Hoje
o mundo dos negócios amanheceu mais animado com a notícia de ontem a noite de
uma “paz” anunciada por 15 dias; na verdade, o mundo dos negócios amanheceu
mais animado mesmo foi com a notícia de que os navios petroleiros poderão
voltar a circular pelo (agora) conhecidíssimo Estreito de Ormuz (ou de Hormuz,
como resolveu batizar a Folha de S. Paulo, destoando de outros meios de
comunicação).
Com
isto esperava-se uma calmaria no preço do barril de petróleo, algo que já vem acontecendo
desde a madrugada nossa, mas já dia claro e de comércio no Oriente Médio e na
Europa: o barril do petróleo já está abaixo dos US 100 mas, isto não significa
que seja um bom patamar, mas apenas que a curva ascendente dos preços deu (ela
também) uma trégua, ainda que não podemos esquece que continua caro, e bem
acima dos preços de mercado do início do ano, quando a guerra ainda era mera especulação.
A
situação estava tão caótica com a loucura dos preços e do abastecimento que no
último final de semana vários postos de gasolina (mais de 15%) de Paris estavam
sem combustível, fecharam mesmo; e o preço “normal” por lá na semana passada
era um litro por cerca de 2 euros, que rapidamente chegou a 2,5 euros em alguns
lugares. Coisa de louco!
Bem
que, se a gente olhar os preços aqui em Natal até que não estamos muito longe
desta loucura de preços. Seria isto, como os assustados anunciadores de
catástrofes apregoavam, o efeito da globalização? Na verdade, no mercado de
petróleo e de combustíveis fósseis a globalização sempre existiu, sempre foi um
mercado global dominado por grandes empresas e tudo isto já sabemos desde 1973,
quando houve o tal do primeiro choque do petróleo; bem antes da globalização fatídica
nos alcançar.
Aqui
no Brasil a gasolina comercializada tem uma boa dose de álcool, produto nacional
que não sofre influência direta do preço do petróleo, apesar de uma influência
indireta (como acontece com todos os produtos) mas, nada que possa assustar o
mercado e fazer com que os preços do álcool sigam a mesma trajetória do preço
da gasolina. Independentemente disto, o que vimos foi aumento do preço da
gasolina e algumas variações que impressionam pela mudança brusca, literalmente
da noite para o dia; você passa perto de um posto e vê o litro da gasolina em
torno de R$ 6,80, no dia seguinte já pulou para R$ 6,99 e quando você acha que
vai ter que andar menos de carro, reaparecem os R$ 6,80/6,85. É claro que todo
empresário (de sucesso) trabalha seu mercado também de olho na antecipação das
tendências e, claro, dos preços: todo empresário (de sucesso) não vende algo pelo
mesmo preço no dia de hoje quando ele já está ciente de que a matéria-prima
terá um preço maior no seu próximo pedido. É uma reação natural, embora não
consigo entender como tantas oscilações locais superam as oscilações globais e de
forma tão brusca.
O petróleo “deles” está afetando o preço da “minha” gasolina. Talvez seja um efeito positivo da globalização para uma tendência de médio e longo prazos, a de que é hora de pensar em ter grandes incentivos para mudar os carros que aqui circulam, estimulando a circulação de mais carros elétricos ou híbridos. Na economia existe um conceito chamado de externalidades, talvez esta seja uma delas, daquelas boas, positivas; pode ser que daqui uma década tenhamos menos “postos de gasolina” nas ruas e muito mais “postos de... energia” ou “postos... elétricos” ou outro nome qualquer.
O nome, neste caso, pouco importa, o que
vale é que o custo de abastecimento volte a ser igual aquele dos bons tempos.
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