sábado, 11 de abril de 2026

O vinho do RN. Quando terá o “s”?

 


A cacofonia não foi das melhores, “o vinho”, mas é que por enquanto ainda estamos assim mesmo, no singular, e por isto a pergunta, de quando teremos o “s”, ou seja, quando é que poderemos dizer “os vinhos” do RN? Não sei, não vi mais notícias novas sobre a produção de vinho.

Recapitulando, em São José do Mipibu já há alguns bons anos foi anunciando um grande projeto de plantação de uvas para a produção de vinho, projeto que teve vários apoios, inclusive financeiro de órgãos públicos para que pudesse alcançar seus objetivos. Quem é da cidade ou acompanhou o noticiário lembrará da Casa 7 Evas, este o nome oficial da empresa. Neste ano vi uma notícia mais animadora sobre a possibilidade de sair um rótulo de vinho, com a visita de estudantes da cidade à sede da empresa que, aliás, pelo que mostram as fotos, já está produzindo uvas; um bom sinal, quero dizer, pelo menos a matéria-prima já rendeu frutos (não foi uma cacofonia, mas como hoje é sábado, me permitam o trocadilho).

Recapitulando, novamente, mas agora em um tempo bem mais curto, em julho do ano passado foi anunciado com pompa e circunstância o primeiro rótulo oficial de vinho do RN, o tal Serra de Martins que, como indica seu nome, produzido em Martins, região de serras e com um clima mais ameno. O vinho foi lançado em alguns eventos mas, infelizmente não consegui achar para venda nos estandes das feiras que participei. Não sou nem conhecedor e nem mesmo um adepto de vinhos e bebidas alcóolicas, mas gostaria de ter comprado uma garrafa para prestigiar nossa produção local. Soube que o preço era mais elevado do que vários rótulos que encontramos nos supermercados, inclusive com vinhos importados (o custo de logística, em tese, bem maio), em torno dos R$ 60-80, mas compraria, como investimento-retorno ao empreendedorismo potiguar.

Para o Serra de Martins, de acordo com as notícias divulgadas ano passado, a produção local ficaria em torno de 1.000 litros, o que daria cerca de 1.300 garrafas. Multiplicando esta produção estimada com um preço médio como acima indicado, e se considerarmos que todas as vendas seriam exclusivamente realizadas pela própria vinícola, a receita anual seria em torno de R$ 90 mil, ou uma receita média mensal de R$ 7.500,00. Pouco, muito pouco, para manter a atividade. Neste patamar o investimento será pouco rentável, por isto espero que tenha sido apenas a primeira safra, experimental.

Em conversa informal, alguém comentou que haveria uma terceira tentativa de produção de vinho potiguar, na região de Jaçanã, também uma átrea com clima mais ameno e que vem ganhando notoriedade com o plantio e o beneficiamento de café (o tal do Café Jaçanã). Achei muito interessante a ideia, mas não conseguir ter mais informações.

Começamos 2026 com um vinho potiguar e pode-se estimar que tenhamos a segunda safra do Serra do Martins no mês de julho e ficar na torcida para que a Casa 7 Evas registre no mercado o segundo rótulo potiguar.

O mercado de vinhos, aqui no RN, é bem curioso, como já comentei alguma vez, pois passamos a ter vários especialistas em vinhos, uvas e os famosos terroirs (assim mesmo, em francês, mais elegante fica). Poderíamos ter algum sistema de avaliação da nossa safra para incentivar o consumo local, buscar os influenciadores para opinar sobre as garrafas e seus conteúdos. Pode ser um bom canal de divulgação.

E pode até ser otimismo exagerado ou um otimismo muito exagerado mas, como temos muitos produtores de queijo, quem sabe teríamos um “Festival potiguar de queijos e vinhos”? Teríamos poucas variedades de vinhos, tal como de queijos, mas teríamos muita diversidade de opiniões. E, espero, que o empreendedorismo local persista neste mercado que alcança valores espetaculares. Um brinde ao “Festival potiguar de queijos e vinhos”!

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