sábado, 13 de março de 2021

Dividir para ganhar?

Um projeto anunciado no fim do ano passado prometia algo como "dividir para ganhar", ou seja, colocar faixas compartilhadas entre carros e bicicletas em algumas avenidas de natal, dentre elas, a eng. Roberto Freire. É um incentivo, sem dúvida, ao uso mais intenso das bicicletas. Mas, se a ideia é que seja também um meio de transporte para o trabalho (alternando o ônibus pela bicicleta), talvez o bairro não seja o mais adequado para o perfil de demanda; ali, provavelmente, servirá mais para lazer. Mas, não deixa de ser um estímulo (imagem: G1/Globo).
Imagem incorporada


sexta-feira, 12 de março de 2021

Comentário do dia. Duas rodas

 

Os comentários desta sexta-feira serão sobre veículos com duas rodas, automotores ou não.

Bicicleta: automóvel ou veículo?

 

Automóvel ou veículo? Veículo, claro. E com obrigação de cumprir as normas do Código de Trânsito Brasileiro, ainda que muitos insistam em não quere entender ou, entendendo, não querendo ser igual a todos. Bicicleta deve “andar” na mão da rua/avenida, exceto se houver ciclovia devidamente demarcada. E deve também respeitar pedestres na faixa e ainda, não passar com sinal vermelho. Enfim, está no Código de Trânsito Brasileiro mas, está bem menos no trânsito brasileiro.

Ciclovia, ciclovias

 

Em pesquisa encomendada pela Anfavea e realizada pela Google for startups/Cubo Itaú, em 2.700 municípios e com 23 mil pessoas (nenhuma entrevista foi no RN), rendeu algumas informações sobre as bicicletas no Brasil:

- Geração BB (56 ou mais anos): 9% usam bicicleta e 38% dos entrevistados preferem se movimentar com bicicleta

- Geração X (36 a 55 anos): idem e 42% dos entrevistados preferem se movimentar com bicicleta

- Geração Y (26 a 35 anos): 14% usam bicicleta e 41% dos entrevistados preferem se movimentar com bicicleta

- Geração Z (menos de 25 anos): 18% usam bicicleta e 40% dos entrevistados preferem se movimentar com bicicleta

Conclusão preliminar: bicicleta é “coisa de jovem”.

Curioso é que para a 66% da geração Z o carro ainda será o principal meio de transporte no futuro; e somente 61% da geração BB pnsam igual.

 

Obs: na Grande Natal temos pelo menos duas montadoras de bicicletas. Algumas pessoas acham estranho chamar “montadora” como se fosse exclusivo para carros mas, não se fabricam mais carros – eles são montados com a adição de peças de vários fabricantes – assim como ocorre com as bicicletas.

Haja moto

 

A frota no RN de motos é elevada:

- 2009: 246.388 unidades, ou 7,7% do total do Nordeste

- 2019: 546.702 unidades, ou 6,9% do total do Nordeste

Neste período o aumento do número de motos foi o seguinte:

- RN: 121,9%

- Nordeste: 150,7%

- Brasil: 91,8%

Aspecto positivo: aumentou poder aquisitivo das pessoas no RN e passaram a comprar mais motos.

Aspecto negativo:  Apesar do aumento, ficamos atrás na média regional.

Atualmente no RN temos cerca de 1 moto a cada 6 pessoas. Se você circula pelo interior, em algumas cidades a impressão é diferente, tem horas que parece ter quase tanta moto quanto habitantes; as vias públicas “pertencem” aos motoristas das motos, uma realidade comum e que não é estranha quem é da cidade.

Motos, todas. Elétrica também?

 

Em 2009 a marca mais produzida no Pais foi a Honda, dominando o mercado quase por completo, com 1.196.226 unidades que saíram de suas linhas de produção. E acordo com a Associação dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (ou seja, tudo...), em 2019 a liderança continuou sendo da Honda, também quase dominando o mercado mas, com menor quantidade produzida, 909.384. A queda também foi no quadro geral: em 2009 o total nacional produzido foi de 1,5 milhão de motos e em 2019, 1,1 milhão, consequência ainda da crise econômica iniciada em 2014-15 (em 2016, quando houve a primeira grande queda, a produção foi 0,8 milhão de motos).

O RN respondeu em 2009 por 2,01% de todas as motos comercializadas (no atacado) no Brasil; já em 2019, foi 1,47% do total. Diga-se de passagem, a perda foi regional pois no mesmo período o Nordeste saiu de 34,14% para 30,53%.

Pensava que todas as motos eram flex mas, vendo a estatística da entidade para 2019, descobri que não:

- 8.320 motos a gasolina foram comercializadas no Estado

- 8,551 motos eram flex

- 1 moto era elétrica

Esta é a boa novidade! Apareceu a primeira moto elétrica em 2019 no Estado. E mais curioso anda, não foi emplacada em Natal! Quem será o proprietário desta moto? Os dados de 2020 ainda não foram divulgados, quem sabe começa a novidade a ter mais visibilidade.

