sábado, 2 de maio de 2026

Caern: a luta para reduzir a inadimplência

 

É uma luta grande, esta de tentar reduzir a inadimplência no Brasil. Em levantamento recente da Serasa, para o mês de março, a inadimplência nacional considerando todos os serviços de água, energia, gás, telefonia, banco e cartão de crédito é relativamente elevada: 50,5% dos brasileiros estão com uma ou mais pendências em um destes prestadores de serviço. Indicador alto, muito preocupante não somente para as pessoas que não conseguem quitar suas dívidas como também para toda a economia que vê parte do pagamento das dívidas ser engolido por juros e multas e, literalmente, reduzir o poder do consumidor.

O Rio Grande do Norte não é um primeiro colocado neste ranking nacional, mas está com uma média superior: em março/2026 o registro era de 51,3% de inadimplentes. Ficar perto da média nacional não é nenhum mérito ou ponto de honra, muito menos alguma vantagem a ser comemorada; há estados em situação bem mais crítica, e os resultados de cada um deles acaba afetando todo a economia, inclusive àqueles que pagam em dia suas contas: as empresas já colocam nas suas previsões de preço o custo da inadimplência.

O projeto Desenrola é uma tentativa de diminuir esta situação de inadimplência. Toda alternativa é positiva, não há o que contestar; nestes casos em que o dinheiro “é” do cidadão mas está parado no FGTS e ele não pode fazer nada, realmente é bem melhor permitir sua utilização para pagar uma dívida e colocar dinheiro novo no mercado. A esperança, sim, é deve ser tratada como esperança, é que o beneficiário deste projeto possa encontrar formas de se reequilibrar e evitar nova inadimplência.

E aqui vale uma importante ressalva: estar devendo não é, em tese, nenhum problema. Assumir uma dívida na compra de carro, um financiamento de um imóvel ou da compra de um eletrodoméstico, por exemplo, é algo até natural e muito desejável pelo mercado! O problema é quando a capacidade de endividamento é mal calculada (ou às vezes nem mesmo pensada) e torna-se inadimplência: o que era uma solução de melhoria de vida pessoal torna-se uma situação que às vezes pode ficar difícil de controlar.

Nesta semana foi a vez da Caern lançar seu programa de recuperação de dívidas. Não me pareceu, na verdade, um indicador de inadimplência elevado, pois é da ordem de 7,1% para dívidas de curto prazo (faturas com menos de 12 meses de atraso).

O valor não é muito elevado, considerando o faturamento da empresa mas, mesmo assim R$ 44 milhões (que é o valor perseguido) ajudam em qualquer projeto de expansão de suas atividades e prestação de serviços à população. Como toda campanha de recuperação de créditos, há um bom desconto nas multas e juros (até 50%) e um longo prazo para pagamento (até 60 meses); faz parte.

Nestas campanhas de pagamento minha torcida vai muito mais para o cidadão do que para a empresa, ainda que seja uma empresa (e estatal) com importante ação social como é o caso da Caern; mas é que o poder de negociação e de captação de recursos no mercado é muito superior, muito mesmo, para estas empresas do que para o cidadão comum, que não vê muita saída para pagar as contas e faz novo empréstimo para pagar uma dívida, quando não adota a pior das ideias, a de pegar dinheiro emprestado com agiota.

É por isto que também nesta campanha da Caern torço para que haja um grande número de clientes negociando suas dívidas e voltando à normalidade, pelo menos em relação à algumas contas atrasadas.


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