quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Hospital: crise e lucros (parte 1: a crise)

Os hospitais estão passando por mais uma transformação ou adaptação ou ainda, considerando as constantes mudanças necessárias, apenas mais uma nova fase. Aqui no RN tivemos alguns movimentos no mercado nos últimos anos com os planos de saúde “invadindo” o que era uma área isolada: de um lado os planos de saúde e do outro os hospitais. Mas, depois do hospital do Hapvida, do fim da Promater como hospital de amplo atendimento e mais recentemente o hospital da Unimed, quem não está em nenhum dos planos de saúde exclusivos destes hospitais acaba tendo mais dificuldade pela ausência de nova oferta de serviços, de grande porte.

Toda esta movimentação não tem como vínculo principal a qualidade do atendimento nem mesmo uma campanha de marketing de oferecer uma exclusividade para os associados de cada plano. É bem verdade que estes dois fatores estão presentes e podem sempre ser explorados neste novo modo de vida dos hospitais que são planos de saúde ou planos de saúde com hospitais. Mas, claramente, a motivação é outra: reduzir custos.

Os custos de atendimentos médicos para os plano de saúde têm aumentado mais do que gostariam e do que se permitem no valor das mensalidades. Dois fatos explicam este aumento, os custos de internação e a inovação tecnológica. A saúde custa caro, cada vez mais caro, e sempre que um cliente de plano de saúde se transforma em paciente internado em um hospital o valor a ser cobrado dos planos é bastante elevado; é que além do custo de mão de obra tem aquele de todo material utilizado e o da medicação, cada vez melhor e mais cara, e o fator idade, o prolongamento da vida dos brasileiros que faz que com que os custos com cuidados de pessoas idosas seja bastante elevado (e mais ainda quando há necessidade de internação na UTI). Isto é muito bom, todo este cuidado e atendimento médico, para o cidadão é a melhor respostas esperada e, particularmente, acho que não é a redução destes “custos” que deve entrar na pauta nem de hospitais nem de planos de saúde.

E há a tecnologia, um fator que eleva bastante os custos médico-hospitalares. Hoje parece que é praticamente impossível ir ao médico (em certas especialidades) sem que seja solicitado um ou mais exames com máquinas “modernas”, super invasivas e bastante detalhistas (novamente deixar claro que acho tudo isto muito bom do ponto de vista do ser humano!). Alguém tem que comprar uma máquina caríssima, garantir os insumos para poder fazer exames e pagar pelos profissionais; isto custa caro e, certamente, tudo é repassado para os planos de saúde. E não há o que fazer, pois cada médico tem sua liberdade. E neste período recente, e considerando que parte desta tecnologia é importada, assim como os insumos, a alta do dólar não ajudará em nada nesta conta.

O caminho dos planos de saúde para tentar conter os seus custos foi realizar tudo ou quase “em casa”, criando seu hospital, uma forma de diminuir o valor a ser pago ou uma tentativa de controlar os custos. O efeito disto é que os outros hospitais, aqueles que atendiam a muitos, agora têm menos clientes e, consequentemente, podem ter uma redução na demanda de serviços embora, por outro lado, os custos de implantação e manutenção no mínimo continuam os mesmos. É possível que alguns hospitais tenham uma resultado negativo com esta movimentação e, infelizmente para a população do RN, com menor demanda de serviços e internações hospitalares diminui a possibilidade e expectativa de novo investimento em hospital no RN.

Estamos no tempo de “meu plano, meu hospital”.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Até tu, Musk?

E eu que pensava que a ajuda de Elon Musk na campanha de Donald Trump era apenas uma ajuda de campanha, algo como puxar votos e fazer uma boa contribuição para o caixa de um campanha, diga-se de passagem ao estilo norte-americano que deve ser a mais cara do mundo. Achei que depois disto ele iria apenas usufruir da amizade com Trump. Mesmo depois da vitória e toda a parceria,  euainda continuava achando que não iria muito adiante.

Mas, se bem entendi nesta segunda-feira, com a posse de Trump, Musk será funcionário público! Quem diria que o super, ultra e mega milionário pudesse participar diretamente da administração pública? Fico imaginando ele com uma matrícula do novo emprego e no final do mês (se é que acontece assim o pagamento por lá) ele recebendo seu contra-cheque e procurando o depósito do salário na conta bancária dele; deve ser bem difícil mas, fica uma dica (será que ele precisa de uma dica?): basta procurar o menor valor depositado na conta dele que será o salário de funcionário.

Nada, claro, de desprezar o salário, maior ou menor, mas convenhamos que para ele um salário de funcionário público não faz o menor sentido. Nenhum, mesmo. Mas, se ele está trabalhando, tem todo o direito de receber seu salário, de ter direito a horas extras e de receber diárias... claro, não precisará de passagem aérea pois deverá ir de “condução própria”, seu jatinho (ou “jatão”)!

Voltando para nossa terra comum, o Brasil, o sonho de ser funcionário público persegue um gigantesco contingente de pessoas que tentam todos os anos diferentes concursos públicos até conseguir uma vaga, ainda que não seja aquela especial, aquela desejada e sonhada, mas é aquela que oferecerá estabilidade e garantia de salário no fim do mês. Esta cultura do funcionário público está tão incutida na mentalidade do brasileiro que fomos capazes de criar algo, que começou meio na malhação, em algo sério, planejado, organizado e com dedicação: o tal do concurseiro. Concurseiro não é profissão, mas é dedicação.

Em outros países de melhor economia ser funcionário público nem sempre é a primeira das opções, exceto talvez para as carreiras de educação e saúde que são (em vários países) verdadeiras carreiras públicas pois o serviço é predominantemente mantido pelo Estado. Não é assim nos Estados Unidos. Aliás, aqui é o poder econômico do cargo público que atrai muita gente.

Então, até tu Musk? Certamente não é uma questão de poder econômico, mas de poder político-decisório o maior atrativo do novo emprego. Até tu Musk? Sim. O poder é sempre inebriante, em português ou em inglês, em reais ou em dólar. Any questions?

