terça-feira, 21 de abril de 2026

O prompt, meu melhor amigo imaginário

 Estamos na era das inteligências artificiais, ou simplesmente na era das IA. Não sabemos, ainda, quanto tempo isto durará e nem mesmo qual será a próxima fase: qual será a próxima evolução significativa, ou melhor, qual evolução disruptiva enfrentaremos. Não se trata de ser alarmista nem preconizar o fim do mundo ou a dominação das máquinas, dos robôs humanoides que se intensificam no dia a dia (aliás, nesta semana tivemos dois corredores-robôs, um que quase bateu o recorde dos 100m e outro que bateu o recorde da meia-maratona; e ambos chineses), mas daqui a uns dez anos o mundo será outro, e alguns sofrerão mais do que outros e outros terão mais lucro do que alguns.

Essas quebras de paradigmas não são novidades no nosso mundo, inclusive aqui no RN: a globalização é, se é que se pode dizer, cada vez mais acelerada e as novidades do mundo moderno-rico-tecnológico chegam aqui quase em tempo real ou se preferir, on line. Não precisamos voltar tanto no tempo para buscar a Revolução Industrial, basta a gente se lembrar do que foi a introdução dos computadores pessoais, da internet, dos celulares modernos etc. as coisas foram mudando e nós fomos nos adaptando, necessariamente nos adaptando.

Agora, depois que o ChatGPT popularizou a IA, estamos nesta mesma fase destas três mudanças que mencionei: mais cedo ou mais tarde todo mundo utilizará a IA e para os mais teimosos e resistentes, nem se preocupe, a IA mudará suas vidas. Necessariamente não será a mesma.

Precisamos nos adaptar, principalmente as gerações mais novas que conviverão mais tempo neste mundo ultramoderno e que assegurarão as condições socioeconômicas. É por isto que entendo que o papel da educação é essencial neste momento de transição e de adaptação; e vale para a educação informal, ou seja, cada um buscando aprender com tirar (bom) proveito da IA assim como para a educação formal, nas escolas e no ensino superior.

Nos últimos 5-10 vimos muitas escolas (principalmente particulares) mudar seu perfil de oferta de serviços para captar clientes, os estudantes e seus pais: tivemos a onda de cursos de robótica como peça de propaganda fundamental assim como tivemos a onda do ensino bilingue, na mesma proporção. Era (e é) uma forma de adaptar-se à modernidade, mas com uma lição subliminar que talvez os pais não tenham participado totalmente: os filhos devem ter noção de informática/robótica tanto quanto dominar um segundo idioma, mostrando às gerações antigas que aprender a tal da tabuada ou a conjugação de um verbo no particípio passado já está devidamente superado; e mais, que o tal do decoreba vem perdendo espaço para quem quer progredir socioeconomicamente.

Ainda não vi as propagandas de escolas e de universidades/faculdades sobre o aprendizado de IA. Certamente não é hora das propagandas escolares, tudo acontece no final do ano quando há intensa busca por manutenção e captação de novos clientes. No ensino superior ainda faltam pelo menos duas coisas: normatizar o uso da IA nos trabalhos acadêmicos e normalizar o uso da IA nas atividades acadêmicas.

Normatizar é necessário para que fazer uma atividade ou elaborar uma apresentação não se resuma a um único comando, o tal do prompt, e esperar a resposta da IA. Normalizar para entender que a IA é um potente instrumento que permite maior e melhor aprendizado, mas pedagogicamente tratado e abordado em sala de aula, nada de aventuras descontroladas.

Estamos na era do prompt, aquele comando personalizado ou profissionalizado que mandamos para a IA para que ela nos responda do jeito que pensamos ou do jeito que gostaríamos de ler a resposta. Se a IA fosse um profissional de mercado e tivesse que se registrar nos conselhos profissionais, acabaria colecionando muitas carteiras profissionais, da Psicologia à Engenharia, sem esquecer a Advocacia, a Arquitetura, a Contabilidade etc.

Por isto devemos estar prontos... para os prompts. Não vamos escapar deles e deveríamos aprender, nas escolas e nas universidades, como utilizá-los de forma eficiente e produtiva. São os nossos melhores amigos e atualmente nossos melhores amigos imaginários; por enquanto, até o primeiro robô humanoide “competir” com o espaço (físico e, quem sabe, emocional) dos animais de estimação, os pets.

Um comentário:

Otomar Lopes Cardoso Junior disse...

Que coincidência! Assistindo agora o Jornal Nacional (da TV Globo) e uma reportagem é justamente sobre o uso da IA nas universidades e, aliás, mostrando algumas iniciativas institucionais. Boa coincidência e bom saber que o uso da IA também está sendo "monitorado".