O
Idema marcou um belíssimo gol na Alemanha nesta semana ao anunciar a Licença
Prévia para implantação de um projeto de hidrogênio no Rio Grande do Norte, o primeiro
licenciamento comercial no Estado (o licenciamento anterior, da Mizu, é de
pequeno porte, experimental, como já comentei aqui).
Este
projeto licenciado é bastante promissor, visto o anúncio de investimentos de R$
12 bilhões na construção da planta que será localizada em Areia Branca, na
praia Morro Pintado. Será um projeto integrado com uma usina de energia solar e
outra de energia fotovoltaica, visto que para produzir hidrogênio há uma necessidade
de grande volume de energia (e quando há referência ao hidrogênio “verde” deve-se ao fato que a
energia utilizada será de fonte renovável).
A
Licença foi amplamente divulgada durante a feira de Hanover (Alemanha), a maior
feira industrial do mundo e reuniu diversos representantes das empresas
interessadas além, claro, da presença do diretor do Idema Werner Farkatt (que
foi o único representante do Governo neste momento simbólico); acho que deve
ter sido a primeira vez que uma licença ambiental do RN foi apresentada neste
estilo formal em um evento internacional.
A
empresa beneficiária da Licença é a Brazil Green Energy, representada por seu
Diretor-Presidente Fernando Vilela, que já esteve sob holofotes em 2022 (ou
2023) quando liderava a empresa Maturati Participações e apresentou este
projeto ao Governo do Estado, desta vez em Portugal. De lá para cá, como se vê,
mudou a empresa (talvez seja um mesmo grupo empresarial visto que o
Diretor-Presidente tem outros projetos no Brasil) e mudou também o perfil dos
investidores, que foram anunciados: Deutsche Bahn, Andritz, ThyssenKrupp Uhde,
Siemens, Green Investor e DLA Piper. Não conheço todos eles nem sou
especialista em empresas germânicas, mas ThyssenKrupp e Siemens são nomes
globais com referências em grandes investimentos em muitos países e também
sempre citados em assuntos diferentes.
A
participação destes grandes investidores assegura maior possibilidade de início
das obras em um menor espaço de tempo.
É
claro que somente com a Licença Prévia nenhuma obra poderá ser iniciada pois esta
licença apenas permite dizer sobre a possibilidade do projeto no local
escolhido pelo investidor e, em complemento, apresenta os condicionantes para o
início da obra.
Somente
veremos, portanto, a movimentação em canteiros de obras quando for anunciada a
Licença de Instalação. Não há, necessariamente, imposição para início das obras
visto que deverá obedecer aos condicionantes impostos pelo Idema mas, pode-se
esperar que nos próximos 24 meses já tenhamos o lançamento da “pedra
fundamental”, aquela solenidade que reúne investidores, poder público e
imprensa para marcar o início das obras de construção civil. Certamente quando
isto acontecer saberemos todos, haverá grande divulgação.
Não
sei se a Maturati Participações, aquela que anunciou o projeto anos atrás,
estará no projeto do hidrogênio ou da construção das usinas eólica e
fotovoltaica; salvo engano, a empresa tinha alguma participação de capital português,
o que agregaria ainda mais a presença de investimentos internacionais no RN.
Agora
é hora de fazer a contagem regressiva, em duas etapas: da Licença de Instalação
e depois da Licença de Operação. Teremos que ter paciência e ver o tempo passar,
como acontece para estes grandes projetos.
O
Idema ainda terá mais dois gols para marcar; por enquanto o placar está 1x0 para
o Idema, lá na Alemanha. Não é nada, não é nada, mas pode ser a esperança de
ver um dia este jogo do hidrogênio começar.
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