domingo, 19 de abril de 2026

Kokushobi, onde? Em Mossoró, Pau dos Ferros etc.

 

Este nome japonês ainda é meio esquisito mas, apenas por enquanto. Kokushobi foi o termo que o Japão resolveu criar nesta sexta-feira para designar o calor extremo, quando a temperatura ultrapassar os 40 graus naquele país. A escolha do nome, que foi objeto de uma consulta pública com mais de 400 mil participantes, entrou na rota da agência japonesa de meteorologia para servir de alerta à população local, com a chegada de uma (forte) onda de calor que demanda maiores cuidados da população; vale lembrar que o Japão é um país que tem uma das maiores quantidade de idosos e, em geral, é o público que mais sofre com o calor excessivo e que sofre bastante com a desidratação (em períodos de forte calor o índice de mortes aumenta).

Embora os 40 graus não sejam incomuns em muitos países, principalmente aqueles do Oriente Médio e em áreas desérticas, para o Japão é algo bem raro: desde 1927, quando começaram as medições de temperatura por lá, o recorde nacional foi de 41,8º. É muito, sem dúvida, e provoca uma sensação muito incômoda para quem precisa estar nas ruas ou para quem trabalha externo, nas cidades ou nos campos.

O alerta mais importante também afeta a todo mundo, inclusive aqui no Brasil e no RN. E não é pelo fato de que em Mossoró ou Pau dos Ferros, apenas para citar as cidades mais referenciadas em termos de calor, isto não seja necessariamente uma novidade. Mas, é que em um país onde os 40º de temperatura são raros, significa que o aquecimento global é fato e está se agravando em todo o mundo (mas, deixo de lado as discussões sobre as causas, visto que os debates são algumas vezes acalorados).

Aqui no Brasil no distante 1955 um filme fez muito sucesso, o “Rio 40º graus” que acabou criando uma expressão popular e foi até tema de música de Fernanda Abreu, no ano de 1992. De 1955 ou 1992 para cá, e você pode escolher a sua referência, inegavelmente a temperatura média do Rio e do Brasil aumentou, principalmente nas cidades, mas também no campo onde as culturas agrícolas passaram por muitas adaptações.  Não precisamos ser necessariamente ambientalistas integralistas ou ecochatos para percebermos que estamos em uma fase de transição que exige mais cuidados com o meio ambiente, e esta inquietação não começou por causa da COP-30 no Brasil, afinal a Rio-92 já nos alertava sobre o tema.

E além do alerta japonês com o kokushobi (que não vai demorar muito será objeto de piadas, memes e trocadilhos) destinado à sua população, temos que tomar a lição de que os períodos de calor excessivo também significam cuidados médicos/de saúde adicionais para crianças e idosos nos lares mas também nas escolas, hospitais, postos de saúde etc., ou seja, em locais que recebem com mais frequência estes públicos: poderiam os poderes públicos monitoram estas evoluções de temperatura para adotar protocolos de maior atenção, principalmente para evitar a desidratação que, como sabemos, em casos extremos podem provocar até mesmo a morte (aliás, na Europa é nos verões mais quentes que ocorre o maior número de morte de idosos e de superidosos).

Estamos no outono e por isto a previsão para a última semana de abril é de calor “acima da média” no Brasil que não deverá chegar aos 40º, assim como no RN não deverá ultrapassar os 33º (apesar da sensação térmica superior aos 36º). Ainda teremos, portanto, o inverno e a primavera para pensarmos em protocolos de saúde e cuidados para o verão de quarenta graus.

Kokushobi lá ou aqui, para o meio ambiente e a saúde a prevenção é uma boa atitude.

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