segunda-feira, 5 de abril de 2021

(bem-)vindo para os 20% de aumento

 

O sindicato patronal anunciou possibilidade de aumento em 20% no valor do preço. Está ou estaria defasado. Eles devem ter os números de consumo, apesar de toda pandemia e redução na renda. O consumo empresarial, por exemplo, deve ter diminuído assustadoramente. Talvez o aumento, para quem produz, seja para recompor as perdas de receita. Infelizmente, para quem consome, não dá para repor suas perdas na mesma velocidade, menos ainda na mesma proporção.

Quem decidirá o aumento? O mercado, claro! Por enquanto,  ninguém se mexendo para voltar a produzir filtros de barros. E o Nordestão não começou a vendê-los. Portanto, mesmo não sendo bem-vindos os 20% de aumento, estão vindo.

sábado, 3 de abril de 2021

Quatro, 4

 

QUATRO alunos do Salesiano de Natal tiveram nota 980 na prova de redação do Enem. Muito bom ter esta perspectiva de bons profissionais no mercado de trabalho daqui a alguns anos. Este é o resultado de apenas um colégio, precisaríamos multiplicar este 4 por outro 4, depois mais outro e assim pelo menos umas duas vezes para que esta massa cinzenta “contamine” nosso sistema educacional, privado e público.

Cinco, 5

 

CINCO de abril começa a nova fase  de restrições em função do Covid-19. Não é tão rígida quanto a atual, mas traz ainda algumas restrições tal a possibilidade de abertura de bares mas, sem a possibilidade de comercialização de bebida alcóolica. Quem era conhecido mais pela cerveja gelada do que pelo tira-gosto, ainda não é o momento; já a turma do caranguejo, do sanduba ou do filé-com-fritas quem sabe melhora o caixa agora em abril.

Seis, 6

 

SEIS milhões é a previsão da Mega-sena deste sábado. Não joguei, mas vou torcer que o ganhador seja do RN: seriam mais R$ 6 milhões circulando na nossa economia e talvez mais R$ 1 milhão em novos impostos locais (ICMS e ISS), tudo dependerá de como gastará este dinheiro. Na dúvida, se você ganhar tudo isto sozinho, posso “ajudar” a gastar este dinheiro.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Agricultura centimétrica

 A agricultura de precisão, a tecnologia é tão (mais) importante do que adubo, fertilizante etc. Os comentários de hoje são sobre este assunto.

A agricultura de precisão, a tecnologia é tão (mais) importante do que adubo, fertilizante etc. Os comentários de hoje são sobre este assunto.

Agricultura centimétrica: 1 cm

 

A tecnologia tem invadido praticamente todas as atividades produtivas, não seria diferente no agronegócio. Apesar da divisão econômica (e ideológica) entre agronegócio e agricultura de subsistência (ou familiar ou individual ou outra terminologia sempre em movimentação), não há mais como obter resultados utilizando somente a enxada e, eventualmente, o carrinho de mão. Na verdade, infelizmente, ainda temos alguns rincões em que há não somente ausência de tecnologia como também uma baixa utilização de técnicas na agricultura, lugares onde persistem as técnicas mais rudimentares e isto em razão de toda a boa-vontade de resistência, embora por mera consequência da necessidade de sobrevivência.

Quando vemos alguns plantios baseados na observação do clima e na utilização de sementes que focaram guardadas em garrafas de refrigerante vemos o quanto estamos distante do mundo atual.

Não se trata de culpabilizar quem quer que seja, menos ainda o pequeno agricultor. Se esse e sua família ainda estão nestas práticas rudimentares é muito provavelmente em decorrência de uma distância da modernidade que não foi percorrida pelo mais forte: o poder público.

Hoje a agricultura não somente modernizou-se como ela é, no mínimo, centimétrica.

O primeiro passo

 

O primeiro passo para encurtar esta distância é obrigação moral do poder público e de todas as instituições que se prometem um trabalho e uma ação social, independentemente da esfera, da estrutura e da riqueza. Quem ainda planta utilizando apenas o conhecimento de sua vivência e da transmissão do conhecimento familiar é, infelizmente, por falta de opção. Esta resistência, é bom ressaltar, é das mais merecidas possíveis por quem está sol-a-sol encontrando formas de sobrevivência-subsistência; mas, ainda é uma resistência pouco solidária.

A resistência não é contra a modernidade nem contra a inovação nem mesmo contra a ajuda externa, é uma resistência ao estilo nordestino, de lutar sem trégua.

O primeiro passo, portanto, deve ser dado por aqueles que são mais fortes e que devem buscar uma forma de mudar a realidade. É possível? Sim, mas não há nenhuma fórmula “leite Ninho”, não é um resultado instantâneo.

Já demos outros primeiros passos

 

Aqui mesmo no RN já demos outros primeiros passos. Abstraia qualquer ideologia para lembrar que não faz muito tempo a energia elétrica era algo tão distante no interior do Estado, em várias comunidades, quanto a ideia de telefone (fixo) para todo mundo nas cidades grandes ou acesso ao sistema de saúde.

Hoje, você pode circular pelos mais de 50 mil quilômetros quadrados do Estado e encontrará energia em praticamente todas as residências; as exceções são, realmente, exceções. As gerações dos avós que cresceram em fazendas sabem bem o que era encerrar as atividades antes das 18h pelo simples fato da ausência de luz. Uma triste realidade que ficou na história.

Um drone, 1 cm

 

Temos tantas empresas produzindo com alta tecnologia que conseguimos exportar frutas e camarões, criados e cultivados seguindo todo um padrão tecnológico em que as aventuras não ultrapassam o primeiro ano de atividade por mera incompetência produtiva: ou se participa do mundo da tecnologia, ou o mercado exclui o pseuod-produtor. A tecnologia está tanto na matriz quanto na semente e na ração e fertilizante, além de vários profissionais de diferentes áreas acompanhando todos os detalhes, medindo e anotando tudo.

