sexta-feira, 24 de abril de 2026

O aporte ao Porto de Natal

 O Porto de Natal, como é conhecido (na verdade, é uma  empresa estatal, a Codern) divulgou seu balanço referente ao ano de 2025. Bons resultados apareceram enquanto outro menos bons também, tal como previsto. Do ponto de vista contábil o ano de 2025 apresentou um lucro, diferente do resultado de 2024, quando apontou o prejuízo. Isto é bom! Do ponto de vista da rentabilidade da atividade, isto é, a avaliação da receita das operações, os resultados positivos parecem estar mais mitigados: a receita líquida em 2025 foi de R$ 99,2 milhões, muito pouco acima da receita em 2024, de R$ 97,7 milhões e o lucro bruto no ano passado ficou em R$ 55,9 milhões, desta vez menor do que os R$ 59,1 milhões de 2024.

Apesar do incremento das exportações de frutas (comemorado no balanço), isto não foi suficiente para elevar sensivelmente as receitas, como se observa, mas é uma conquista que deve ser celebrada, afinal significa que pelo menos em um dos segmentos – as exportações de frutas frescas – o Porto de Natal está ampliando sua eficiência. Mas, infelizmente não é (nem foi) suficiente para ter melhor resultado com o lucro bruto, que ficou 5,4% menor no ano passado.

Há outros bons números que podem ser celebrados mas que não aparecem nesta contabilidade do ano passado. Um destes “bom número” advém de um fator negativo: é que há um atraso no pagamento de quase R$ 0,9 milhão referente ao arrendamento do terminal salineiro em Areia Branca, por parte da empresa vencedora do leilão. Se este pagamento tivesse sido quitado no tempo devido, teria produzido um resultado melhor na receita do Porto.

Outro excelente número, mas que não apareceu e 2025 e não há como predizer quando aparecerá, foi a vitória jurídica no STF sobre a imunidade da Codern em relação à tributos municipais (essencialmente ISS e IPTU), e que haviam sido pagos à Prefeitura de Natal. E esta conta é boa! O valor apurado, em março de 2025 quando encerrou-se a ação, foi de cerca de R$ 16,7 milhões! Imaginemos que houvesse a devolução desse valor no ano passado: isto representaria mais 18,5% no total na receita, valor muito expressivo e que permitiria avançar em alguns investimentos para aumentar a eficiência da empresa. Mas, como sabemos, a decisão judicial nestes casos não significa necessariamente rapidez no pagamento do débito; então, aguardar um (muito) provável parcelamento neste pagamento, para os próximos anos.

Outra informação interessante do balanço de 2025, mas projetada para o futuro, é que a Codern estima que em 2027 começará a receber valores do arrendamento da área para a atividade de exportação de minérios, resultado do leilão realizado recentemente. E, ainda como estimativa, em 2028 é que a operação começará de fato. Com isto, em 2028 teremos uma maior receita prevista, com o aluguel da área e as taxas de serviços da movimentação de cargas; o balanço não indicou uma estimativa mas, tratando-se de receita e entrada de caixa, todo valor ajudará nas contas do Porto de Natal!

De qualquer forma, nem estes resultados nem as novas operações indicadas serão suficientes para compor a necessidade de recursos para novos investimentos. Hoje, mais uma notícia de aplicação de R$ 60 milhões em dragagem e serviços para ampliar a capacidade do Porto. Para uma empresa que teve um faturamento anual de R$ 99,2 milhões, realizar um investimento de R$ 60 milhões exige necessariamente capital externo; como trata-se de uma empresa estatal, cabe ao Governo Federal aportar tais recursos. Este é um dilema (ou um fato) histórico: o Porto de Natal tem uma importante relevância para a economia do RN, mas sua geração de receita não é suficiente para grandes projetos, por isto vamos continuar a ler notícias sobre emendas parlamentares e projetos do Governo Federal quando o tema for obras estruturantes. Este roteiro já faz parte da história.

O desafio continua sendo a nossa condição quase monotemática do Porto. Praticamente são as mesmas mercadorias exportadas e importadas que se repetem ano a ano. Por um lado isto é bom, cria alguma especialização (como no caso das frutas) mas por outro lado é ruim, não abre muita perspectiva para novos clientes. O desafio não é simples. Apesar de tudo, continuo a defender o Porto de Natal e sua relevância para o RN. E é muito bom ver (como já vi em outras ocasiões) gestores com bons projetos e boas ideias. Particularmente, continuo na torcida!

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