Se você foi aos
aupermercados nestes dias e teve a curiosidade de passar pelo setor de ovos de
Páscoa deve ter se espantado com os preços muito elevados, quase inacessíveis
para a maoria das pessoas, mas também com a redução de tempo de espaço.
Primeiramente de tempo, pois os ovos de Páscoa começavam a aparecer logo após o
Carnaval, o que não aconteceu este ano e, em seguida, de espaço, bem menor do
que no ano passado e sem as “demonstradoras” que ficavam fazendo a propaganda
das marcas e variedades.
Foi bem diferente este
ano, uma queda sensível nas vendas.
E não tem nada a ver
com muitas notícias que vimos nas últimas semanas dos efeitos do Mounjaro, Ozempik
e outros remédios milagrosos que estão mudando o perfil de consumo e moldando o
apetite por alimentos em geral e, especialmente aqueles que são considerados
como vilões para a saúde humana, dentre eles os tão deliciososo chocolates.
Não há relação direta entre
dieta e menor quantidade de ovos de Páscoa à venda, ainda que alguém possa
querer fazer esta associação; não acredito muito.
O que me faz acreditar
que o motivo é diferente é outra regra de mercado, aquela famosa da oferta e da
demanda. Mas, aqui, não é que haja baixa demanda de ovos de chocolates, mas é
que a demanda seria (como foi) muito impactada com o efeito da oferta, visto
que os preços – assim como estão expostos vários ovos de chocolate nos
supermercados – estão nas alturas.
O noticiário internacional
foi vasto ano passado sobre o preço da matéria-prima, o cacau: os preços
elevaram-se bastante nos mercados internacionais e, por mais que possa
surpreender alguém o preço do cacau (uma verdadeira commodity) é ditado em
dólar, com base na produção e nos estoques mundiais. O Brasil produz cacau mas,
a cotação não depende da gente, é fruto da produção e oferta de países
africanos e já há algum tempo os especialistas nestes mercados alertavam para a
alta de preço e até mesmo para a possibilidade de faltar cacau no mundo! A previsão
catastrófica não chegou, mas os efeitos no preço chegaram bem rapidinho.
Aqui temos outro
agravante, a inflação e o custo de vida. Vale lembrar que ovo de chocolate
sempre foi caro e quando comparamos o quilo do ovo de chocolate com o quilo de
um chocolate em barra logo veremos que é 2 a 3 vezes mais caro comprar um ovo
de Páscoa. Nos últimos anos as indústrias tentaram meio que maquiar esta ideia
e passaram a produzir muitos ovos de chocolate com brinquedos inseridos na
embalagem, uma maneira de “justificar” o preço maior. Neste ano não deu certo.
Aliás, a indústria mudou muito o perfil e a boa parte dos ovos de chocoate
vendidos tem apenas... chocolate e nada de brinquedo; e mesmo assim os preços
estão fortes.
Quem primeiro percebeu
que este ano não seria igual aos anteriores foram os supermercados que
reduziram suas encomendas, enxugando os custos e as possibilidades de perdas;
as indústrias também pois parece que dispensaram as “demonstradoras” que ficam
fazendo a propaganda para quem chegasse por perto. Um exemplo que me chamou a
atenção foi o do Nordestão, um espaço tão pequeno, nem parecia anos anteriores.
A coisa está tão séria
que uma notícia bem curiosa espalhou-se mundo afora, a do roubo na Europa de um
caminhão de chocolates Kit Kat; e não foi uma carga pequena, pela contrário,
foram roubadas mais de 400 mil barras que alcançariam um preço de venda ao
consumidor em torno dos R$ 3 milhões. Nunca imaginei que eu poderia estar
dirigindo meu carro ao lado de um caminhão de chocolates com uma carga de R$ 3
milhões! Parece engraçado imaginar que em breve teremos escolta armada, a
exemplo dos cigarros e bebidas caras, para chocolate...
O resultado deste momento
das compras de ovos de chocolate? Estamos perdendo o poder de compra, não
estamos conseguindo acompanhar os aumentos das indústrias que também não estão
conseguindo reduzir seus custos de produção.
A solução? A mais
simples seria fazer igual aos combustíveis e reduzir os impostos; a outra,
distribuir Mounjaro para todos...
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