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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

O (comum) desafio das drogas

Semana passada uma das notícias que circulou em todas as mídias foi o muro construído na cidade de São Paulo para isolar o espaço conhecido como Cracolândia. Entre a argumentação oficial, de proteger os públicos de dentro e de fora e de melhor coordenar o atendimento, e a contestação de que seria uma segregação, o resultado é que é mais uma tentativa de resolver um dos graves problemas sociais do mundo inteiro, e não seria diferente aqui no Brasil.

Já foram realizadas várias tentativas em vários lugares do mundo. Um delas, icônica, foi uma praça em uma cidade da Suíça em que foi oferecido todo o atendimento à população de drogados, desde a oferta de seringas (para evitar contaminações na uso coletivo), de serviços médicos e até mesmo de pequenas doses diárias de droga para tentar evitar os pequenos furtos de viciados que buscavam, de qualquer forma, arranjar dinheiro para as drogas. Não deu muito certo e um dos resultados mais surpreendentes foi que a tal praça atraiu mais drogados e até de países vizinhos! O efeito colateral, nunca imaginado, foi que a oferta de tanto serviço, inclusive de droga, tornou-se um atrativo para outras pessoas; inacreditável, mas real.

Não era um muro, como em São Paulo, mas era uma tentativa de segregação ou pelo menos de aglutinação de pessoas em local único. O princípio talvez seja de que se não pode eliminar o problema das drogas, pelo menos reunindo em um mesmo local os consumidores fica mais fácil de controlá-los. Infelizmente, não sei se dará certo.

Hoje, globalmente falando, o problema maior nem é mais a produção de cocaína da Colômbia e sua “exportação” para o mundo inteiro e por um fato bem simples: é que no mundo mais rico já desenvolveram tantas drogas sintéticas que nem precisam de área para plantio, basta um laboratório em uma casa abandonada ou um pequeno galpão. E, como apontam as informações internacionais, com a facilidade de estar próximo do mercado consumidor, sem ter que enfrentar as políticas de fronteiras. Triste realidade.

Aqui no RN também temos algumas iniciativas e talvez tenhamos bem mais, apenas não tão divulgadas. Uma delas está com a entidade Desafio Jovem Ebenezer, lá de Extremoz, que deve receber R$ 300 mil do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate Fome para um projeto com duração prevista de um ano para “promover a capacitação de profissionais, voluntários e acolhidos na fase final do tratamento do Desafio Jovem Ebenézer em Extremoz/RN visando a redução da demanda de drogas, através de cursos profissionalizantes”. É uma ação, também já utilizada em vários lugares, de promover uma saída das drogas por meio de qualificação profissional e tentativa de inserção no mercado de trabalho.

São R$ 300 mil investidos no projeto de Extremoz. Na torcida para que o resultado seja positivo. Não há solução única para a crise das drogas, infelizmente. Se o projeto superar os resultados, bem que poderiam mandar mais dinheiro para outras associações e organizações sem fins lucrativos. Espera-se que sim.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Admirável mundo novo

Hoje é a posse do mais novo presidente dos Estados Unidos, Donal Trump. Na verdade, nem tão novo assim pois ocupará pela segunda vez o mesmo mandato de um país que continua bastante poderoso não somente do ponto de vista econômico como também do ponto de vista bélico. Um desafio e tanto para qualquer pessoa, gerenciar tudo isto e tentar de alguma forma melhorar a vida de sua população afinal, este é um dos propósitos de quem chega ao cargo principal de um país, desde que pelas vias da democracia. O problema, e aí é de todos nós, é que as ações adotadas nos Estados Unidos podem ter reflexo muito direto em muitas partes do mundo ou em um punhado de países, inclusive o Brasil que, vale lembrar, não está imune neste cenário cada vez mais real.

No distante ano de 1932 o inglês Aldous Huxley publicou um livro – que depois virou filme e até série de TV – que ficou famoso, entre outras razões por seu título: Admirável mundo novo. O enredo é sobre futurismo, um futuro muito longe, o ano de 2540 em um mundo absolutamente diferente do atual não somente em função dos naturais e previsíveis avanços tecnológicos como também das mudanças sociais e da forma de ver as coisas. Tudo diferente e até mesmo meio esquisito para os padrões atuais.

Algumas pessoas neste imenso planeta estão pautando o dia de hoje não no livro de Huxley, mas no seu título, com a ideia de que a posse de Donald Trump será o começo de um outro “admirável mundo novo”. De fato, pelo menos com os anúncios pré-posse, poderemos ter um mundo diferente, mas não sei se novo; é que a ideia de anexar o Canadá e a Groenlândia, por exemplo, não tem nada de novo no contexto de anexação de territórios como não tem nada de admirável do ponto de vista político-democrático.

Parece certo que os dados econômicos globais mudarão se o discurso se transformar em rápida realidade, como querem alguns, a começar pela China, outro gigante bélico e econômico que costuma agir mais em silêncio do que disputar o noticiário internacional. O mundo já foi bipolar, no sentido das forças que o dominavam, nos tempos da Guerra Fria e agora, pelo menos do ponto de vista econômico, continuamos neste formato dual, e uma ação mais dominadora não ficaria sem resposta.

Não se trata aqui de defender ou atacar nem a direita nem a esquerda política, embora Trump não deixa dúvidas sobre seu viés político. Qualquer que seja o ideal ou a ideologia política e que esteja marcada pela ausência de democracia plena sempre beneficia um grupo menor de interessados e isto vale desde as disputas em centros acadêmicos, em partidos políticos e em alianças que dominam o poder de um país, de um estado ou de uma cidade. O resultado da hegemonia não-democrática tende a ser ruim e até muito ruim, com a diferença de que antigamente demorava mais para sofrermos com as consequências e hoje é tudo muito rápido.

Como nos ensinou há muito tempo um cara chamado Newton, naquilo que ficou conhecido como a terceira lei de Newton, à toda ação corresponde uma reação e, segundo ele, na mesma intensidade e, claro, no sentido oposto. Não sei se hoje começa um “admirável mundo novo” mas, se algo novo estiver começando espero que não seja no formato da obra de Aldous Huxley.