E mais recentemente temos visto as aplicações na utilização de drones no agronegócio. Os equipamentos profissionais, inicialmente mais conhecidos nas filmagens para cinema e televisão, hoje são os maiores aliados em alguns campos agrícolas, sobretudos aqueles de grande extensão tais milho, soja, café etc.

Mas, das imagens ao tratamento das imagens, o avanço foi espetacular. É possível conhecer as características do solo, acompanhar a evolução do plantio e mensurar a colheita por área, por setor: ninguém, no agronegócio moderno, utiliza com fins de produção o parâmetro “tonelada por hectare”, ora relegado apenas às estatísticas para o poder púbico. O profissional do agronegócio mensura por um espaço bem menor, algumas vezes até a produção do metro quadrado ou apenas uma dezena de metros quadrados.

A precisão das informações é pontual: 1 cm é a margem de erro em alguns aplicativos, quase “concorrendo” com satélites de espionagem, ao melhor estilo dos filmes clássicos.

Uma tão longa e curta distância

 

A produção individual não exige tamanha precisão, de 1 cm. A distância não pode sequer ser avaliada, visto que nem existe. Ao “mais forte” de dar o primeiro passo e aproximar a produção agrícola do RN da modernidade.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Para que serve um feriadão?

 

O feriadão da Semana Santa que hoje começa já foi criticado por parcela do setor tal como já foi muito cobiçado por outra parte da economia produtiva.

Os comentários de hoje são sobre este assunto.

Um feriadão para...

 

Em outros tempos o feriadão era comemorado com muita festa e, para quem era adepto do planejamento, com a preparação de sua atividade econômica para atender aos milhares de turistas que se deslocariam nestes dias, seja para curtas distâncias (turismo de vizinhança), seja de estados vizinhos seja de longas distâncias, nacionais e internacionais. Em princípio, cada um saberia como ajustar sua oferta de produto e serviços de acordo com o público desejado. Era um período de festa para quem dependia do turismo, formal ou informal. Muito dinheiro circulando no mercado, muita gente gastando e muita gente fazendo planos para voltar ao RN.

Hoje, já não dá mais para pensar desta forma, nem do lado da oferta nem do lado da demanda, nem turistas conseguem circular com toda tranquilidade nem os empreendedores e empresários conseguem ser tão ousados a ponto de arriscar em novas despesas.

A pergunta, que seria antigamente meramente retórica, passa a ter sua importância deslocada para outra área: para que serve um feriadão?

A resposta, embora possam ser respeitadas opiniões diversas, tem uma única explicação.

Um feriadão

 

Parece que a alternativa do distanciamento social encontra as mais diversas opiniões e justificativas; talvez apenas não encontre explicações na astrologia ou nos detentores das cidades inteligentes: os primeiros não conseguiram prever a chegada do Covid-19 e os outros não conseguem prever seu fim!

Mas, considerando que o vírus se propaga por contato, o distanciamento tem seu resultado. Mas tem também seus impactos econômicos e sociais, sem dúvida alguma. E não se trata aqui de pesar qual “vale” mais nem questionar ideais ou ideologias. Temos uma realidade, começa um feriadão e, ao contrário de todos os outros, ninguém conseguiu planejar muita coisa, seja o turista com roteiros caseiros e alternativos, seja o setor do turismo que já vem sofrendo há bastante tempo.

A equação não é de fácil solução. Antes que alguém possa criticar pela crítica, sem sequência, também não tenho a solução.

Quando será o próximo feriadão?

 

Esta era uma pergunta clássica e até mesmo servia de brincadeiras, mal terminava o feriadão e já tinha gente pensando no próximo. Hoje, menos. Poucas pessoas devem estar com coragem suficiente para pensar quando será o próximo feriadão no atual formato. Isto significaria algumas características negativas: ainda continuaríamos com restrições de circulação, a pandemia continuaria e a tranquilidade social estaria distante do fim.

Para uma cidade e um Estado que precisam do turismo, é muito ruim. Curiosamente, e este é um dado que precisa ser analisado, com todas as dificuldades que estão vivenciando o setor de hotelaria, bares, restaurantes etc, ontem mesmo divulga-se que o mês de fevereiro bateu recordes de contratações formais, assim como a arrecadação de impostos aumentou. Quem está puxando estes números para cima, ou melhor, quais são os setores que estão conseguindo superar com menos dificuldade o momento atual? O turismo é um grande gerador de empregos, não há dúvidas será que os empreendedores e empresários do setor estão segurando a onda – sozinhos – mantendo os empregos e suas atividades nos limites do possível? Pelo menos garantem um contrato de trabalho e salário, ainda que uma renda menor, principalmente para os (quase)formais.

Não deixam de ter o mérito se uma avaliação dos números emprego-tributo apontarem para esta conclusão.

Invista no próximo feriadão!

 

Vale a pena investir quando ocorrer o próximo feriadão! Espero que seja igual ao de “antigamente”! Mas, parece que não será bem assim.

De qualquer forma, a classe empresarial deve continuar a insistir na capacidade empreendedora para encontrar uma forma alternativa de, na pior das hipóteses, reduzir o prejuízo e, para aqueles setores que encontraram um novo caminho nestes últimos meses, continuar aumentando o faturamento.

Do lado do cidadão, não há solução aplicável igualmente para todos, a solução é ser criativo. E, se como também na forma do possível, quando consumir, valorize primeiramente o produto do RN, depois o empresário potiguar.