A pichação (ou se alguém achar mais conveniente, o protesto) das paredes
externas do Forte dos Reis Magos me fez lembrar das últimas ações de
vandalismo, proposital ou não, em monumentos históricos, tais um recente e
muito divulgado, quando um turista decidiu danificar as paredes do Coliseu (em
Roma) para uma inscrição pessoal. Simples assim, ele achava que não estava
fazendo nada de errado e, além do mais... era uma inscrição pequena, ninguém ne
perceberia.
Guardadas as devidas proporções, a inscrição no Forte parece que
sensibilizou pouco algumas pessoas, pois o choque maior foi a visibilidade da
manifestação – pessoal ou coletiva, não se sabe ainda – em um bem público. Nada
demais, pareceri8a para alguns, bastaria pintar as paredes novamente (enquanto
no Coliseu não tem como recuperar a parede danificada).
Toda manifestação de descontentamento com as políticas públicas e os
gestores públicos em suas ações deve acontecer. Mas, não de qualquer forma, é
claro, há regras de convivência social. Uma das formas mais elegantes de
protestar com a gestão pública é na hora do voto: não gostou de quem está no
poder? Vote contra, vote em outra pessoa. A eleição é a cada 4 anos e algumas pessoas são mais
afoitas, preferem não esperar para protestar e até concordo, quando a crise é
grave. Mas, discordo de algumas formas de protesto, em especial quando modifica
o patrimônio público ou atinge o legítimo e legal direito de todos.
Não sei se acharão quem pichou
Forte. Natal tem tantas Câmeras espalhadas pela cidade que talvez
encontrem o autor, a autora ou os autores. Se encontrarem, uma penalidade deve
ser aplicada mas, também acho que nada grave, embora necessário penalizar para
fazer entender sobre a ação e a responsabilidade de atos contra bens públicos.
Sugeriria duas penalidades: a primeira, mais clássica, reparar o dano, ou seja, pintar a parede e, claro, pagando a tinta e o material do próprio bolso. A segunda, mais educativa e na mesma proporção da publicidade, a de ter que cumprir com alguma ação em favor da sociedade que mereça uma visibilidade para que a população perceba que o dano e sua publicidade podem ser amenizados com a publicidade da reparação. Mas, nenhuma humilhação nem nada de agressivo, degradante ou motivo de chacota, senão estaríamos apenas invertendo os papéis. O protesto é legítimo, quase sempre, e fica melhor quando é realizado corretamente, sob pena de perder o efeito do protesto pelas medidas corretivas. Caberia, independentemente da opinião, uma pena. É uma ideia.
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