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sábado, 18 de janeiro de 2025

Kibon também é vintage

Dois nomes cresceram em gerações e condições bem diferentes: Kibon e a palavra de origem inglesa (na verdade, derivado do francês) vintage. Para quem foi criança-adolescente nos anos 1980/90 sabe bem o que representava o nome Kibon, garantia de festa bem movimentada, animação certa; aqui no Nordeste, mais especialmente em Natal, o nome ganhou muito espaço quando comprou a Sorvane e passou a ser Kibon-Sorvane por alguns anos. A Kibon, que sempre foi uma multinacional, mudou muito ao longo dos anos e adotou até uma identidade visual que era (acho 100%) global, embora com outros nomes em outros países.

Mas, ainda sendo nostálgico, e por causa da novidade, nos anos 1990 comprar um picolé Kibon tinha quase uma motivação principal, ou duas: teve um tempo em que os palitos de picolé eram em plástico, e coloridos, que permitiam a montagem para criação de alguns objetos, a depender da criatividade e da quantidade de palitos que cada um tinha (não era um Lego, claro, mas lembrava um pouco o conceito) e depois teve o tempo do “palito premiado” em que a ansiedade da turma jovem era consumir logo o picolé para saber se havia uma inscrição no palito com direito a um novo picolé, 100% de graça! Era pura emoção saber quem ganhava o picolé extra.

Pois bem, como se dizia antigamente, a Kibon voltou com a promoção do picolé premiado! Mas, nem adianta sair procurando aqui em Natal ou no RN esta promoção, pois foi criada – e por pouco tempo – apenas em algumas praias do litoral paulista, Bertioga, Caraguatatuba, Guarujá, Santos, São Sebastião e Ilhabela. Não vi ainda notícia de seu certo, se virou “febre” entre a turma mais jovem de sair buscando a premiação e querendo comprar um picolé Kibon todos os dias, várias vezes ao dia; acho também que os adultos de hoje, crianças-adolescentes dos anos 1990 (quando foi lançada a promoção) até entrarão na onda. E em breve alguém aqui no RN que esteja passeando por uma destas praias postará uma foto no Instagram ou no Tik Tok com a conquista do prêmio (eu nem faria a troca, guardaria o palito para mostrar para todo mundo...).

Esta é mais uma prática do conceito vintage – embora picolé não seja vintage, claro! –, da proposta de resgatar a memória de tempos passados para conquistar novos e mais jovens clientes mas também de fazer com que pessoas que viveram naquela época possam usufruir do passado, de foram real, presencial, com um objeto concreto, ainda que tenha sido fabricado recentemente mas com todo o design de antigamente (se você tem dúvida basta ver os lançamentos de toca-discos modernos que resgatam todas as características dos modelos antigos; e até vendem bem). Para os que são contrários ao consumo ou consumismo deve ser uma tortura rever estes relançamentos, o tal consumo “afetivo” ou “confortável” em que se recupera a memória para validar uma velha-nova proposta comercial anos e anos depois; a indústria do consumo cultural que o diga.

O mercado é assim mesmo, aproveita as oportunidades e quando elas estão pausadas, basta recriá-las com nova roupagem ou novo marketing para tentar validar e revalidar produtos e serviços de sucesso. Não teremos estes picolés premiados da Kibon em Natal. Pelo menos por enquanto.

Mas, quem sabe pode inspirar a concorrência? Poderíamos ter nossos picolés-sorvetes com marcas de qualidade lançando sua própria campanha. Seria uma boa ideia. Eu entraria na fila para prestigiar a ideia e as empresas do RN; mais de uma vez!
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Netflix Natal ou Netflix RN

As mudanças tecnológicas estão afetando há pelo menos duas décadas as audiências dos canais mais tradicionais de televisão, que comumente passaram a ser chamados de canais aberto. É claro que a concorrência começou bem mais cedo quando os canais a cabo ou tv por assinatura começaram a aparecer com suas programações variadas e principalmente com a quantidade de canais temáticos, entre filmes e jornalismo, entre desenho animado e esportes. Era um concorrência desleal visto que a tv a cabo permitia ter em casa vários canais com diversos programas enquanto os canais tradicionais tinham que que incluir em sua programação tudo o quanto era possível para poder agradar um universo maior de clientes, em um único canal.

Esta novidade deixou de existir, há anos. Os canais de tv a cabo e seus pacotes com 50, 60, 70 e até 100 opções de canais estão sofrendo uma outra concorrência, passando pela mesma dificuldade estratégica das tv abertas: como concorrer com os canais de streaming que oferecem um outro serviço, além da diversidade – que passou a ser uma exigência básica –, a de poder escolher a hora de assistir o que quiser. Algo, para os mais antigos, como um videocassete em que a gente gravava alguma coisa que queria ver pois estaria ocupado ou fora  de casa naquela hora; o streaming faz isto sem a gente precisar se preocupar, e nos permite assistir o que quiser e a qualquer hora.

É mais ou menos como ter o acervo de muita coisa disponível para acessar ou, em outras palavras, a tv passou a ser igual à internet: está tudo lá apenas esperando que a gente faça a nossa opção, e aquele canal que tem um mesmo nome para todos não exibe a mesma programação para todo mundo ao mesmo tempo. Temos agora um gigantesco menu para escolher um amplo “à a carte” de acordo com a vontade daquele dia, daquele momento.

O curioso é que Netflix, de certa forma, inaugurou um pouco este conceito de diversidade a todo tempo mas, na verdade quem acertou primeiro ou pelo menos quem conseguiu primeira chegar ao grande público foi o You Tube. Para termos uma dimensão deste espaço, apenas a plataforma You Tube já corresponde a 10% de toda a audiência de todas as televisões do mundo! Pode até parecer pouco, mas se considerarmos que muita gente neste mundo não tem acesso à internet, é um resultado surpreendente.

E o que é melhor e mais surpreendente é que todo mundo trabalha de graça para o You Tube. Sim, cada vez que alguém coloca um conteúdo novo e permite a visualização gratuita, apenas está ampliando o leque de opções deles, está contribuindo para a audiência deles e para a fixação da ideia de que tudo (ou quase tudo) está com eles. E mesmo que não seja deles, vale destacar, parece que foi o You Tube quem promoveu.

