Estamos na era das inteligências artificiais, ou simplesmente na era das IA. Não sabemos, ainda, quanto tempo isto durará e nem mesmo qual será a próxima fase: qual será a próxima evolução significativa, ou melhor, qual evolução disruptiva enfrentaremos. Não se trata de ser alarmista nem preconizar o fim do mundo ou a dominação das máquinas, dos robôs humanoides que se intensificam no dia a dia (aliás, nesta semana tivemos dois corredores-robôs, um que quase bateu o recorde dos 100m e outro que bateu o recorde da meia-maratona; e ambos chineses), mas daqui a uns dez anos o mundo será outro, e alguns sofrerão mais do que outros e outros terão mais lucro do que alguns.
Essas
quebras de paradigmas não são novidades no nosso mundo, inclusive aqui no RN: a
globalização é, se é que se pode dizer, cada vez mais acelerada e as novidades
do mundo moderno-rico-tecnológico chegam aqui quase em tempo real ou se
preferir, on line. Não precisamos voltar tanto no tempo para buscar a Revolução
Industrial, basta a gente se lembrar do que foi a introdução dos computadores
pessoais, da internet, dos celulares modernos etc. as coisas foram mudando e
nós fomos nos adaptando, necessariamente nos adaptando.
Agora,
depois que o ChatGPT popularizou a IA, estamos nesta mesma fase destas três mudanças
que mencionei: mais cedo ou mais tarde todo mundo utilizará a IA e para os mais
teimosos e resistentes, nem se preocupe, a IA mudará suas vidas. Necessariamente
não será a mesma.
Precisamos
nos adaptar, principalmente as gerações mais novas que conviverão mais tempo
neste mundo ultramoderno e que assegurarão as condições socioeconômicas. É por
isto que entendo que o papel da educação é essencial neste momento de transição
e de adaptação; e vale para a educação informal, ou seja, cada um buscando
aprender com tirar (bom) proveito da IA assim como para a educação formal, nas
escolas e no ensino superior.
Nos
últimos 5-10 vimos muitas escolas (principalmente particulares) mudar seu
perfil de oferta de serviços para captar clientes, os estudantes e seus pais:
tivemos a onda de cursos de robótica como peça de propaganda fundamental assim
como tivemos a onda do ensino bilingue, na mesma proporção. Era (e é) uma forma
de adaptar-se à modernidade, mas com uma lição subliminar que talvez os pais
não tenham participado totalmente: os filhos devem ter noção de
informática/robótica tanto quanto dominar um segundo idioma, mostrando às
gerações antigas que aprender a tal da tabuada ou a conjugação de um verbo no
particípio passado já está devidamente superado; e mais, que o tal do decoreba
vem perdendo espaço para quem quer progredir socioeconomicamente.
Ainda
não vi as propagandas de escolas e de universidades/faculdades sobre o
aprendizado de IA. Certamente não é hora das propagandas escolares, tudo acontece
no final do ano quando há intensa busca por manutenção e captação de novos
clientes. No ensino superior ainda faltam pelo menos duas coisas: normatizar o
uso da IA nos trabalhos acadêmicos e normalizar o uso da IA nas atividades
acadêmicas.
Normatizar
é necessário para que fazer uma atividade ou elaborar uma apresentação não se
resuma a um único comando, o tal do prompt, e esperar a resposta da IA. Normalizar
para entender que a IA é um potente instrumento que permite maior e melhor
aprendizado, mas pedagogicamente tratado e abordado em sala de aula, nada de
aventuras descontroladas.
Estamos
na era do prompt, aquele comando personalizado ou profissionalizado que
mandamos para a IA para que ela nos responda do jeito que pensamos ou do jeito
que gostaríamos de ler a resposta. Se a IA fosse um profissional de mercado e
tivesse que se registrar nos conselhos profissionais, acabaria colecionando
muitas carteiras profissionais, da Psicologia à Engenharia, sem esquecer a Advocacia,
a Arquitetura, a Contabilidade etc.
Um comentário:
Que coincidência! Assistindo agora o Jornal Nacional (da TV Globo) e uma reportagem é justamente sobre o uso da IA nas universidades e, aliás, mostrando algumas iniciativas institucionais. Boa coincidência e bom saber que o uso da IA também está sendo "monitorado".
Postar um comentário