A Braseco, a empresa que detém o aterro sanitário em Ceará-Mirim e que atende várias prefeituras da Grande Natal, dentre elas a Capital, publicou hoje o seu resultado empresarial do ano de 2025. E podemos dizer que foi um bom resultado, um lucro líquido de R$ 26,1 milhões; e mais ainda, podemos dizer que foi um ótimo resultado, se comparado com o ano anterior, visto que em 2024 houve um prejuízo de R$ 9,4 milhões.
O lixo, como sabemos, é
um bom negócio e em todos os sentidos. Para o cidadão, aquele que paga a taxa
de lixo (e também quem não paga nada), é um ótimo negócio pois não precisa se
preocupar muito com o que acontece com seu lixo, de forma geral basta colocar
em um saco plástico e depositar na lixeira do condomínio ou deixar na calçada,
esperando que o caminhão do lixo venha recolher o material. E, tanto faz se
você é um grande “produtor” de lixo ou um pequeno, a taxa de lixo será a mesma
e, ainda que você queira ser 110% ultraecologista e fazer compostagem do lixo
orgânico e triagem dos recicláveis para doação, o preço pelo serviço público é
comparativamente o mesmo (a taxa de lixo varia, na verdade, em função da área
do imóvel).
Para as Prefeituras,
quando o serviço funciona bem, é um ótimo cartão de visitas para a população.
Bem que nas cidades de médio e grande portes é sempre difícil alcançar esta
excelência no serviço, tem sempre muito lixo a recolher e é sempre um problema
crônico quando as chuvas chegam com força. Nesta hora, sempre nesta hora, o
lixo é um problema e uma promessa, a de que o serviço será reforçado e que vai
melhorar.
Mas, bom negócio mesmo
é para as empresas que fazem a coleta e principalmente para as empresas que
administram os aterros.
A Braseco que o diga.
Afinal, como ela mesma divulgou, o custo dos serviços prestados foi
praticamente o mesmo em 2024 e 2025, de R$ 21,3 milhões. Mas, a receita foi bem
diferente nestes dois anos: em 2024 a Braseco recebeu R$ 23,7 milhões pelo serviço
prestado e no ano seguinte, em 2025, recebeu R$ 25,1 milhões. Um aumento que
não foi, na verdade, muito expressivo, de cerca de 6% mas que demosntra que o
negócio é viável: a empresa conseguiu controlar seus custos e conseguiu
aumentar sua receita em patamar acima da inflação.
Não consegui avaliar,
com os resultados básicos do balanço, se o aumento da receita foi em função do
aumento da coleta de lixo nas mesmas cidades ou se algum novo cliente entrou na
carteira da empresa; ou, e eu acho mais provável, deve ter sido o aumento da
tarifa cobrada às prefeituras.
A produção de lixo em
Natal, no Brasil e no mundo é um problema grave e às vezes complexo. Em várias
cidades do mundo, principalmente nos países mais ricos economicamente, a situação
da coleta de lixo é geralmente bem estruturada e atende às demandas locais; em
geral, também por lá, a destinação consegue ser bem administrada do ponto de
vista ambiental, que é a maior preocupação, do saber-fazer com o lixo coletado
para evitar contaminação no solo, poluição no ar e, cada vez mais, uma destinação
e reaproveitamento de materiais.
Aqui no nosso RN quando
circulamos por algumas estradas encontramos ainda lixões, os chamados a “céu
aberto”, um verdadeiro “depósito” onde os caminhões despejam a coleta diária,
sem qualquer triagem; algumas vezes em áreas muradas com o pomposo título pintado
na parede de “aterro do município de xxx”, mas igualmente apenas um local onde
joga-se tudo, literalmente, fora.