A República Dominicana é um país da América Central que ocupa uma área um pouco menor do que a do Rio Grande do Norte (cerca de 10% a menos) mas com uma população bem maior, cerca de 11 milhões de habitantes (quase 4 vezes mais do que o RN). Não é um país que aparece muito nas relações com o RN embora, pessoalmente, já ouvia falar dele há muito tempo, meu pai realizou um trabalho (vinculado à Igreja católica) lá pelos idos dos anos 1960, se não me engano.
Mas,
agora a República Dominicana aparece de forma mais destacada e coletiva na
relação comercial com o RN, mais especialmente por ter sido o sétimo destino de
nossas vendas externas neste primeiro trimestre de 2026. É claro que a sétima
colocação em um ranking não geraria muitos motivos de valorização ou de
destaque mas é que neste caso, o país superou os Estados Unidos como destino de
nossas exportações. Quem diria! Neste ano já vendemos para o país da América Central
US 15,6 milhões enquanto para os Estados Unidos foram US 15,0 milhões, uma
diferença pequena mas que coloca a República Dominicana à frente.
Ultimamente
algumas notícias sobre o comércio exterior do RN ganharam uma forma criativa de
apresentar os números, mas não sei se esta notícia, do parágrafo anterior, mereceu
o devido destaque. Acho que não. Talvez o destaque tenha sido o Canadá, o nosso
principal parceiro do ano, com vendas para lá da ordem de US 69,9 milhões, mais
do que o dobro do que a República Dominicana e os Estados Unidos somados.
Será
que isto fará o Canadá um mercado promissor para que as empresas potiguares
possam reorientar suas estratégias? Não, certamente não; explico. Dos US 69,9
milhões um único item ficou com quase tudo, o ouro (US 67,0 milhões) e o
restante ficou distribuído com outros 8 produtos, dos quais o mais relevante
foi a melancia (US 0,8 milhão). Acho que o Canadá não entrará, como se dizia
antigamente, “no radar” (hoje não deveria ser dito, visto que o termo remete à
práticas belicosas, e com tantas guerras acontecendo melhor encontrar outro
termo).
Então,
será a República Dominicana nosso novo promissor parceiro? Não, também não. Dos
US 15,6 milhões, estão US 11,8 em petróleo e US 3,6 em nafta e depois disto, lá
atrás, bem atrás, temos US 0,2 milhão em sal. Aliás, até para os Estados Unidos
não tá fácil também, US 7,4 milhões das vendas para lá ficaram com estes dois
itens da indústria petroquímica.
Na
criatividade da apresentação dos números de exportação as vendas potiguares
foram de US 305,1 milhões em 2026, um aumento de 5% em relação ao primeiro
trimestre do ano passado. Mas, quando excluídos estes dois pesos pesados, o petróleo/nafta
e o ouro, caímos para US 106,1 milhões, um aumento menor, de 2%.
Estas
duas atividades produtivas, da petroquímica e da exploração mineração do ouro,
podem ser consideradas como “cadeias curtas” visto que o processo produtivo não
envolve muita compra de matéria-prima (com extração ou de beneficiamento na
própria indústria). Em termos de geração de empregos diretos no RN, as vendas
externas de melão têm bem maior impacto, e isto vale para boa parte dos demais
produtos exportados. Não é ruim considerar todos os itens no resultado da nossa
balança comercial, mas já vimos este filme quando há algumas décadas chegamos a
ter um grande peso com exportações de petróleo, e no ano em que foram
interrompidas tais vendas houve uma grande queda no saldo comercial e no valor
das exportações; à época, de forma mais compatível, destacava-se bem este
momento diferenciado, mostrando tratar-se de uma distorção e não uma regularidade.
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