quarta-feira, 22 de abril de 2026

Um gol do Idema. E na Alemanha

 

O Idema marcou um belíssimo gol na Alemanha nesta semana ao anunciar a Licença Prévia para implantação de um projeto de hidrogênio no Rio Grande do Norte, o primeiro licenciamento comercial no Estado (o licenciamento anterior, da Mizu, é de pequeno porte, experimental, como já comentei aqui).

Este projeto licenciado é bastante promissor, visto o anúncio de investimentos de R$ 12 bilhões na construção da planta que será localizada em Areia Branca, na praia Morro Pintado. Será um projeto integrado com uma usina de energia solar e outra de energia fotovoltaica, visto que para produzir hidrogênio há uma necessidade de grande volume de energia (e quando há referência  ao hidrogênio “verde” deve-se ao fato que a energia utilizada será de fonte renovável).

A Licença foi amplamente divulgada durante a feira de Hanover (Alemanha), a maior feira industrial do mundo e reuniu diversos representantes das empresas interessadas além, claro, da presença do diretor do Idema Werner Farkatt (que foi o único representante do Governo neste momento simbólico); acho que deve ter sido a primeira vez que uma licença ambiental do RN foi apresentada neste estilo formal em um evento internacional.

A empresa beneficiária da Licença é a Brazil Green Energy, representada por seu Diretor-Presidente Fernando Vilela, que já esteve sob holofotes em 2022 (ou 2023) quando liderava a empresa Maturati Participações e apresentou este projeto ao Governo do Estado, desta vez em Portugal. De lá para cá, como se vê, mudou a empresa (talvez seja um mesmo grupo empresarial visto que o Diretor-Presidente tem outros projetos no Brasil) e mudou também o perfil dos investidores, que foram anunciados: Deutsche Bahn, Andritz, ThyssenKrupp Uhde, Siemens, Green Investor e DLA Piper. Não conheço todos eles nem sou especialista em empresas germânicas, mas ThyssenKrupp e Siemens são nomes globais com referências em grandes investimentos em muitos países e também sempre citados em assuntos diferentes.

A participação destes grandes investidores assegura maior possibilidade de início das obras em um menor espaço de tempo.

É claro que somente com a Licença Prévia nenhuma obra poderá ser iniciada pois esta licença apenas permite dizer sobre a possibilidade do projeto no local escolhido pelo investidor e, em complemento, apresenta os condicionantes para o início da obra.

Somente veremos, portanto, a movimentação em canteiros de obras quando for anunciada a Licença de Instalação. Não há, necessariamente, imposição para início das obras visto que deverá obedecer aos condicionantes impostos pelo Idema mas, pode-se esperar que nos próximos 24 meses já tenhamos o lançamento da “pedra fundamental”, aquela solenidade que reúne investidores, poder público e imprensa para marcar o início das obras de construção civil. Certamente quando isto acontecer saberemos todos, haverá grande divulgação.

Não sei se a Maturati Participações, aquela que anunciou o projeto anos atrás, estará no projeto do hidrogênio ou da construção das usinas eólica e fotovoltaica; salvo engano, a empresa tinha alguma participação de capital português, o que agregaria ainda mais a presença de investimentos internacionais no RN.

Agora é hora de fazer a contagem regressiva, em duas etapas: da Licença de Instalação e depois da Licença de Operação. Teremos que ter paciência e ver o tempo passar, como acontece para estes grandes projetos.

O Idema ainda terá mais dois gols para marcar; por enquanto o placar está 1x0 para o Idema, lá na Alemanha. Não é nada, não é nada, mas pode ser a esperança de ver um dia este jogo do hidrogênio começar.

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