Essa
é uma pergunta que me faço de vez em quando, principalmente quando vejo os
principais times potiguares passando por dificuldades em escalar os campeonatos
regionais/nacionais e obtendo resultados ruins contra times de outros estados
que, entre nós, não estão na lista dos “mais conhecidos”. É bem verdade que
chegara até lá, perder (muito) espaço no cenário nacional ou até mesmo regional
não acontece, e nem aconteceu, da noite para o dia, é um verdadeiro processo
que vai ampliando as perdas com o passar dos jogos e entrando em uma espiral
negativa, daquelas em que há menos dinheiro para os times, há menos jogadores
de elite, há piores resultados e consequentemente menos renda e por isto menos
dinheiro e... tudo isto recomeça.
Nosso
futebol potiguar nunca fez parte da elite nacional, mas conseguia algum
destaque e alguns bons resultados nos eventos regionais. Tinha certa visibilidade
e conseguir até reunir um bom público de torcedores nos jogos presenciais. Hoje,
no entanto, tenho a impressão que quem frequenta os jogos do ABC ou do América –
para ficar nos dois maiores times potiguares, com mais títulos e mais torcidas –
são aqueles que fazem parte das chamadas “torcidas organizadas”, os verdadeiros
fãs dos times (apesar da má fase) ou aqueles que recebem ingressos de cortesia
ou têm uma boa redução na compra do ingresso; aliás, falando em ingresso, na
semana passada o comentário de alguns que gostam do futebol potiguar é que
estavam sendo oferecidos 200 ingressos gratuitamente para quem quisesse ir para
a Paraíba assistir ao jogo (não sei se deu algum resultado, mas oferecer
ingresso grátis não é um bom sinal para garantir público constantemente, seja
no futebol, no cinema, no teatro etc., uma hora até este público se cansa destas
ofertas).
Quanto
será que vale o futebol potiguar? Acho até que esta pergunta seria melhor
recebida pelos torcedores que todos os dias estão discutindo se houve pênalti,
quem deveria ter entrado no primeiro tempo, quem deveria ter batido aquela
falta e todos aqueles assuntos repetitivos de quem não se cansa de falar de sua
equipe. Para quem não é tão adepto assim do tema, a conversa recebe menos
participação.
O
futebol potiguar tem um valor monetário e econômico e, claro, um valor humano e
social que não pode ser medido em reais ou em dinheiro. Aqui, a pergunta está
restrita ao aspecto econômico e financeiro: qual é o valor do patrimônio potiguar
em termos de futebol?
E,
para não abandonar a pergunta do título, quanto custa o nosso futebol? Os times
recebem patrocínios privados e muito dinheiro público (loteria, acho que é o
principal), além do investimento público nos dias de jogos e até mesmo na
manutenção do Arenão, o tal Arena das Dunas (lembrando que foi uma PPP, ou
seja, o Governo do Estado não ganhou o estádio, mas está – ainda – pagando por
ele).
Comparar
quanto vale com quanto custa não tem a finalidade de fazer a contabilidade de
uma empresa privada, comparar o caixa da entrada e da saída e se houver
prejuízo, encerrar o negócio. Mas, acho que é válido conhecer estes dois
indicadores, de forma técnica, sem paixão e muito menos sem achar que é uma
motivação para deixar os times de futebol à míngua. Vale lembrar que algumas
atividades tais lazer, cultura e esporte sempre receberam muitos recursos
públicos visto que na imensa maioria das vezes não há uma rentabilidade
financeira, o resultado positivo mede-se de outra forma; a régua não é a mesma,
mas precisa ter uma régua, uma medição, até para compreender melhor como as coisas
acontecem.
Infelizmente
faz muito tempo que não vou ao estádio, assim como fui poucas vezes ao longo de
minha vida. Gosto de futebol, mas prefiro o conforto de assistir na TV, e
respeito quem prefere ir ao estádio e argumentar que a emoção é bem diferente,
muito maior. Como disse, prefiro a TV e ainda acho que o valor do ingresso é, proporcionalmente,
elevado: parece que realizar um jogo de futebol custa caro.
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