 

Obs: no Brasil foram comercializadas  242 motos elétricas, 84 em São Paulo mas, quem diria, a liderança ficou para Pernambuco: 85 unidades.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Comentário do dia. O papel das locadoras de veículos

 

Os comentários desta quinta-feira serão sobre o mercado de locadoras de veículos no RN e os emplacamentos de veículos novos.

Aluguel: turistas e setor público do mesmo lado

 

O RN depende muito do turismo. Era previsível que a maior parte dos veículos de locadoras fossem destinadas a este segmento.

Mas, não é bem assim: 50% da frota destes veículos é destinada para terceirização, ou seja, empresas privadas e – acredito – essencialmente o setor público. É bastante comum encontrar processos licitatórios para locação em todas as esferas públicas no Estado e em bem menor escala, processos licitatórios para compras.

Segundo a entidade representativa do setor, a Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis, 10% da frota no Estado é destinada ao turismo de negócios e o restante, 40%, para o turismo de lazer.

Comprar para alugar

 

Os dados setoriais ainda não estão atualizados para 2020 mas, surpreende saber que (em 2019) 22% de todos os veículos novos no Brasil tenham sido adquiridos por empresas de locação. É uma marca surpreendente! Em empregos diretos, foram cerca de 75 mil em todo o Brasil no ano de 2019, uma média que se mantém nos anos anteriores, de 2016 a 2018.

No RN estavam registradas 288 locadoras de veículos em 2019, um aumento em relação às 239 do ano de 2018.

Os empregos diretos no RN somaram 1.276 em 2019 e 1.219 em 2018. Curiosamente, no ano de 2017 o número era maior, 1.589; curiosamente, de novo, visto que os efeitos da crise econômica nacional não se agravaram em 2018, nenhum fato novo que afetasse substancialmente tal indicador.

Nada de Audi “0 km”

 

1.004, este é o número de veículos novos registrados em 2019 pelas locadoras de veículos no RN. Muito abaixo de 1.629 no ano anterior e um pouco maior do que 1.147 em 2017.

A marca “preferida” em 2019 foi a Volkswagen (543 unidades), seguida pela GM (230 unidades). Passaram zeradas as da PSA (Peugeot e Citroen).

Divididos por segmento, 45,6% dos veículos novos em 2019 foram os “veículos de entrada”: acredito que maior destinação para o setor público embora este segmento também tenha consumidores-turistas, normalmente ofertado pelas pequenas locadoras. Apesar de apenas 4,9%, os SUV estão em alta, foram 49 novos veículos para locação no ano que passou.

E a última vez que foi registrada a compra de um veículo tipo “esportivo” foi em 2017, uma única unidade. Quem terá sido o destinatário desta raridade? Será que não houve mais demanda em 2018 e 2019, em outras palavras, o segmento de luxo no turismo perdeu espaço?

Anote este número: 4.120

 

Este é o tamanho da frota de veículos das locadoras no RN em 2019.

Curioso é ver que há 5 Audi para locação mesmo se em 2019, como mencionado, nenhum carro novo desta marca foi adquirido: carros de “segunda mão” em locadoras?! Não imaginava houvesse esta prática, sempre acreditei que eles vendiam carros usados em vez de comprar (a não ser que tenha sido transferência entre sedes de grandes grupos nacionais). De qualquer forma, quem são os 5 que estão circulando pela cidade com Audi alugado??

Mais da metade da frota em 2019 estava em dois segmentos: 42,5% em “veículos de entrada” e 14,7% em “hatchs pequenos”.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Comentário do dia. Tratores e outros

 

Os comentários desta quarta-feira serão sobre as vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias no RN.

 

Restroescavadeira, melhorando

 

Uma estatística melhor para o RN nesse segmento foi com as retroescavadeiras, 32 no ano passado. O dobro em relação à 2019 mas, o mesmo número de 2018.

Apesar de retomar o patamar de dois anos, é muito positivo ver este expressivo aumento em um ano em que a economia perdeu todo seu referencial. Repetimos o mesmo ranking regional do ano passado, à frente da Paraíba e Alagoas

 

Obs: em um comparação desproporcional, mas para entendermos o mercado de restroescavadeiras no Brasil, em 2020 foram comercializadas novas 4465 unidades (E Minas Gerais comprou quase 1/4, foram 1.121 unidades).

Colhendo cana

 

Este, então, é um equipamento raro no RN e, aliás, em todo o Nordeste: foram apenas 6 vendas novas no ano de 2021, nenhuma colhedora de cana para o RN. No entanto em 2018 e em 2019 foram vendidas, cada ano, uma unidade no Estado. Nada mal.

 

Obs: saindo um pouco da Região, em São Paulo foram comercializadas 434 colhedoras de cana no ano passado.

Tratores de rodas

 

Na terminologia adotad, a Anfavea registra a venda por atacado no RN de apenas 171 tratores em 2021. E com uma boa notícia, um aumento importante em relação às 139 unidades de 2019 (e nem tivemos a Festa do Boi tradicional!).

Ficamos à frente da Paraíba e do Piauí no ano passado, assim como foi também em 2018. Acho que este é um indicador de vendas que os relatórios da Anfavea não revelarão grandes números nos próximos anos: não há anúncio de novos e grandes investimentos no agronegócio potiguar.