quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lixo e dinheiro, tudo a ver

 A Braseco, a empresa que detém o aterro sanitário em Ceará-Mirim e que atende várias prefeituras da Grande Natal, dentre elas a Capital, publicou hoje o seu resultado empresarial do ano de 2025. E podemos dizer que foi um bom resultado, um lucro líquido de R$ 26,1 milhões; e mais ainda, podemos dizer que foi um ótimo resultado, se comparado com o ano anterior, visto que em 2024 houve um prejuízo de R$ 9,4 milhões.

O lixo, como sabemos, é um bom negócio e em todos os sentidos. Para o cidadão, aquele que paga a taxa de lixo (e também quem não paga nada), é um ótimo negócio pois não precisa se preocupar muito com o que acontece com seu lixo, de forma geral basta colocar em um saco plástico e depositar na lixeira do condomínio ou deixar na calçada, esperando que o caminhão do lixo venha recolher o material. E, tanto faz se você é um grande “produtor” de lixo ou um pequeno, a taxa de lixo será a mesma e, ainda que você queira ser 110% ultraecologista e fazer compostagem do lixo orgânico e triagem dos recicláveis para doação, o preço pelo serviço público é comparativamente o mesmo (a taxa de lixo varia, na verdade, em função da área do imóvel).

Para as Prefeituras, quando o serviço funciona bem, é um ótimo cartão de visitas para a população. Bem que nas cidades de médio e grande portes é sempre difícil alcançar esta excelência no serviço, tem sempre muito lixo a recolher e é sempre um problema crônico quando as chuvas chegam com força. Nesta hora, sempre nesta hora, o lixo é um problema e uma promessa, a de que o serviço será reforçado e que vai melhorar.

Mas, bom negócio mesmo é para as empresas que fazem a coleta e principalmente para as empresas que administram os aterros.

A Braseco que o diga. Afinal, como ela mesma divulgou, o custo dos serviços prestados foi praticamente o mesmo em 2024 e 2025, de R$ 21,3 milhões. Mas, a receita foi bem diferente nestes dois anos: em 2024 a Braseco recebeu R$ 23,7 milhões pelo serviço prestado e no ano seguinte, em 2025, recebeu R$ 25,1 milhões. Um aumento que não foi, na verdade, muito expressivo, de cerca de 6% mas que demosntra que o negócio é viável: a empresa conseguiu controlar seus custos e conseguiu aumentar sua receita em patamar acima da inflação.

Não consegui avaliar, com os resultados básicos do balanço, se o aumento da receita foi em função do aumento da coleta de lixo nas mesmas cidades ou se algum novo cliente entrou na carteira da empresa; ou, e eu acho mais provável, deve ter sido o aumento da tarifa cobrada às prefeituras.

A produção de lixo em Natal, no Brasil e no mundo é um problema grave e às vezes complexo. Em várias cidades do mundo, principalmente nos países mais ricos economicamente, a situação da coleta de lixo é geralmente bem estruturada e atende às demandas locais; em geral, também por lá, a destinação consegue ser bem administrada do ponto de vista ambiental, que é a maior preocupação, do saber-fazer com o lixo coletado para evitar contaminação no solo, poluição no ar e, cada vez mais, uma destinação e reaproveitamento de materiais.

Aqui no nosso RN quando circulamos por algumas estradas encontramos ainda lixões, os chamados a “céu aberto”, um verdadeiro “depósito” onde os caminhões despejam a coleta diária, sem qualquer triagem; algumas vezes em áreas muradas com o pomposo título pintado na parede de “aterro do município de xxx”, mas igualmente apenas um local onde joga-se tudo, literalmente, fora.

Há muito tempo escutamos a necessidade de cuidarmos do meio ambiente com ações individuais e coletivas. Acho que melhoramos muito neste quesito, se comparamos com o início do anos 2000 (nem ouso mencionar a comparação com as décadas do século passado!). Mas, ainda falta mais profissionalização da ação pública e da ação privada. E acredito que quanto mais o lixo for tratado como um negócio rentável, ou seja, quanto mais reforçados os incentivos ao setor privado, mais a administração pública simplificará os esforços para um bom resultado, e isto significa que é um bom resultado no qual ganhamos todos; inclusive a Braseco, mas poderia ser qualquer outra empresa, desde que resolvido o problema!

Nenhum comentário: