Não,
não é uma proposta de autobeneficiamento, mas sim uma nova Lei estadual, a
12.694, que foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado e que criou o “Programa
estadual de capacitação em tecnologias para pessoas idosas”, como está
formalmente identificada, com foco nas pessoas com 60 anos ou mais. Ideia
interessante, ainda que um pouco difícil de implementar em algumas cidades e
localidades, partindo da premissa de que quanto mais distante do acesso às
tecnologias – essencialmente a internet – maior é também o distanciamento da
população idosa dos benefícios da tecnologia e, consequentemente, maior será o
esforço necessário para criar tantas capacitações para tantos grupos de
pessoas.
Não
é, claro, um prenúncio pessimista de que não dará certo! Nem nada contra a
ideia, mas um alerta, se é que posso assim me expressar sem contrariar qualquer
pessoa (idosa ou não), da necessidade de uma estratégia bem focada nos resultados
esperados, partindo naturalmente de uma abordagem ancorada na andragogia, desde
que devidamente aplicada (de forma prática) com os cursos, treinamentos etc.
O
desafio tecnológico é extenso, mas não acho que para o contexto básico esteja se
acentuando. Primeiramente, o que chamo de “contexto básico” é a situação atual
em que muitas pessoas idosas são usuárias de tecnologias e de internet via
celular, muitas vezes por uma questão de necessidade e muitas vezes, também, para
utilizações mais simplificadas, do uso de aplicativos, acessos à páginas de
internet, às redes sociais etc. E este “contexto básico” é bastante diferente
do que foi há cerca de duas décadas quando se conceituou uma categoria de trabalhadores
que encontrávamos com grande facilidade nas agências bancárias, as “amarelhinhas”
(é que geralmente era mais um púbico feminino), aquelas pessoas que estavam com
um colete e que ficavam na fila dos caixas eletrônicos ensinando – literalmente
– como utilizar aquela tecnologia e explicando que muita coisa seria feita ali,
sem precisar ir ao caixa. Hoje, como sabemos, não temos mais esta situação, a
dificuldade com os caixas eletrônicos é muito baixa e a automação tecnológica
migrou do caixa eletrônico para os celulares.
A
extensão do desafio, nestes casos, é promover a assimilação da informação
tecnológica que estará desprovida de um acompanhamento de proximidade e que
sofre muito com interferências externas. Isto significa que as pessoas idosas
aprenderão os usos e voltarão para casa e quando houver alguma dúvida quem
estará por perto não será a pessoa instrutora, mas a/o filha/o, sobrinha/o, neta/o
etc. que tendem a ser mais digitais e que ajudarão com o problema; ou seja,
será exatamente como o que acontece agora.
Por
outro lado, as inovações tecnológicas na internet são tão rápidas e intensas
que quando a gente se “acostuma” com um procedimento lá vem uma novidade, uma
nova tela, um novo comando, uma nova exigência etc.; e, para a gente lembrar de
exemplos, temos a confirmação de senhas em duas etapas, as mudanças de acesso,
o reconhecimento facial e mais intensamente a biometria facial. Tudo isto é
inovação e não há como evitá-la.
Atualmente,
e vale para qualquer idade, um grande problema de quem usa tecnologia são os
golpes eletrônicos, as mensagens enganadoras (phishing), as compras eletrônicas
inexistentes, para citar algumas delas. Este é um foco importante para os 60+,
mas não o único.
Há
muito espaço e muita oportunidade de inserção das pessoas idosas, como diz a Lei
nova, nestas novidades tecnológicas. E sempre haverá, não temos como deixar de
seguir este mundo tão real que é o mundo virtual da tecnologia. Lá se foram os
amarelinhos que ajudavam pontualmente em uma situação bem específica, dos
bancos. Agora, são os app ou os tutoriais, disponíveis 24h para todos. Basta escolher,
tal qual um self-service: digerir, usufruir e depois perceber que em breve
haverá outra novidade, e lá iremos todos retornar ao self servisse dos app ou
tutoriais, até que a tecnologia lance suas novidades, com formatos e nomes
novos para a gente aprender e reaprender; sejamos 60+ ou 60-.
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