O
overemployed tem outro aspecto que precisa ser mais conhecido no Brasil,
precisa de mais estatísticas e análises de mercado para entender seus efeitos
nestes tempos modernos. Precisamos de uma pesquisa do IBGE para saber quem são
os brasileiros que estão nesta situação de dois (ou mais) empregos e entender
seu impacto na demanda social de qualificação social e na aposentadoria.
A
primeira demanda, da qualificação, poderá mostrar se este segundo emprego é
realmente um “bico” ou alguma demanda privilegiando a experiência ou se o mercado
de formação de mão de obra não está conseguindo assegurar uma qualificação
suficiente para manter uma carreira profissional. Entendendo um pouco mais, o
segundo emprego é aceito pelos empregadores pelo fato de não haver uma oferta
de mão de obra com foco nas habilidades e competências necessárias, e por isto aceita-se
mais da experiência de quem está trabalhando, com a expectativa de moldar o
candidato no exercício da atividade? Precisamos entender a motivação do empregador
em contratar alguém que está com uma sobrecarga de trabalho ao longo do dia, ou
seja, a produtividade no segundo emprego pode não ser a mais eficiente.
Na
verdade, a questão é saber quem está no segundo emprego? Há áreas com maior
demanda e oferta de vagas com maior ou menor condições de contratação? É um “bico”
sem carteira assinada, sem direitos e vantagens trabalhistas?
A
pesquisa também nos alertaria se o segundo emprego seria, na verdade, uma
segunda ocupação mas, diferente: o primeiro emprego seria aquele do trabalho
assalariado e a segunda ocupação estaria no empreendedorismo, afinal, se o salário
não está sendo suficiente, passaria a ser vendedor, representante comercial,
entregador, motorista de Uber etc?
E
a longo prazo, como avaliar os impactos em termos de aposentadoria e como mensurar
(desde já) os efeitos para poder adotar medidas compensatórias ou de prevenção
para o Governo Federal na administração da Previdência Social.
A
alternativa do empreendedorismo não seria, formalmente falando, de um segundo
emprego, mas tem as mesmas características do overemployed,
a mesma ideia de aumentar a renda. Mas, infelizmente há uma outra ilusão que
alguns dados nos oferecerem: de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae quase
70% dos empreendedores (formais ou não) conseguem um rendimento de apenas 2
salários-mínimos, pouco, muito pouco para o ideal da liberdade empresarial (segundo
a mesma pesquisa, apenas 9% – cerca de 2,5
milhões – conseguem uma renda superior a 5 salários-mínimos). Esta renda, que é
reduzida para a maior parte dos empreendedores, não parece ser uma transição
para uma único empre ou, em outras palavras, ter um emprego formal e aderir à
ideia do empreendedorismo não é uma mudança de condição social (de renda), mas
uma necessidade, que continua, que continuará.
Vivemos
em um mundo que combate a carga horária de trabalho e que tem seus relatos de
experiências exitosas de contratos de trabalho com o máximo de 35 horas semanais.
Enquanto isto nosso overemployed segue na
contramão da história, o brasileiro está trabalhando mais, em dois empregos,
com um custo individual e social muito pesado.
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