De vez em quando alguma prefeitura, prefeito ou prefeita
faz uma divulgação da entrega de fardamento escolar para as crianças das
escolas municipais. Às vezes, mais do que uma foto no Instagram ou na página
oficial da Prefeitura, a entrega/distribuição das fardas torna-se um evento
formal, reunindo professores, crianças etc, com direito a discurso e tudo mais.
Talvez à duas ou três décadas o fardamento escolar fosse
alguma novidade tão relevante embora, acredito, desde sempre deveria ter sido
uma obrigação tão comum quanto é hoje, por exemplo, a merenda escolar.
Comemorar fardamento escolar é pouco para as demandas da Educação; pouco.
No entanto, ainda o formalismo (de entrega de fardamento)
nas escolas encontra respaldo e ecoa junto ao grupo ligado aos gestores
municipais para fortalecer um discurso de ação efetiva, de trabalho realizado,
de resultado concreto de quem foi eleito democraticamente. É verdade, sem
dúvida, que é um resultado da forma de conduzir uma prefeitura, mas é um
formalismo muito simples quando o tema é tão relevante quanto a educação, um
processo que se inicia muito cedo na vida das pessoas e que é capaz de mudar
todo o seu destino. E este caminho individual começa na escola do município com
demandas formais, mas também e principalmente com uma série de estruturas menos
evidentes do que o formalismo de uma notícia ou foto no Instagram.
Manter um escola em bom funcionamento, com fardamento e
merenda escolar, com professores e carteiras escolares, com biblioteca e
atendimento pedagógico deveria ser o patamar de base, o ponto de partida de
resultados de ação pública em favor da população. Dito assim, a distância,
parece simples. Claro, com toda a burocracia existente e muitas vezes
necessárias, pequenos resultados exigem grandes esforços; mas, aqueles que são
rotineiros e previsíveis já deveriam acontecer quase que “naturalmente”.
A comemoração da escola deveria ser efusivamente
divulgada a partir do sucesso do aprendizado, com o ambiente família-aluno-professores-equipe,
da formação e do encaminhamento às crianças para uma perspectiva de mudança
pessoal, familiar e social. Acredito que seria muito mais valioso contabilizar
quantos estudantes terminaram os estudos com indicadores de aprendizado
efetivo, quantos, ainda que anos depois, conseguiram se estruturar em uma
profissão ou atividade e tudo isto em troca de informar, como se fosse uma
grande conquista, que foram distribuídas, por exemplo, “x” fardamentos escolares
ou fornecidas “x” refeições na semana que passou.
Fardamento, mesa, carteira, merenda escolar etc, tudo
isto é muito importante e faz parte do conjunto de uma educação. Mas, não é a
isto que se resume uma Escola, assim mesmo, com um “E” maiúsculo, gigante
preferencialmente. Fardamento escolar, para festejar, é pouco; pouco.
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