O consumidor já entendeu esta lógica e sabe bem como utilizá-la. Mas, a concorrência é acirrada, de conteúdo e acesso, entre Netflix e You Tube; e continuará. Talvez, quem sabe, teremos mais de uma Netflix no futuro breve, com seus nomes, assim como a tv cabo exibe vários canais em um pacote promocional de vendas. Se isto acontecer de verdade teremos, quem sabe, uma Netflix Natal ou Netflix RN. E aí precisará de conteúdo, de muito conteúdo; e será o tempo em que seremos, aqui, consumidores de informação mas também as produziremos. E passaremos a apresentar o RN, mais e melhor.

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Sabemos escrever redação?

A divulgação do resultado das provas do Enem 2024 foi surpreendente em relação à nota máxima na prova de redação: apenas 12 pessoas, um dúzia de sortudos, competentes, excelentes etc e quaisquer outras formas de denominação conseguiram obter maior nota, o que seria um “dez! nota dez!”, como se dizia na apuração do Carnaval do Rio de Janeiro.

Doze, apenas. Nem é pouco, é simplesmente irrisório, ridículo que em mais de 3 milhões de pessoas que fizeram a prova e, vamos imaginar que quase todos tenham feito a redação neste universo tão gigantesco, somente 0,0004% conseguiram acertar tudo ou pelo menos não errar nada. Mal comparando, a probabilidade de acetar a Mega-sena com uma aposta única, a mais simples, é de 0,00002%. Em outras palavras, quem ganha na Mega-sena é muito, mas muito sortudo e quem ganha nota máxima na redação do Enem também é um pouco sortudo.

Claro que são sortes diferentes! Digo  sorte pois a prova é corrigida por dois professores e há milhares deles para corrigir tantas provas e apesar de todo o tecnicismo que é exigida na “folha de rosto” de correção, deve-se ter um pouquinho de sorte. É evidente que a nota máxima não é nenhum demérito de quem a conseguiu, pelo contrário! É um sucesso que deve ser plenamente comemorado e plenamente reconhecido e seus autores deveriam receber no mínimo uma medalha ou um diploma adicional do Inep, órgão federal que organiza as provas.

Fico imaginando quantos conseguiram 990, 980, 970, 960 ou até 950 na redação, faltando tão pouquinho para a nota máxima. No mínimo, falta de sorte ou uma palavra escrita de forma errada, uma vírgula fora do lugar ou um argumento que não foi bem aceito etc.

O grave, na minha opinião, é que tamanha excelência em tão grande universo de candidatos pode acabar desestimulando alguns candidatos ou deixando outros mais aflitos por ter “apenas” obtido um 980 ou 990. Do ponto de vista técnico, deve estar  em compatibilidade com o edital mas, do ponto de vista pedagógico e do ponto de vista institucional acho que este rigor na correção das provas pode ser um pouco menor. Entendo plenamente que os mais tecnicistas defenderam o rigor do edital e argumentarão que a prova é corrigida por pessoas diferentes e que não se conhecem etc; concordo, mas também discordo um pouco, pois se a correção fosse apenas restrita à parte gramatical bastaria chamar o ChatGPT e o resultado sairia em menos de 24h. Mas, ainda é uma tarefa humana que exige leitura e compreensão do texto, uma avaliação pessoal do que foi escrito.

Em outra comparação, ano passado foram 60 pessoas com nota máxima, um número “bem maior” do que deste ano, cinco vezes mais. Da mesma, em uma comparação proporcional, os estudantes com nota máxima no ano passado foram 5 vezes melhores do que os estudantes com nota máxima este ano... Claro que a comparação não pode ser assim, pois não é estritamente tecnicista. Em outra forma de avaliação e ao mesmo tempo de pergunta, o que explica esta queda tão “vertiginosa” na redação de 2024 comparando com a redação de 2023? Foi o tema, estava mais fácil ano passado ou mais difícil este ano? Difícil de avaliar e difícil de saber, ainda que se analise todas as provas de redação.

O que vai mudar para 2025? Provavelmente nada. Talvez tenhamos apenas 1 nota máxima, para seguir a tendência de queda, ou talvez tenhamos muitas notas máximas; devemos apostar em 0,0004% ou podemos apostar em um crescimento 10 vezes maior para chegarmos a outro tão pouco, apenas 0,004%? Quem arrisca?

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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

9 emendas para a Uern e Ufersa

As emendas parlamentares, objeto de tanto debate em Brasília, tem seus efeitos diversos na sociedade brasileira, como já vimos, com valores destinados a ONG que fazem um trabalho mais direcionado para o padrinho ou a madrinha que destinou recursos do Orçamento. Aliás, isto não é novidade de agora, já faz tempo que este direcionamento ocorre em todas as esferas, seja federal, estadual e municipal. Aqui já cabe uma primeira ressalva: direcionar recursos de emendas parlamentares para ONG que contam com apoio dos parlamentares não é, pelo menos em tese, nada ruim nem contraditório, afinal é mera liberalidade do parlamentar escolher para quem vai mandar o dinheiro assim como, naturalmente, escolherá a entidade que tenha alguma afinidade de trabalho, pessoal ou até mesmo ideológica.

Outras emendas, infelizmente, são necessárias, mesmo aquelas que se destinam para órgãos públicos. Digo “infelizmente” pois o orçamento de cada ente público deveria ser suficiente para realizar seus projetos comuns, dentro da perspectiva de gerenciamento das contas mesmo quando exigiria algum controle de despesas, algo que não tem nada de esquisito e que todos nós fazemos quando temos um projeto ou um investimento novo: uma das alternativas mais viáveis é reduzir uma despesa aqui para alcançar um projeto ali.

Aqui no RN encontrei informações de emendas parlamentares de 2024 para a Ufersa e para a Uern, não achei as da UFRN (acho pesquisei pouco). No ano passado a Ufersa teve emendas no valor de R$ 5,5 milhões enquanto a Uern recebeu (de parlamentares federais) menos, R$ 1,5 milhão. Quando se observa o valor das emendas com os recursos que recebem para suas despesas anuais, não é algo impactante, talvez uma economia aqui ou ali, uma otimização de despesas em um dos centros de custos poderia contribuir da mesma forma.

