quarta-feira, 8 de abril de 2026

O petróleo “deles” na “minha” gasolina

 

Hoje o mundo dos negócios amanheceu mais animado com a notícia de ontem a noite de uma “paz” anunciada por 15 dias; na verdade, o mundo dos negócios amanheceu mais animado mesmo foi com a notícia de que os navios petroleiros poderão voltar a circular pelo (agora) conhecidíssimo Estreito de Ormuz (ou de Hormuz, como resolveu batizar a Folha de S. Paulo, destoando de outros meios de comunicação).

Com isto esperava-se uma calmaria no preço do barril de petróleo, algo que já vem acontecendo desde a madrugada nossa, mas já dia claro e de comércio no Oriente Médio e na Europa: o barril do petróleo já está abaixo dos US 100 mas, isto não significa que seja um bom patamar, mas apenas que a curva ascendente dos preços deu (ela também) uma trégua, ainda que não podemos esquece que continua caro, e bem acima dos preços de mercado do início do ano, quando a guerra ainda era mera especulação.

A situação estava tão caótica com a loucura dos preços e do abastecimento que no último final de semana vários postos de gasolina (mais de 15%) de Paris estavam sem combustível, fecharam mesmo; e o preço “normal” por lá na semana passada era um litro por cerca de 2 euros, que rapidamente chegou a 2,5 euros em alguns lugares. Coisa de louco!

Bem que, se a gente olhar os preços aqui em Natal até que não estamos muito longe desta loucura de preços. Seria isto, como os assustados anunciadores de catástrofes apregoavam, o efeito da globalização? Na verdade, no mercado de petróleo e de combustíveis fósseis a globalização sempre existiu, sempre foi um mercado global dominado por grandes empresas e tudo isto já sabemos desde 1973, quando houve o tal do primeiro choque do petróleo; bem antes da globalização fatídica nos alcançar.

Aqui no Brasil a gasolina comercializada tem uma boa dose de álcool, produto nacional que não sofre influência direta do preço do petróleo, apesar de uma influência indireta (como acontece com todos os produtos) mas, nada que possa assustar o mercado e fazer com que os preços do álcool sigam a mesma trajetória do preço da gasolina. Independentemente disto, o que vimos foi aumento do preço da gasolina e algumas variações que impressionam pela mudança brusca, literalmente da noite para o dia; você passa perto de um posto e vê o litro da gasolina em torno de R$ 6,80, no dia seguinte já pulou para R$ 6,99 e quando você acha que vai ter que andar menos de carro, reaparecem os R$ 6,80/6,85. É claro que todo empresário (de sucesso) trabalha seu mercado também de olho na antecipação das tendências e, claro, dos preços: todo empresário (de sucesso) não vende algo pelo mesmo preço no dia de hoje quando ele já está ciente de que a matéria-prima terá um preço maior no seu próximo pedido. É uma reação natural, embora não consigo entender como tantas oscilações locais superam as oscilações globais e de forma tão brusca.

O petróleo “deles” está afetando o preço da “minha” gasolina. Talvez seja um efeito positivo da globalização para uma tendência de médio e longo prazos, a de que é hora de pensar em ter grandes incentivos para mudar os carros que aqui circulam, estimulando a circulação de mais carros elétricos ou híbridos. Na economia existe um conceito chamado de externalidades, talvez esta seja uma delas, daquelas boas, positivas; pode ser que daqui uma década tenhamos menos “postos de gasolina” nas ruas e muito mais “postos de... energia” ou “postos... elétricos” ou outro nome qualquer.

O nome, neste caso, pouco importa, o que vale é que o custo de abastecimento volte a ser igual aquele dos bons tempos.


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