O mundo é um aposta, pelo menos quando vemos que este
mercado cresceu de forma quase exponencial nestes últimos anos. Na Copa do
Qatar vimos que algumas empresas de apostas eram fortes patrocinadores. Neste
semana foi a vez do Botafogo/RJ anunciar um patrocínio de R$ 55 milhões por um
período de dois anos que será bancado por uma grande empresa global de apostas
esportivas; se estão decididos a gastar os R$ 55 milhões, além de outro valor necessário
para divulgar a empresa, considerando os custos e as premiações, significa que o
volume de jogos é algo quase assustador no Brasil e que o lucro esperado é
gigantesco!
A Megasena da virada mostrou isto. As primeiras
propagandas, sempre impressas com antecedência pela Caixa para a decoração das
casas lotéricas, mencionavam um prêmio de R$ 450 milhões. Mas, faltando ainda
uma semana para o sorteio, logo este material tornou-se lixo (reciclável), pois
as apostas realizadas já garantiam um prêmio mínimo de R$ 500 milhões; e como
uma coisa chama a outra, o valor foi superado facilmente! Fazendo as contas,
quando a Caixa começou a divulgar a Megasena da virada e o resultado final, o erro
na previsão foi de cerca de 20%.
Este fenômeno de apostas não é novo nem é brasileiro.
Durante anos, pelo menos aqui, o tema era tratado até de forma meio folclórica
quando havia uma notícia de que se apostava no nome do novo Rei da Inglaterra,
se seria futuro rei ou rainha etc. Parecia engraçado apostar e apostar em quase
tudo. O escândalo com Paolo Rossi na Itália parecia até ter ficado para trás na
manipulação dos jogos para mudar o resultado da aposta lotérica deles.
Agora, tudo – ou quase – é um “bet” da vida, para usar a
expressão de língua inglesa. Foi-se o tempo – e há muito tempo! – que o Jogo do
Bicho era a aposta comum e visível em todas as esquinas, hoje substituídos por
outros grupos (incluindo internacionais, aqui no RN) que continuam com as
microapostas, aquelas de R$ 1, 2, 3 reais que, somadas, fazem a esperança de
ganhar algo para milhares de natalenses e a certeza de ganhar muito para os
poucos controladores destes jogos.
De vez em quando o tema de apostas volta de duas formas: a
liberação dos cassinos e as loterias estaduais, ambas dependem de exclusiva
autorização do Governo Federal. A primeira sempre encontrará resistências
públicas e críticas de associação à lavagem de dinheiro, sem esquecer os
problemas sociais que provoca na população mais carente; a segunda, atentaria
contra o monopólio federal.
Enquanto isto, com a internet, as ‘bet” encontraram formas
e fórmulas de arrecadar milhões por dia de brasileiros de diferentes
localidades, perfis econômicos, profissões etc. E todos com um sonho comum:
ganhar uma bolada suficiente para ficar pelo menos rico mas, muitas vezes,
preferencialmente milionário.
Talvez o momento seja propício para rediscutir o controle
estatal dos jogos, destas apostas que não vemos e que poucos controlam o lucro.
Talvez a ideia das loterias estaduais possa encontrar um maior núcleo de defesa
social e parlamentar, pois precisaria haver alteração na legislação. Não se
trata de incentivar os jogos, ou melhor, a jogatina – como se dizia antigamente
– mas de canalizar estes recursos para situações com melhor transparência e,
sobretudo, com maior aproveitamento do lucro, com controle do poder público
(com uma ressalva: a destinação do lucro deveria ser exclusiva para a educação e/ou
saúde).
Retomar, pelo menos o debate das loterias estaduais,
poderia ser o momento apropriado. A discussão levanta argumentos sólidos entre aqueles
que são a favor e aqueles que são contra.
Mas, se é para reduzir o prejuízo social e socializar
todo este montante que vai diariamente para as apostas, melhor que seja para
uma loteria estadual. É uma opinião.
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