Mas, é a regra do jogo, as emendas estão aí e então cabe a cada um do setor público ou do setor privado buscar uma nova e inesperada fonte de recursos, fazer gestão com os senadores, deputados federais e estaduais e sem esquecer os vereadores para que apareça um extra ao longo do ano. Não seria, claro, nada ruim para quem vai receber. E, vale dizer, são várias opções disponíveis. No ano passado, por exemplo, a Ufersa recebeu emendas parlamentares dos Deputados Federais General Girão e Benes Leocádio e dos Deputados Estaduais Sargento Gonçalves e Paulinho Freire e do Senador Rogério Marinho, enquanto a Uern recebeu dos Deputados Federais Fernando Mineiro, João Maia e Natália Bonavides  e do Senador Rogério Marinho.

No total, foram 5 deputados federais, 2 estaduais e 1 senador (com duas emendas) que “investiram” em projetos destinados às universidades no RN, com quase R$ 7 milhões. Na verdade, o valor financeiro é pequeno mas, considerando a quantidade de pedidos que os parlamentares devem receber ao longo do ano, não deixa de ser um privilégio para quem consegue alguma coisa. Em 2025 as emendas já foram definidas; quem não correu atrás, é esperar por 2026 e torcer para que, em pleno ano eleitoral, a regra não mude.

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Juros: muito e pouco

 O órgão que regulamenta e autoriza a taxa de juros para os empréstimos consignados do INSS decidiu autorizar um aumento, onerando o custo para os aposentados. A decisão é recente e já está em vigor para 2025, lembrando que tivemos um longo embate há alguns meses quando houve a decisão de criar um teto da taxa e que gerou insatisfação por parte de algumas empresas e bancos, argumentando que os custos não compensariam, não seria mais vantajoso oferecer dinheiro para empréstimo. Foram derrotados nesta luta e os bancos oficiais contribuíram, de certa forma, para a decisão governamental.

Agora, com a nova taxa de juros do mercado e os aumentos sucessivos da chamada taxa Selic, não teve jeito: o teto que era de 1,66% ao mês terá um pequeno reajuste, passando para 1,8%, e isto para os empréstimos em que o pagamento ocorre diretamente com o desconto na folha, ou seja, para aqueles em que o risco é bem menor, quase zero. A diferença neste aumento é pequena, apenas 0,14% ao mês, algo imperceptível para a maioria dos aposentados, principalmente para aqueles que fizeram empréstimos para pagamento em um curto período de meses.

Fazendo as contas, quem tinha um consignado de R$ 10 mil reais teria um total (em um ano) a pagar de  R$ 13.203,79. Mas agora, com a nova taxa, o valor será de R$ 13.406,90, uma diferença de R$ 203,10 ou, se você preferir, um custo adicional mensal de R$ 16,93. É um valor baixo, sem dúvida, cobrado a mais por mês. A questão para o aposentado é que o consignado tem uma duração maior no prazo do pagamento e isto acaba onerando as contas.

Com a antiga taxa de juros o valor do empréstimo consignado era de 19,92% ao ano e passará para 21,6%. E em um empréstimo de 5 anos, por exemplo, o aumento será impactante, é como se o aposentado tivesse um aumento de mais um ano de juros em suas despesas; a conta, nesta hora, já pesa e poderá impactar mais efetivamente na receita da família.

Por outro lado este simples aumento é muito interessante para os bancos, as empresas de consignados e os agentes financeiros que fazem os empréstimos. É que quando se multiplica este aumento pelos milhões (dezenas de milhões?) de pessoas que fazem consignados todos os anos, a receita das empresas terá um bom salto, e 2025 será um ano bom para eles.

De quem é a culpa deste aumento? Da taxa Selic, claro. Com o patamar de 14,25% não há outra solução, tudo fica mais caro, a começar pela mercadoria mais valiosa deste mundo, o dinheiro. O valor da taxa dos consignados pode ser definido por “lei”, por alguma norma editada; já a taxa Selic segue outra, aquela conhecida de todos nós, a “lei do mercado”, também conhecida por ser incontrolável.

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sábado, 11 de janeiro de 2025

Onde estão nossos imigrantes?

 Conhecemos as histórias no Brasil da imigração italiana e japonesa, vários relatos já foram transmitidos da chegada destes imigrantes ainda no início do século passado, praticamente toda concentrada em São Paulo e no Sul do País. As influências italianas e japoneses, embora muito presentes em São Paulo, se espalharam em todo o Brasil e hoje praticamente incorporamos muitas práticas no nosso dia a dia, em especial no que se refere à gastronomia. Quem percorrer o Sul do Brasil encontrará também a presença da imigração alemã, polonesa, lituana  etc.

Aqui no Nordeste os fluxos migratórios foram menores, bem menores. E no RN, não tivemos um fluxo migratório para fazer parte de nossa história. Mas, temos a história de um mini-fluxo, digamos assim, de imigração japonesa que chegou aqui no RN em 1956, uma tentativa de conciliação de experiências diferenciadas e que foi patrocinada pelo Governo do Estado. Foram poucos e ficaram poucos.

As condições imaginadas e talvez até mesmo prometidas não se transformaram em realidade no território potiguar e resultou nesta única experiência, seja com os japoneses seja com o incentivo e atração de outros grupos imigrantes estrangeiros. Tentaram e não deu certo.

Aqueles que aqui chegaram foram divididos em dois grupos com destinos geograficamente bem distintos: um grupo ficou em Pium, aqui perto de Natal, enquanto o outro foi para Punaú. A realidade, em 2025, destas duas, digamos, minicolônias é apenas pontual: há um bom tempo estive em Punaú e a única referência que escutei e que havia na cidade a “casa do japonês”, mas que era uma família muito reservada, havia pouca interação deles com a população local e vice-versa. Em Pium há notícia da resistência de um núcleo familiar mas, infelizmente não conheço.

