sexta-feira, 3 de abril de 2026

Ovo de Páscoa e Mounjaro

 

Se você foi aos aupermercados nestes dias e teve a curiosidade de passar pelo setor de ovos de Páscoa deve ter se espantado com os preços muito elevados, quase inacessíveis para a maoria das pessoas, mas também com a redução de tempo de espaço. Primeiramente de tempo, pois os ovos de Páscoa começavam a aparecer logo após o Carnaval, o que não aconteceu este ano e, em seguida, de espaço, bem menor do que no ano passado e sem as “demonstradoras” que ficavam fazendo a propaganda das marcas e variedades.

Foi bem diferente este ano, uma queda sensível nas vendas.

E não tem nada a ver com muitas notícias que vimos nas últimas semanas dos efeitos do Mounjaro, Ozempik e outros remédios milagrosos que estão mudando o perfil de consumo e moldando o apetite por alimentos em geral e, especialmente aqueles que são considerados como vilões para a saúde humana, dentre eles os tão deliciososo chocolates.

Não há relação direta entre dieta e menor quantidade de ovos de Páscoa à venda, ainda que alguém possa querer fazer esta associação; não acredito muito.

O que me faz acreditar que o motivo é diferente é outra regra de mercado, aquela famosa da oferta e da demanda. Mas, aqui, não é que haja baixa demanda de ovos de chocolates, mas é que a demanda seria (como foi) muito impactada com o efeito da oferta, visto que os preços – assim como estão expostos vários ovos de chocolate nos supermercados – estão nas alturas.

O noticiário internacional foi vasto ano passado sobre o preço da matéria-prima, o cacau: os preços elevaram-se bastante nos mercados internacionais e, por mais que possa surpreender alguém o preço do cacau (uma verdadeira commodity) é ditado em dólar, com base na produção e nos estoques mundiais. O Brasil produz cacau mas, a cotação não depende da gente, é fruto da produção e oferta de países africanos e já há algum tempo os especialistas nestes mercados alertavam para a alta de preço e até mesmo para a possibilidade de faltar cacau no mundo! A previsão catastrófica não chegou, mas os efeitos no preço chegaram bem rapidinho.

Aqui temos outro agravante, a inflação e o custo de vida. Vale lembrar que ovo de chocolate sempre foi caro e quando comparamos o quilo do ovo de chocolate com o quilo de um chocolate em barra logo veremos que é 2 a 3 vezes mais caro comprar um ovo de Páscoa. Nos últimos anos as indústrias tentaram meio que maquiar esta ideia e passaram a produzir muitos ovos de chocolate com brinquedos inseridos na embalagem, uma maneira de “justificar” o preço maior. Neste ano não deu certo. Aliás, a indústria mudou muito o perfil e a boa parte dos ovos de chocoate vendidos tem apenas... chocolate e nada de brinquedo; e mesmo assim os preços estão fortes.

Quem primeiro percebeu que este ano não seria igual aos anteriores foram os supermercados que reduziram suas encomendas, enxugando os custos e as possibilidades de perdas; as indústrias também pois parece que dispensaram as “demonstradoras” que ficam fazendo a propaganda para quem chegasse por perto. Um exemplo que me chamou a atenção foi o do Nordestão, um espaço tão pequeno, nem parecia anos anteriores.

A coisa está tão séria que uma notícia bem curiosa espalhou-se mundo afora, a do roubo na Europa de um caminhão de chocolates Kit Kat; e não foi uma carga pequena, pela contrário, foram roubadas mais de 400 mil barras que alcançariam um preço de venda ao consumidor em torno dos R$ 3 milhões. Nunca imaginei que eu poderia estar dirigindo meu carro ao lado de um caminhão de chocolates com uma carga de R$ 3 milhões! Parece engraçado imaginar que em breve teremos escolta armada, a exemplo dos cigarros e bebidas caras, para chocolate...

O resultado deste momento das compras de ovos de chocolate? Estamos perdendo o poder de compra, não estamos conseguindo acompanhar os aumentos das indústrias que também não estão conseguindo reduzir seus custos de produção.

A solução? A mais simples seria fazer igual aos combustíveis e reduzir os impostos; a outra, distribuir Mounjaro para todos...


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