Antigamente
a gente utilizava a expressão “febre” quando alguma coisa estava muito intensa
e, se ainda mais intensa, a gente utilizada “pandemia” mas, acho que depois do
Covid-19 tenho certeza que aparecerá alguém “do contra” para criticar o uso destas
expressões, ainda que seja no sentido figurativo, e até mesmo de forma
positiva. De qualquer forma, vou aqui me arriscar.
Tudo
para tratar da febre das academias, no Brasil e claro, aqui no nosso RN. Quando
a gente começa a andar pela cidade, aqui em Natal, tem a impressão que toda
semana alguma nova academia é aberta, quem alguém resolve inaugurar um novo
espaço, e alguns deles bastante chamativos, com uma fachada bem visível, com um
estacionamento atrativo etc; há outras mais simples, aquelas que são chamadas
de academia de bairro, menores, com fachada mais discreta e que atende ao
público que mora na rua, no quarteirão do lado ou não muito longe, que se
desloca a pé, nem utiliza o carro.
Este
mercado é bem eclético e tem opções para todos os gostos, digo, para todos os
bolsos, aqueles que carregam um cartão de crédito ou um limite de PIX mais
recheado assim como aqueles que pesam menos nas despesas pessoais. Não sou
adepto da ideia (mas já adianto, não tenho nada contra), mas já ouvi falar de
academias que cobram mensalidades de R$ 80 assim como outras que chegam aos R$
300. Nenhuma discrepância, é igual restaurante, tem os famosos PF e aqueles à
la carte com preços bem elevados. Mas, o que me impressiona com as academias é
a quantidade de estabelecimentos que surgiram nos últimos anos, uma febre que
contagiou muita, mas muita gente mesmo e que seguiu a mesma tendência das
corridas de rua: tem para todo gosto e é bem fácil de achar uma que se enquadra
no desejo de cada um.
Fazendo
uma pesquisa genérica não conseguir saber quantas academias existem em Natal. E
há uma boa explicação para chegar ao número correto: é que algumas delas,
aquelas menores, muitas vezes não estão registradas com CNPJ, ou seja,
burocraticamente não existem mas na prática estão lá, abrindo as portas às 5 ou
6 da manhã todos os dias.
De
qualquer forma, consultei uma IA e a resposta foi que em Natal haveria cerca de
180 academias (formais, com CNPJ) e em Mossoró cerca de 70 e até mesmo na menor
cidade do RN, Viçosa, com menos de 2 mil habitantes, tem uma delas, que está no
título do texto: Academia GTT. Não tive muita curiosidade para pesquisar o
significado do GTT, mas achei muito interessante que na menor cidade do Estado
haja espaço (leia-se mercado) para uma academia. Realmente, é um “febre”
contagiosa e intensa!
E
será que haverá um limite para esta expansão? Algumas notícias nos fazem
acreditar que as canetas emagrecedoras já mudaram o perfil de consumo nos
restaurantes e nos supermercados, tamanha foi a adesão no Brasil inteiro. Mas,
não sei se neste caso atingiria as academias, e por dois motivos. O primeiro é
que muita gente que aderiu às canetas passa longe de academia e a segunda é que
a academia não é apenas um lugar para prática de exercícios e de cuidados de
saúde, é também um lugar de atividade social, para integração ou, como apontam
alguns críticos de forma irônica, de desintegração, com o fim de
relacionamentos. Sem dúvida, excluindo as brincadeiras, academia também é um
lugar para estar “presente” e ser “visto”.
O
fato é que as academias estão contribuindo muito para os empregos ditos
invisíveis ou os subempregos com a contratação de treinadores pessoais
(personal trainer), remunerados por hora/atendimento, mas sem carteira
assinada. E isto ajuda para a queda do desemprego visto que formalmente não
estão à procura de emprego; é igualzinho ao efeito do Uber, IFood etc.
Ainda
acho que há espaço para crescimento e expansão de academias. Algum limite?
Talvez um, para Natal: o dia em que o antigo prédio da UNP, na av. eng. Roberto
Freire, tornar-se uma academia, daquelas gigantescas, pois o prédio é bem
grande e tem muito estacionamento. Acho que se isto acontecer até eu iria lá!
Para conhecer, certamente, somente por curiosidade, mera curiosidade.
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