Na época quem ajudou com a tentativa de resultados com estes imigrantes foi a Igreja Católica, com intervenção direta de Dom Eugênio Sales, um trabalho de aproximação, de valorização e de integração com o grupo estrangeiro. Recordo – infelizmente! – de poucos detalhes que meu pai comentava sobre o trabalho da Igreja, principalmente em Punaú onde houve uma intervenção ainda maior para beneficiar toda a população, em especial a educação de base com os rádios que eram distribuídos para que tivessem acesso à educação. Houve até mesmo a criação da Casa do Estudante Japonês, em Natal.

Claro que recebemos (relativamente) muitos estrangeiros no RN mas, nada de um fluxo migratório programado ou intenso. Temos um bom número de estrangeiros morando no RN, principalmente na Grande Natal e nos destinos turísticos mais voltados para o turismo internacional; mas temos na economia produtiva uma única influência estrangeira na área do agronegócio, com japoneses que investem na cultura do melão na região mossoroense. Mais recente, com a crise da ditadura na Venezuela, recebemos alguns imigrantes. Mas, acho que ainda desconhecemos muito da cultura venezuelana pois parece que a ação humanitária de acolhida foi o motivo principal; não sei, por exemplo, se temos alguma lanchonete ou restaurante que ofereça parte da culinário venezuelana (até teria curiosidade de conhecê-la!).

Onde estão os imigrantes do RN? Tudo indica, dispersos.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Museus “para inglês ver”

 Sim, temos museus no RN! Sim, temos museus em Natal, alguns popularmente mais conhecidos e outros menos visitados e até mesmo menos divulgados. Mas temos, além de museus, outros pontos culturais em Natal, a cidade do RN que recebe maior número de turistas. E estamos em plena safra do turismo, para quem tem alguma dúvida basta ir em Ponta Negra na parte da noite ou circular pela via Costeira durante o dia para contar quantos bugres passam diariamente por lá cheios de turistas em direção às praias mais distantes da Capital.

Nosso turismo é e sempre foi o tal do “sol e mar”. É uma característica presente em várias cidades do mundo, seja a (decadente?) Cancún sejam as cidades do Mediterrâneo sejam os destinos paradisíacos da Ásia: acho que poucos são os que se propõe viajar até as Maldivas ou Fidji colocando como prioridade outra justificativa a não ser as belíssimas paisagens das ilhas e praias; claro, acompanhadas dos resorts e dos coquetéis na beira da praia. Não acompanho muita esta turma, nem destes influenciadores, mas dentre as fotos mais populares não estão as visitas às feiras de artesanato, a paisagens interiores ou até mesmo aos museus ou centros de exposição...

E é assim o tal do turismo de “sol e mar”. Funciona e funciona muito bem desde que acompanhado de outras características, de outros aspectos que realcem a memória do visitante e que faça parte de seu destino exceto, claro, se a intenção da viagem é apenas ficar na praia o tempo todo. Mas, quando o destino turístico oferece outras oportunidades de atividades de lazer, ele fica bem mais atrativo. Em geral, o turista sente-se atirado – além das belezas naturais – por atividades esportivas, gastronomia e cultura.

Para ficar no tema da cultura, muitos museus no mundo inteiro são famosos e tornam-se ponto de visitação mesmo para aqueles que não são, por exemplo, os principais amantes das artes. Basta lembrar que em São Paulo o Masp é o museu mais visitado e nem por isto frequentado apenas pelos amantes das artes, profissionais e estudantes do ramo. É que torna-se emblemática a visita pela oportunidade que oferece de conhecer um museu com suas riquezas e diversidades. É algo – aliás, que aconselho – vale a pena visitar quando passar (ou passear) por São Paulo.

Aqui em Natal temos museus. Não os conhecemos tão bem e talvez pelo fato de não terem o mesmo reconhecimento externo, digo, de quem vem de fora e busca o museu com uma opção e lazer e de cultura. O mais conhecido, por nós, é o Câmara Cascudo mas, acho, pouco visitado pelos natalenses. Talvez o mais visitado aqui na Grande Natal seja aquele em Parnamirim que tem um modelo de avião (sempre me pergunto se é real!) e outro de um foguete: é que ele está no meio do caminho do turista que segue para o Litoral Sul e acaba aproveitando para parar e ver o que há por lá.

Temos museus em Natal. Nem todos estão neste “meio do caminho do turista”. Mas, bem que poderiam estar e poderia ser justamente agora, na alta estação. Mas não para ser um museu “para inglês ver”, para usar a velha expressão debochada, mas para francês, português, espanhol, argentino etc ver assim como também para paulista, carioca, pernambucano, cearense etc ver. E também os potiguares.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Faltam 100 dias

 Faltam 100 dias para o 18 de abril, a data em que se comemora a Paixão de Cristo, um grandioso e tradicional evento religioso que é celebrado em todo o Brasil, alguns lugares com grandes apresentações e forte participação popular, enquanto em outros com participações mais restritas às igrejas católicas e ao público mais devoto. Neste dia de religiosidade nacional e assim como acontece em outras datas (Páscoa e Natal, por exemplo) o “mercado” aproveita a oportunidade para movimentar a economia, em especial quando a data permite, para transformá-la em evento turístico, ou seja, torna-se uma oportunidade real para que toda a cadeia aproveite para aumentar seu faturamento, da empresa de aviação, passando pelos hotéis e sem esquecer o artesanato tradicional e até mesmo aquele “artesanato” industrializado-chinês, das lembrancinhas que muita gente leva para casa, família e amigos.

Faltam 100 dias. É apenas a simbologia do número 100, já que vivemos em um mundo matemático decimal, esta fase de dezena, centena etc parece ser um marcador nas ações que programamos e realizamos.

