélgica, um pequeno país, menor do que o RN em termos de extensão.
Namur
e Musk estão, um sem saber do outro, apostando em direções opostas.
De
um lado Musk acabou de dizer que acha uma besteira danada a ideia de poupar
pensando no futuro, nos próximos 10-20 anos e na aposentadoria. Seria algo
inútil. Não sei se ele utilizou a palavra inútil, mas o sentido de sua
afirmação é esta. E tem uma bela justificativa: com o avanço da IA o mundo será
(em breve) muito mais eficiente e muito mais produtivo e portanto capaz de
suprir várias necessidades humanas ao ponto de gerar excedentes, ou seja, não
haverá mais escassez e por isto será desnecessário trabalhar tanto, tantas
horas por dia, semana, mês. Simples assim. Claro, ele não explica quem
controlará tudo e todos, mas deixa uma bela esperança, de que o domínio das
máquinas e das IA será positivo para a Humanidade, nada de imaginar um futuro
sombrio de escravidão humana, mas ao contrário, de felicidade (quase plena) ao
ver que a produtividade de tudo aumentará, de produtos e de serviços, e todos
terão (ou poderão) ter acesso a tudo. Encantadora, a ideia.
Já
Namur, a cidade de um dos países mais bonitos do mundo, inaugurou ontem uma
nova política na cidade: a partir deste maio todo primeiro domingo do mês as
lojas poderão abrir! Simples assim: até o mês de abril somente o comércio
essencial tinha autorização para funcionar aos domingos. Agora, não; agora
caberá ao proprietário do comércio avaliar as despesas e as receitas e estimar
ser vale a pena trabalhar – o patrão e as pessoas empregadas – nos próximos
domingos (caso você decida passar por Namur em junho, anote na agenda, o
próximo domingo de comércio aberto será no dia 7). A discussão entre os
empresários é se vale a pena fazer este esforço, de trocar o não-trabalho pelo
trabalho.
Namur
x Musk, qual será o vencedor? De um lado o trilionário avisa que daqui alguns
anos teremos fartura e o trabalho deixará de ser tão impositivo como é hoje, e
do outro lado temos uma cidade querendo movimentar a economia da cidade
justamente a partir do aumento do trabalho.
Talvez
até, para a gente ficar em cima do muro, os dois estejam certos: ainda teremos
que trabalhar agora e nos próximos anos até que a IA venha dominar muitas
(muitas, mesmo) atividades humanas, substituir boa parte de nossos esforços,
para que possamos trabalhar menos daqui 20 anos. Este cenário tão longe,
previsto para 2046, me entristece um pouco, e por dois motivos: quando chegar
lá acho que já estarei aposentado, o que me deixa na expectativa de não
precisar mais trabalhar (exceto voluntariamente ou por uma boa causa), e que a
IA está avançando muito lentamente neste mitológico futuro de Musk, pois por
mim já poderia começar mais cedo esta previsão de bem-estar global.
Fato
é que trabalhar é bom, e mesmo quando se é dispensado depois de trabalhar 28
anos em um mesmo ambiente, ainda acho que algo interessante. Na história da
Humanidade o trabalho sempre foi visto como um esforço, uma penalidade, uma
árdua passagem por um longo período de sacrifício até chegar à sonhada
aposentadoria.
No
Brasil isto não é diferente. E aqui já conhecemos bem a experiência do trabalho
no final de semana, de forma até “mais aperfeiçoada”... muita gente trabalha
mais de um domingo por mês. Já sabemos como é este novo modo de vida do
trabalho adotado por Namur. Gostaríamos de conhecer, e o mais breve possível, o
sonho de Musk! Até lá, para quem está no mercado de trabalho, para começar a
semana: um boa segunda-feira.