sexta-feira, 17 de abril de 2026

Argentina 2 X Portugal 1

 


Não é um placar de jogo de futebol, mas um outro placar que, por sinal, está incompleto, não deu para encaixar o Uruguai; seria então, se fosse possível, Argentina 2 x Uruguai 1 X Portugal 1.

E o que significa tudo isto? Traduzindo, é a quantidade de voos internacionais novos do RN anunciados nas últimas semanas, se eu não tiver me enganado: abrimos 2 voos diretos semanais para Buenos Aires, 1 para Montevidéu e 1 outro para Lisboa. Isto, tudo indicado, seguindo as notícias que enalteceram o crescimento do turismo internacional neste início de ano e o impactante crescimento em relação à 2025, mudou a nossa realidade e passamos a ser destaque nacional em termos de crescimento percentual. Muito bom, isto. Quanto ao crescimento percentual bastante elevado, duas notas. A primeira delas é que estávamos com um baixo indicador de turistas estrangeiros chegando em Natal (diretamente de seu destino) e, como todo voo que chega terá que partir de volta, também significa que estávamos com baixa demanda de clientes do RN para viagens ao exterior; tudo isto era em 2025, mas agora mudou expressivamente, diz a matemática dos números.

Outra anotação importante é o foco, o direcionamento para o tal do mercado emissor, a origem dos turistas que visitam o RN, com uma mudança bastante sensível. Durante anos o marketing do turismo internacional no RN tinha como foco os voos para/da Europa com suas linhas regulares mas também muitos voos fretados – os charters – com várias origens e destinos. Lembro-me de voos com foco na Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda e, pelo menos em relação à empresa, a Air Lauda (acho o nome esta este), a Áustria. Era o tempo em que víamos muitos europeus em Natal e em Pipa, que passaram a comprar muitas unidades habitacionais por lá.

Agora, ou melhor, há alguns anos estamos mais voltados para receber turistas do nosso Continente, apesar da manutenção dos voos da TAP. É claro, são todos bem vindos, independentemente da origem, nenhum privilégio a ser concedido para quem vem da Argentina, Uruguai ou Portugal e Europa, até pelo fato de que os setores beneficiados que dependem do turismo têm uma preferência maior por aqueles que aqui gastam mais, sem preferência de nacionalidade; aliás, no mundo inteiro é assim e há sempre pesquisas que mostram quais são aqueles que mais gastam quando visitam uma cidade ou país.

Não consegui dimensionar se este grande impulso no turismo internacional neste ano, que foi mais do que o dobro em relação ao primeiro trimestre do ano passado, teve alguma intensidade da iniciativa privada: de um lado com as empresas aéreas que viram uma oportunidade para inaugurar ou ampliar as rotas com voos diretos ou com a Zurich Airport que pode ter contribuído com os estudos de mercado e, de forma conjunta, na participação de feiras internacionais de turismo; e de outro lado, as missões internacionais e a divulgação do RN em feiras e eventos na Argentina, em Portugal e no Uruguai. Pode ter sido também o conjunto de ações, uma iniciativa com participação mais ampla.

É interessante, acho, avaliar o fato gerador deste incremento do turismo internacional em 2026, compreender se a dinâmica das feiras (e quais delas) foi mais ou menos efetiva do que a dinâmica do marketing ou se o papel de algum agente de turismo (empresa aérea, agência de viagem etc.) foi fundamental para o resultado propagado; em outras palavras, conhecendo o fator motivacional, investir ainda mais nesta estratégia para que os bons números do turismo internacional ultrapassem alguma eventual sazonalidade estatística.


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