Faltam 100 dias... e repito isto para lembrar que é tempo de começar a planejar o 18 de abril como uma data de promoção do nosso turismo, do destino Natal mas também dos destinos Pipa, São Miguel do Gostoso, Caicó, Pureza, Martins, Jaçanã etc. Temos muitos destinos turísticos que podem ser promovidos de acordo com suas características e também, claro, de acordo com o público-alvo que se pretende alcançar, do turista internacional ao turista nacional, de longe e de perto, e o turismo regional, sem esquecer o turismo de vizinhança, este último geralmente desprestigiado e nem sempre valorizado como “destino” pelos tais operadores de turismo ou até mesmo pela mídia e os tais influenciadores.

O tempo é curto, a depender da programação pretendida e principalmente da captação de turistas que se pretende fazer. Para o turismo de vizinhança talvez 1 ou 2 semanas sejam suficientes para mobilizar um bom público mas, é um tempo muito curto para atrair visitantes do Rio Grande do Sul ou de Brasília e praticamente inconcebível se a ideia é trazer mais argentinos, portugueses, espanhóis etc

Estamos na nova fase de novos prefeitos, muitos com boas ideias e muitos com boas ideias que terão que esperar mais um pouco para colocá-las em prática diante da situação em que encontraram a administração municipal. Este primeiro ano de novos mandatos pode até ser que os 100 dias exijam foco na questão interna mas, para aqueles municípios em que a transição foi mais tranquila e que a gestão das contas está mais estruturada, dá tempo de se organizar para um novo ciclo no turismo potiguar. Mas, atenção, o novo ciclo que menciono não significa abandonar o que foi feito, pelo contrário, mas aproveitar o que já existe e melhorar – sempre é possível – para promover um pouco mais os destinos turísticos e, principalmente, envolver mais o empreendedor local neste momento: como aumentar a oferta de produtos e serviços com mais fornecedores, como ampliar as oportunidades para o empresariado local já que pretende-se trazer mais turistas etc.

E, sempre muito importante, como fazer com que o aumento do turismo seja percebido como algo positivo pela população local afinal, é ela (ou melhor, somos nós) que está recebendo quem vem de fora para ser recebido com toda cortesia, atenção e respeito; algo que deve ser sempre retribuído. Faltam 100 dias e se é pouco para o 18 de abril, refletir sobre como serão as outras datas turísticas é planejar; sempre bom.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Hyrox, em breve em Natal?

Nunca tanta gente correu tanto neste Brasil, nestes últimos anos. As tais corridas de rua tornaram-se verdadeira febre em todo o Brasil, e não seria diferente, também aqui em Natal. Não faz muito tempo a única corrida de rua que tinha mais visibilidade era a São Silvestre, em São Paulo, geralmente mais concentrada em corredores mais profissionais ou mais habituados ao esforço; mas isto era antigamente, bem antigamente. É que neste 2024 o limite de 37,5 mil inscrições foi atingido e tornou-se, depois da corrida de F1, da Parada Gay ou da Bienal, um dos eventos que mais movimenta o mercado turístico na capital paulista.

Aqui em Natal se a gente circular mais um pouco pela cidade tem-se a impressão que quase toda semana tem alguma corrida para acontecer. E a sensação ficou maior ainda depois que, finalmente, alguém teve a excelente ideia de colocar faixas avisando que haverá interrupção daquela rua ou trecho, por causa de uma corrida; antes, a gente sabia que não poderia circular ali quando chegava por perto e sofria com o engarrafamento. Temos corridas perto do Arena das Dunas, na via Costeira, em Tirol/Petrópolis, locais que mais concentram esta atividade que também, acredito, reflete um pouco o mercado e a demanda local por estes eventos. Considerando que para participar há um valor de inscrição e que algumas pessoas aproveitam para exibir roupas, acessórios e calçados novos ou da moda, para quem tem mais renda é mais fácil participar deste “circuito” de corrida e de moda.

É bem verdade também que encontramos hoje um grande número de academias em todos os bairros da cidade. Parece que estamos vivendo o auge do culto ao corpo e não apenas o auge do culto à saúde; para alguns poucos, as duas coisas. Este hábito de práticas esportivas ou de ir para academia nunca foi muito presente em Natal ou no RN como tem sido agora tão intensamente, mas sempre foi um hábito carioca e talvez pela possibilidade de utilizar a orla da Capital, bem diferente da nossa realidade, muita mais dedicada aos bares (e bebidas) do que à prática de exercícios beira-mar. Mas, mudamos.

E também está mudando o formato de corridas de rua. Claro, na essência é a mesma coisa, marcar um trecho na cidade e colocar os clientes para correr, todos com a mesma camisa e todos que completam o trecho ganham sua medalha, o que permite criar uma verdadeira coleção no formato “participou, ganhou”, sem o real espírito de competição esportiva em que ocorre o “ganhou porque venceu”. Detalhe, simples detalhe dirão aqueles que fazem as corridas e que sempre perguntam “cadê minha medalha?”.

Mas, como tudo muda e como tudo pode ter uma inovação, agora está surgindo uma outra forma de correr na rua e como é novidade, o nome também é novo, e já devemos nos acostumar com o termo: hyrox. E o que vem a ser hyrox? Uma corrida de 8 quilômetros dividida em 8 trechos de 1 quilômetro, cada, e intercalados uma série de exercícios a cada parada, cada um diferente. É uma diversidade, uma verdadeira academia ao ar livre mas, sem a tal da esteira: você corre, para, faz exercício, corre de novo, para de novo, faz exercício novo e... recomeça até completar o circuito dos 8 quilômetros.

Não sei se já chegou em Natal. Mas provavelmente em breve, se alguém convidar você para o hyrox no próximo domingo, não se assuste; se você tiver preparado e aceitar o convite terá a chance de aumentar seu quadro de medalhas, mais uma ao estilo do Barão de Coubertin, “o importante é participar”.


terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Salman Khan: AI, AI e AI

Salman Khan é um professor que abandonou sua carreira quando decidiu que poderia ensinar conhecimentos de forma mais didática e o objetiva e gravar estas aulas no YouTube para disponibilizar gratuitamente ao seu público. Já faz mais de uma década que tudo isto começou e hoje, com sua Academia Khan, o norte-americano de origem bengalesa está sendo cada vez mais observado e cada vez mais lido; ele já publicou várias obras e dentre as mais recentes está o livro “Admiráveis ​​palavras novas: como a IA revolucionará a educação” (Brave new words: how AI will revolutionize education), ainda não lançado no Brasil.

O título é autoexplicativo e mexe com muitas informações e principalmente com muitas convicções que temos no mundo social e no mundo educacional, em particular. Não temos como abandonar a ideia de que a AI (ou IA, inteligência artificial) já mudou muita coisa em nossas vidas e de forma muito rápida. E olhe que ainda estamos a descobrir o que mudará pela frente, quais atividades serão promissoras, que tipos de emprego ficarão para trás e quais os riscos de tanta tecnologia evolutiva – mas também invasiva – pode gerar na mão de pessoas ruins e de governos ditatoriais. Mas, é fato, sim, nós temos a AI e muita gente, mesmo em casa, já está utilizando, sem medo, sem preconceito ou até mesmo sem saber exatamente o que isto significa.

A mudança é gigantesca e muito rápida. E, talvez um dos pontos graves desta história em construção é que os impactos na educação ainda não foram totalmente avaliados e, mais ainda, não sabemos como incluir a IA na educação formal, nas escolas e desde cedo. Não podemos, claro, comparar com a calculadora em sala de aula que “atrapalharia” as aulas de matemática e que geraram opiniões diversas e distintas; agora, com a IA o impacto e efeito está em todas as disciplinas, aliás em todas as atividades nas escolas.

Parece que nos anos finais das escolas e nas universidades (da graduação à pós-gradiação) a IA encontrou um forma mais operacional de utilização, tamanha a facilidade em “fazer” trabalhos escolares/acadêmicos, realizar “pesquisas científicas”, “criar” apresentações em sala de aula e até mesmo, infelizmente, “escrever” artigos científicos. São aspectos pontuais que contribuem/atrapalham a formação educacional.

Mas, resta uma questão: a partir de quando, de que idade, em sala de aula as crianças já poderão utilizar a IA? E não somente como utilizá-las, que é outro grande problema, com um adicional, ainda mais grave: os professores que ensinarão a utilização da IA em sala de aula já sabem como fazer? Ora, se para as crianças está tudo a começar, imagine então para as gerações de professores que não tiveram nenhuma formação na área simplesmente pelo fato de que quando se formaram sequer existia IA no mundo! O problema, claro, é grave mas com solução.

“Admiráveis ​​palavras novas: como a IA revolucionará a educação”, é não somente o título do livro de Khan como também uma dura realidade a enfrentar. Temos que estar todos preparados. E o mais curioso com tudo isto é que para a nova formação dos educadores e dos professores um dos aliados mais importantes poderá ser a IA! Ou, se preferir, AI, AI e mais AI para todos. Estamos prontos?


segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Jimmy Carter, quem diria

A morte do ex-Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter trouxe à tona várias histórias suas, de resultados positivos – e por isto o Prêmio Nobel da Paz – à fracassos internos – por isto a perda retumbante na sua tentativa de reeleição, para Ronald Reagan – e outras histórias talvez menos relevantes para o noticiário mas que nos apontam algumas curiosidades bem interessantes.

Uma delas foi a implantação de painéis fotovoltaicos na Casa Branca durante seu mandato, há muito tempo, 1977 a 1981. O que me impressionou com esta notícia foi o período em que esta medida foi implantada, há mais de 40 anos! E pensar que os debates globais sobre meio ambiente tomaram corpo e maior visibilidade apenas no ano de 1992, com a Conferência da ONU no Rio de Janeiro, a Rio-92 ou Eco-92.

Nos idos dos anos 1980 falar de energia renovável deveria soar como conversar sobre inteligência artificial, robótica ou internet, ou seja, algo totalmente romantizado, grandes esperanças de mudanças, ainda que os termos sequer existissem ou até mesmo grandes sonhos de mudanças. Hoje é bastante natural e já mudou a paisagem no mundo e no RN encontrarmos placas fotovoltaicas e, vale lembrar, independentemente do município do da atividade; das grandes indústrias, aos comércios e passando por pequenas e modestas casas já parei de me surpreender andando pelas cidades do RN tamanha a quantidade de projetos existentes mas, como uma diferença substancial em relação à outros países, é que aqui a indicação para a instalação dos painéis fotovoltaicas não é uma questão ambiental, é apenas uma questão econômica.

Quando Carter encerrou seu mandato uma das medidas iniciais de Reagan foi retirar as placas fotovoltaicas. O projeto, claro, foi totalmente abandonado e causou grande atraso no desenvolvimento desta tecnologia, na melhoria ambiental global assim como na liderança econômica daquele país. A perda desta imensa oportunidade é sentida economicamente até hoje pelos Estados Unidos, afinal cerca de 80% da cadeia de fornecimento de placas fotovoltaicas está localizada na China, é quem domina o mercado global. Na Europa, por exemplo, as empresas que ainda estão por  lá sofrem com a concorrência chinesa até mesmo para as indústrias de recuperação, a tentativa de conserto e reaproveitamento das placas: ainda sai mais barato comprar uma nova placa do que consertar a atual.

Hoje a tecnologia é tão simplificada que a vantagem econômica está na produção em série, a tal da economia de escala, competência econômica em que a China é quase imbatível. Aqui no RN temos várias empresas que atuam na prestação de serviços de instalação das placas, acho até que a concorrência deve estar perto mais apertada e o preço parece ser o diferencial maior. Somos grandes “produtores” de energia fotovoltaica, acho que os maiores parques do Brasil estão aqui no RN, com domínio da tecnologia chinesa.

Acredito que neste ritmo de expansão em alguns anos poderíamos até ter um setor de self service das placas fotovoltaicas nas lojas: basta comprar o kit, a placa, os fios e uma “caixa de medidor” para fazer a conexão. Mas, o ideal mesmo seria termos kits menores, portáteis, em que poderíamos instalar uma destas placas e ligar o micro-ondas, a TV, o tal do air fryer etc; fácil de instalar, caberia em qualquer espaço da casa e dispensaria os custos de instalação. Se tivesse um destes kits e a preços acessíveis, instalaria rapidamente um no meu apartamento!